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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 195

— O que foi? — Henri perguntou, desviando rapidamente o olhar da estrada para encará-la.

— Nada… — ela respondeu, depressa, percebendo que devia estar com uma expressão boba demais.

— Pode falar a verdade — ele insistiu, com a voz mais suave.

Ela apenas suspirou, engoliu em seco e decidiu ser sincera.

— Eu só… não achava que você fosse assim.

— Assim como?

— Alguém que fica com várias garotas ao mesmo tempo.

— Por quê? Por que sou mais quieto? Reservado?

— Talvez — murmurou, pensativa.

Henri manteve os olhos fixos na estrada por alguns segundos, antes de dizer:

— Posso ser sincero com você?

— Se quiser — respondeu, torcendo para que ele fosse.

— Eu tenho dezenove anos, um bom emprego e venho de uma família influente. Por que eu iria me prender a um relacionamento sério agora, se posso aproveitar minha juventude? Não acho que exista problema em curtir esse momento.

A sinceridade dele atingiu-a como um balde de água fria. Não era arrogância, nem deboche, era apenas a verdade crua, dita com naturalidade. E, por mais que doesse, ele tinha um ponto. Era jovem, bonito, rico e cercado de mulheres dispostas a tudo por um olhar seu. Por que, entre tantas, ele escolheria justamente ela?

Seria egoísmo de sua parte discordar. Mesmo assim, dentro de si, Eloá buscava desesperadamente por uma resposta, algo que pudesse fazê-lo repensar… e quem sabe, enxergá-la com outros olhos.

— Então, para você é só isso? — perguntou, com a voz mais baixa do que pretendia. — Ficar com várias, aproveitar, e pronto?

Henri soltou um suspiro leve, como se soubesse que aquela conversa era inevitável em algum momento.

— Eu não disse que é só isso. Mas no momento… é o que faz sentido para mim.

Virando o rosto para a janela, Eloá encarou as luzes da estrada que passavam rápido demais, como se o mundo lá fora estivesse correndo, enquanto dentro dela tudo estivesse parado, pesado.

— Por que ficou em silêncio? — ele perguntou, ao notar que ela passou longos minutos calada, encarando o nada.

— Não sei o que responder — admitiu, com um leve encolher de ombros.

— Ficou abismada com a minha sinceridade?

— Um pouco — confessou, sorrindo de lado. — Eu imaginava muita coisa sobre você… mas não isso.

Henri arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Tipo o quê?

— Que por trás desse seu jeito quieto e sério… havia alguém mais intenso, talvez até romântico. Não um colecionador de ficantes.

Ele soltou uma risada curta, como se não esperasse por aquilo.

— Esse lado deve existir também… mas acho que ele ainda está bem trancado.

Com um brilho irônico nos olhos, Eloá o olhou de soslaio.

— Eu diria que seria ótimo se você ao menos considerasse destrancar um pouquinho. Só para ver como é.

— Para isso acontecer, eu teria que, no mínimo… gostar de alguém. Me apaixonar, pelo menos um pouco — confessou, quase como se falasse consigo mesmo.

— E por que não tenta? — ela provoca, virando-se lentamente para encará-lo com um leve sorriso nos lábios. — Não acha que há alguém que vale a pena?

— Não, não somos — rebateu de imediato, com um tom seco.

— Como não? Eu te considero como uma irmã…

As palavras dele acenderam uma lembrança amarga. A imagem da outra garota, o desprezo oculto, tudo veio à tona de uma vez. Uma raiva latejou no peito e ela não conseguiu mais segurar.

— Para de dizer isso para as pessoas! Eu não sou sua irmã, Henri. E muito menos sua parente! — explodiu, sentando-se mais ereta no banco. — E outra coisa: para de me tratar como se eu fosse uma criança!

Claramente pego de surpresa, Henri arregalou os olhos.

— Ei… — disse, tentando manter a calma. — Me desculpa. Eu não sabia que isso te magoava tanto.

Ao perceber que tinha se exaltado mais do que gostaria, Eloá respirou fundo, sentindo o peso do próprio desabafo.

— Desculpa… — murmurou, envergonhada, baixando os olhos.

— Você deve estar mesmo com fome, nunca te vi assim.

Henri deu uma risadinha leve e, ao lembrar de uma hamburgueria à beira da estrada, decidiu parar por lá. Assim que estacionou o carro, olhou para ela com um meio sorriso.

— Vamos matar essa sua fome… e, quem sabe, curar esse seu estresse também.

Quando desceu do carro, Eloá foi recebida por uma brisa fria que fez seus pelos se arrepiarem. Antes mesmo que dissesse algo, sentiu algo quente sobre os ombros. Henri havia tirado a própria jaqueta e, sem dizer nada, envolveu-a com delicadeza.

— Toma — disse apenas, ajeitando a peça em torno dela.

O gesto a arrepiou de novo, mas, dessa vez, não foi devido ao frio. Foi por causa dele.

Tão perto, tão intocável. E ainda assim… tão capaz de fazê-la tremer com um simples gesto.

Agora estava ali, envolvida com a jaqueta dele e aquele perfume. Aquele maldito perfume.

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