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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 198

Na capital, Oliver prestava depoimento à polícia enquanto Noah e Saulo aguardavam do lado de fora, na recepção silenciosa da delegacia. O clima era tenso, carregado de uma expectativa sufocante que deixava o ar mais pesado a cada minuto.

Assim que a denúncia foi registrada, as buscas por Túlio começaram imediatamente. A polícia descobriu que ele havia alugado uma casa em um bairro periférico, afastado do centro. No entanto, ao chegarem ao endereço, foram informados de que ele havia se mudado duas semanas antes, sem deixar rastros.

A angústia de Noah só aumentava, enquanto encarava as paredes daquela delegacia. Mas nada o perturbava mais do que ver o nome da mãe de Luana acendendo repetidamente na tela do celular. Sabia que ela precisava de respostas, mas não tinha coragem de atender. Não sabia o que dizer. Nem sequer sabia o que sentir.

— É a mãe da Luana, não é? — perguntou Saulo, ao notar o olhar aflito do genro, fixo no celular que vibrava em suas mãos.

— É... — respondeu Noah, sem conseguir esconder o peso na voz.

— Me dá — Saulo pediu, estendendo a mão com calma. — Eu falo com ela.

— Mas…

— Não se preocupe — cortou. — Esqueceu que sou advogado? Eu sei como lidar com esse tipo de situação.

Noah hesitou por um segundo, depois entregou o celular, quase como quem entrega um fardo. Enquanto Saulo se afastava com o aparelho no ouvido, tentando conter a própria apreensão, permaneceu sentado, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto entre as mãos.

Nunca imaginou que tudo pudesse sair do controle tão rápido. Jamais pensou que uma escolha feita no impulso, no calor de um sentimento confuso, pudesse desencadear consequências tão catastróficas. Agora, tudo parecia ruir ao redor, e a cada minuto que passava, o peso da culpa se tornava mais insuportável.

Do outro lado da sala, Saulo levou o telefone ao ouvido e bastaram poucos segundos para que a voz aflita de uma mãe em desespero atravessasse a linha, tornando tudo ainda mais real, mais urgente, mais dolorosamente humano.

— Boa noite, senhora. Eu me chamo Saulo e sou sogro do Noah — ele começou, mantendo o tom calmo, mesmo sentindo a cabeça doer por aquela situação.

— Boa noite… mas por que ele não me atendeu? — A voz de Marta já vinha trêmula, oscilando entre a cobrança e o pânico.

— A senhora se chama Marta, certo?

— Sim.

— Dona Marta, o Noah está agora na delegacia, registrando um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento da sua filha — revelou com cuidado.

— Eu também quero ir… — implorou Marta, entre soluços. — Vou tentar arranjar algum dinheiro emprestado… com alguém… preciso encontrar a minha filha.

— Se a senhora quiser ir até São Paulo, não se preocupe com as despesas — respondeu com gentileza, mas convicção. — Vamos enviar o dinheiro para a senhora ainda hoje e cuidar de tudo. Mas, por favor, precisa tentar manter a calma… e, acima de tudo, a fé de que a Luana está bem. E que vamos trazê-la de volta.

Do outro lado da linha, o choro de Marta continuava. Doloroso. Trêmulo. Aquele som cortava mais do que qualquer palavra. Saulo apertou os olhos com força, sentindo o peso daquela dor como se fosse sua.

Agora ele compreendia perfeitamente o motivo de Noah não ter conseguido atender aquelas ligações. O choro de Marta era genuíno, doído, cru. Era o lamento desesperado de uma mãe à beira do desespero por sua única filha.

— Nós vamos encontrá-la, senhora — disse após alguns minutos. — Eu prometo!

— É bom mesmo — disse Marta, após conseguir controlar um pouco o choro. — Porque, se algo acontecer com a minha filha, eu juro que nunca vou perdoar o Noah pelo que ele fez.

Fez uma pausa, como se precisasse recuperar o fôlego antes de continuar.

— Sei que nenhum de vocês aí gosta da minha irmã… e muito menos da minha filha. Mas isso não muda nada. Foi o Noah quem a levou, quem insistiu para que ela fosse. Agora é responsabilidade dele trazê-la de volta. Para o lugar de onde ela nunca deveria ter saído.

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