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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 199

— Tudo o que tínhamos que fazer aqui, já fizemos — disse Oliver ao sair da sala de depoimento, com a expressão tensa e cansada.

— E nada até agora? — Saulo perguntou, com a esperança se esvaindo a cada nova resposta.

— Nada — confirmou, passando a mão pelo rosto. — A polícia de São Paulo já foi alertada. Estão tentando rastrear imagens de câmeras de segurança pela região do aeroporto e arredores.

— Vamos para São Paulo — disse Noah, com a voz firme.

— Vamos — Saulo assentiu sem hesitar.

A viagem até a capital foi feita em silêncio. No avião, Noah preferiu se sentar longe do pai e do sogro. Não por falta de apoio, ambos estavam ao seu lado desde o início, mas por vergonha. A culpa pesava como chumbo sobre seus ombros, e o medo da decepção nos olhos deles o impedia de encará-los.

Se pudesse, não voltaria a olhar nos olhos de nenhum dos dois. Sentia-se responsável por tudo, como se tivesse aberto a porta para um passado que deveria ter continuado enterrado. E agora, a dor de uma mãe, a angústia de um desaparecimento, e o peso de uma promessa feita… estavam todos sobre ele.

Assim que o avião pousou, foram recebidos por um homem alto, de expressão séria e olhar atento. Ele se apresentou com um aperto de mão:

— Detetive Jonas Figueiredo.

— Jonas, obrigado por vir — disse Oliver, aliviado ao vê-lo.

— Você sabe que pode contar comigo sempre — respondeu o detetive, caminhando ao lado deles em direção ao carro.

— E o que conseguiram descobrir até agora? — perguntou, já abrindo a porta do veículo.

— Descobrimos que o Túlio tem uma filha chamada Taís. Ela possui uma casa no centro da cidade.

— Foram até lá?

— Sim. Mas não a encontramos. Os vizinhos disseram que a Taís está viajando… só que, há pouco, um deles nos ligou dizendo que viu movimentação. Luzes acesas, barulhos estranhos. Parecia que alguém estava lá dentro.

— Será que é ele? — Noah perguntou, com o coração acelerado.

— É o que queremos descobrir. Alguns homens já estão indo para lá, com a polícia. Podemos ir até lá se quiserem também.

— Sim, vamos. — A resposta veio, imediata.

— Não podemos perder tempo — Saulo acrescentou.

O carro saiu em disparada pelas ruas agitadas da cidade. O trânsito, porém, não colaborava. Avançavam lentamente entre buzinas, faróis e cruzamentos congestionados. O tempo parecia zombar deles, cada minuto aumentava a angústia e a expectativa.

Quando finalmente se aproximaram do local, avistaram ao longe algumas viaturas. Que estavam paradas em lugares estratégicos.

Ao descerem do carro, um policial se aproximou com uma postura séria.

— Estamos monitorando o local — informou o agente responsável pela operação. — Ainda não tivemos uma movimentação clara lá dentro, mas tudo indica que há alguém no interior da residência.

— Por que não invadem essa casa de uma vez? — Oliver questionou, nervoso. — A garota pode estar em perigo lá dentro! Ainda mais se ele perceber que vocês estão por perto!

— Entendo o desespero do senhor — respondeu o oficial, sem arrogância —, mas não podemos agir por impulso. Qualquer movimento precipitado pode colocar a vida dela em risco.

Respirando fundo, Oliver fechou os punhos e deu um passo para trás. Sabia que não poderia fazer as coisas do seu jeito, não naquele momento. Tudo o que lhe restava era confiar que a polícia sabia o que estava fazendo.

Enquanto isso, um dos agentes operava um drone tático, sobrevoando os arredores da casa. A tela exibia imagens em tempo real, e logo o policial responsável chamou o chefe da operação.

— Senhor, temos uma janela aberta nos fundos da casa.

Um, dois, três…

A porta foi arrombada com precisão, e gritos ecoaram no interior da residência:

— POLÍCIA! NINGUÉM SE MEXE!

A cena que veio a seguir foi rápida demais para ser registrada por quem estava do lado de fora.

Até que, segundos depois, a voz de um dos agentes soou pelo rádio:

— Local seguro. Homem detido. Temos uma jovem desacordada no quarto dos fundos.

Noah sentiu as pernas fraquejarem.

— Luana… — murmurou.

Saulo o segurou pelos ombros antes que ele caísse.

— Espera. Vamos ver como ela está.

Minutos depois, dois policiais saíram carregando Túlio algemado, com o rosto sem expressão. Em seguida, uma ambulância estacionou em frente à casa e uma equipe médica emergiu com uma maca.

Luana estava nela, inconsciente, mas viva.

O alívio que tomou conta de Noah foi tão intenso que ele caiu de joelhos no chão e as lágrimas escorreram sem controle.

— Obrigado, Deus… obrigado…

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