Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 196

Enquanto se sentava em uma das cadeiras do local, que estava pouco movimentado naquela hora da noite, Eloá lançou um olhar discreto em direção a Henri, que examinava o cardápio com atenção.

A testa levemente franzida, os olhos concentrados e a boca bem desenhada, mantida em linha reta, compunham, para ela, a visão do paraíso. Talvez fosse o amor falando mais alto — ou a carência —, mas, naquele instante, Henri parecia o homem mais perfeito da face da Terra.

E, por mais engraçado que fosse, mesmo ele tendo um irmão gêmeo idêntico, Eloá jamais conseguiu enxergar em Gael a mesma beleza que via em Henri. Havia algo de único nele, algo impossível de explicar.

— Eu te amo — murmurou, sem perceber que o pensamento escapava pelos lábios.

Henri levantou os olhos do cardápio, surpreso.

— O que você disse?

Congelando por um segundo, Eloá sentiu seu coração disparar. Percebendo o deslize, se endireitou rapidamente na cadeira, enfiando uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando parecer natural.

— Eu disse que… estou faminta — improvisou, forçando um sorriso. — Ainda não escolheu o que vai pedir?

Henri arqueou uma sobrancelha, desconfiado, mas não insistiu.

— Ainda não. Tem muitas opções e todas parecem boas.

— Então, deixa eu pedir logo o meu, senão vamos ficar aqui até de madrugada.

— Não se preocupe com o horário — ele disse, fechando o cardápio com calma. — Mandei mensagem para o meu pai dizendo onde estávamos, e pedi que avisasse o seu também. O tio Saulo respondeu dizendo que estava tudo certo.

— Sério que o meu pai disse isso?

— Sim. Quer ver a mensagem?

— Não — respondeu rápido demais. — Só acho estranho ele não implicar com a gente como faz com a Elisa e o Noah.

— Ele não implicava com eles antes também — comentou Henri. — Só começou depois que eles começaram a namorar. Aí resolveu inventar aquelas regras bobas. Como se, querendo fazer alguma coisa errada, eles não achassem um jeito.

— É... verdade — admitiu Eloá, mordendo discretamente o canto dos lábios, ainda com o coração acelerado por ter quase se entregado sem querer.

O garçom se aproximou com um sorriso discreto e o bloquinho na mão, pronto para anotar os pedidos. Sem hesitar, ela escolheu um hambúrguer artesanal com batatas rústicas e limonada suíça. Henri, por fim, optou por um duplo cheddar com refrigerante.

Assim que o pedido foi feito, o silêncio se acomodou entre eles por alguns instantes. Não era incômodo, mas parecia carregar palavras não ditas. O tipo de silêncio que gritava, mesmo sem som algum.

Quando o lanche chegou à mesa, ela deu uma mordida do tamanho da fome que sentia. Mastigava com gosto, sem cerimônia, enquanto ele a observava com um sorriso bobo no rosto, do tipo de sorriso que não denuncia o quanto alguém está sendo genuinamente cativado.

— Aposto que não foi assim que você planejou terminar a sua noite — provocou Eloá, arqueando uma sobrancelha.

— Não, não foi — ele admitiu, com um riso contido.

— Sinto muito por estragar seus planos.

— Você não estragou nada — respondeu rapidamente, como se fizesse questão de deixar isso claro. — Estar com você é divertido.

— Por quê?

Ele parou por um momento, pensando. Levou um tempo para encontrar a resposta certa.

— Bom… já que você disse que não é para te chamar de irmã, vou usar outro termo. Você é... uma amiga. Mas não qualquer amiga. É alguém que não finge ser o que não é só para me agradar.

— Só porque estou te fazendo essas perguntas? — questionou, tentando soar leve, mas, no fundo, já estava magoada.

— Não é só por isso…

— Não se preocupe — ela se apressou em dizer, tentando encerrar o assunto antes que ficasse mais doloroso. — Eu não vou dar em cima de você.

Fez uma pausa breve e completou, com um sorriso amargo:

— Ainda mais sabendo o que você realmente pensa sobre mim.

— O que quer dizer com isso? — ele perguntou, confuso, levando o copo de refrigerante à boca.

— Estou falando do que você disse para o meu pai hoje cedo, quando estávamos lá em casa.

Henri engoliu em seco e tentou responder:

— Ah… sobre aquilo, eu…

— Não precisa dizer nada — cortou, desviando o olhar, sem forças para reviver aquela decepção. — Vamos esquecer esse assunto.

A voz saiu baixa, mas firme. Não queria se machucar de novo. Não ali, naquela noite que parecia ter começado diferente.

— Vamos só… comer e terminar isso logo — continuou, tentando retomar o controle das emoções. — Acho que você estava certo sobre o sono… deve ser isso que está me fazendo falar um monte de coisas sem nexo.

Henri assentiu lentamente, respeitando o espaço dela. Mesmo que algo em seu olhar dissesse que talvez… ele começasse a vê-la com outros olhos.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda