Enquanto se sentava em uma das cadeiras do local, que estava pouco movimentado naquela hora da noite, Eloá lançou um olhar discreto em direção a Henri, que examinava o cardápio com atenção.
A testa levemente franzida, os olhos concentrados e a boca bem desenhada, mantida em linha reta, compunham, para ela, a visão do paraíso. Talvez fosse o amor falando mais alto — ou a carência —, mas, naquele instante, Henri parecia o homem mais perfeito da face da Terra.
E, por mais engraçado que fosse, mesmo ele tendo um irmão gêmeo idêntico, Eloá jamais conseguiu enxergar em Gael a mesma beleza que via em Henri. Havia algo de único nele, algo impossível de explicar.
— Eu te amo — murmurou, sem perceber que o pensamento escapava pelos lábios.
Henri levantou os olhos do cardápio, surpreso.
— O que você disse?
Congelando por um segundo, Eloá sentiu seu coração disparar. Percebendo o deslize, se endireitou rapidamente na cadeira, enfiando uma mecha de cabelo atrás da orelha, tentando parecer natural.
— Eu disse que… estou faminta — improvisou, forçando um sorriso. — Ainda não escolheu o que vai pedir?
Henri arqueou uma sobrancelha, desconfiado, mas não insistiu.
— Ainda não. Tem muitas opções e todas parecem boas.
— Então, deixa eu pedir logo o meu, senão vamos ficar aqui até de madrugada.
— Não se preocupe com o horário — ele disse, fechando o cardápio com calma. — Mandei mensagem para o meu pai dizendo onde estávamos, e pedi que avisasse o seu também. O tio Saulo respondeu dizendo que estava tudo certo.
— Sério que o meu pai disse isso?
— Sim. Quer ver a mensagem?
— Não — respondeu rápido demais. — Só acho estranho ele não implicar com a gente como faz com a Elisa e o Noah.
— Ele não implicava com eles antes também — comentou Henri. — Só começou depois que eles começaram a namorar. Aí resolveu inventar aquelas regras bobas. Como se, querendo fazer alguma coisa errada, eles não achassem um jeito.
— É... verdade — admitiu Eloá, mordendo discretamente o canto dos lábios, ainda com o coração acelerado por ter quase se entregado sem querer.
O garçom se aproximou com um sorriso discreto e o bloquinho na mão, pronto para anotar os pedidos. Sem hesitar, ela escolheu um hambúrguer artesanal com batatas rústicas e limonada suíça. Henri, por fim, optou por um duplo cheddar com refrigerante.
Assim que o pedido foi feito, o silêncio se acomodou entre eles por alguns instantes. Não era incômodo, mas parecia carregar palavras não ditas. O tipo de silêncio que gritava, mesmo sem som algum.
Quando o lanche chegou à mesa, ela deu uma mordida do tamanho da fome que sentia. Mastigava com gosto, sem cerimônia, enquanto ele a observava com um sorriso bobo no rosto, do tipo de sorriso que não denuncia o quanto alguém está sendo genuinamente cativado.
— Aposto que não foi assim que você planejou terminar a sua noite — provocou Eloá, arqueando uma sobrancelha.
— Não, não foi — ele admitiu, com um riso contido.
— Sinto muito por estragar seus planos.
— Você não estragou nada — respondeu rapidamente, como se fizesse questão de deixar isso claro. — Estar com você é divertido.
— Por quê?
Ele parou por um momento, pensando. Levou um tempo para encontrar a resposta certa.
— Bom… já que você disse que não é para te chamar de irmã, vou usar outro termo. Você é... uma amiga. Mas não qualquer amiga. É alguém que não finge ser o que não é só para me agradar.
— Só porque estou te fazendo essas perguntas? — questionou, tentando soar leve, mas, no fundo, já estava magoada.
— Não é só por isso…
— Não se preocupe — ela se apressou em dizer, tentando encerrar o assunto antes que ficasse mais doloroso. — Eu não vou dar em cima de você.
Fez uma pausa breve e completou, com um sorriso amargo:
— Ainda mais sabendo o que você realmente pensa sobre mim.
— O que quer dizer com isso? — ele perguntou, confuso, levando o copo de refrigerante à boca.
— Estou falando do que você disse para o meu pai hoje cedo, quando estávamos lá em casa.
Henri engoliu em seco e tentou responder:
— Ah… sobre aquilo, eu…
— Não precisa dizer nada — cortou, desviando o olhar, sem forças para reviver aquela decepção. — Vamos esquecer esse assunto.
A voz saiu baixa, mas firme. Não queria se machucar de novo. Não ali, naquela noite que parecia ter começado diferente.
— Vamos só… comer e terminar isso logo — continuou, tentando retomar o controle das emoções. — Acho que você estava certo sobre o sono… deve ser isso que está me fazendo falar um monte de coisas sem nexo.
Henri assentiu lentamente, respeitando o espaço dela. Mesmo que algo em seu olhar dissesse que talvez… ele começasse a vê-la com outros olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...