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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 197

Quando terminaram o lanche, Henri pagou a conta e os dois voltaram para o carro. Eloá ainda usava a jaqueta dele, abraçada a ela como se fosse uma extensão da própria pele. O caminho de volta foi tranquilo, sem mais confissões, apenas um silêncio preenchendo os espaços.

Assim que o carro parou em frente à casa, ela abriu a porta devagar e, antes de sair, virou-se ligeiramente para ele.

— Vou ficar com ela… — disse, referindo-se à jaqueta. — Assim que lavar, eu te devolverei.

— Não precisa lavar — respondeu, mas ela já havia fechado a porta do carro e atravessado a porta de entrada da casa.

Sem alternativas, apenas observou enquanto ela desaparecia na casa. Engatou a marcha e seguiu para a fazenda. Estava exausto. Mariana não lhe deu um minuto de trégua na cama, e tudo o que mais desejava naquele momento era chegar em casa, tomar um banho rápido e se jogar na cama, na esperança de conseguir apagar por algumas horas.

[…]

A casa estava em silêncio. As luzes já apagadas indicavam que todos haviam se recolhido. Com passos leves, Eloá correu direto para o quarto, sem fazer barulho. Ao fechar a porta, se deixou envolver pelo silêncio e pela jaqueta dele ainda em seus ombros.

Abraçou o tecido com força. O perfume de Henri estava ali, presente, intenso. Um aroma amadeirado e fresco que a deixava zonza, quase fora de si.

— Nunca mais vou devolver isso — murmurou para si mesma, tirando a peça e enterrando o rosto nela, inalando com vontade o cheiro do homem que mexia com cada célula do seu corpo.

Deitou-se na cama, ainda abraçada à jaqueta, como se fosse ele. Fechou os olhos e deixou os pensamentos vagarem, mas logo as primeiras lágrimas começaram a escorrer pelo rosto.

— Como pode se contentar com tão pouco, Eloá? — sussurrou entre os soluços, se dando conta do papel ridículo que estava desempenhando: abraçada à roupa de um homem que havia passado a tarde com outra mulher.

Com raiva de si mesma, atirou a jaqueta no chão.

— Deus… me ajuda a tirar esse homem do meu coração — implorou em voz baixa, enxugando o rosto com as costas da mão.

De repente, a porta do quarto se abriu com um baque, fazendo seu coração disparar. Elisa surgiu, vestindo um pijama rosa e com a expressão cansada.

— O que está fazendo aqui? — perguntou, assustada.

— Vim ver se você já tinha chegado. Por que demorou tanto? — questionou, entrando no quarto.

— O Henri só pôde me trazer agora — respondeu, ainda com a voz embargada.

— Tão tarde assim?

— Na verdade, ele nem viria se você e o Noah não tivessem me abandonado lá. Você sabia que eu não queria ficar perto dele, por que fez isso?

— Me perdoa, maninha — disse Elisa, se aproximando e abraçando-a com ternura.

— E sabe o que é pior? — perguntou, entre soluços. — A mãe da Luana disse que, se algo acontecer com ela, a culpa será toda do Noah. E agora ele está se culpando, desesperado, achando que colocou a vida da prima em risco.

— Maninha… por que não me contou isso antes? Eu teria dado um jeito de voltar mais cedo. Teria ficado com você.

— Foi tudo tão rápido… não deu tempo nem de te ligar.

— E o que o Noah vai fazer agora?

— Ele teve que pedir ajuda ao pai. O tio Oliver foi com ele para a capital. O papai também foi junto. Eles estão tentando encontrar o paradeiro do homem para tentar resgatar a Luana.

Eloá apertou os olhos, angustiada.

— E se… se algo ruim já tiver acontecido com ela?

Mal terminou a frase e já se arrependeu. A expressão de Elisa se contorceu, os olhos marejados transbordavam de dor, por saber que, seja lá o que acontecesse com Luana, Noah se sentiria culpado.

— Se algo ruim aconteceu, o Noah nunca vai se perdoar. Querendo ou não, foi ele quem a trouxe até aqui… e desenterrou um passado que deveria ter continuado enterrado para sempre.

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