Uma médica jovem, de jaleco branco e expressão serena, entrou com uma prancheta nas mãos. Ela olhou para Luana com empatia e, em seguida, voltou-se para Marta, que ainda chorava baixinho, sentada ao lado da cama, segurando a mão da filha.
— A senhora é a mãe dela? — perguntou com a voz suave.
— Sim, eu me chamo Marta Passos. — respondeu, enxugando as lágrimas apressadamente, tentando recuperar alguma compostura.
— Dona Marta, sou a doutora Sabrina, responsável por acompanhar o quadro da Luana desde que ela chegou. Sei que a senhora está muito abalada, mas queria tranquilizá-la com algumas informações importantes.
Com um leve movimento de cabeça, Marta assentiu, revelando os olhos vermelhos.
— Luana está estável agora. Ela chegou ao hospital bastante desidratada e com hematomas pelo corpo, principalmente na região dos braços, costelas e pernas. Foram realizados exames de imagem para verificar fraturas internas, e felizmente, não encontramos nada grave além das escoriações e contusões.
— E sobre… — Marta engoliu em seco, olhando para a filha — Ele realmente não abusou da minha filha?
A médica fez uma pausa respeitosa e depois continuou:
— Um perito da polícia, o doutor Rubens Salgado, esteve aqui pouco depois da chegada dela. Ele é médico-legista e realizou o exame de corpo de delito, conforme o protocolo da investigação. Quero que a senhora saiba que, de acordo com o laudo inicial, não há indícios de abuso sexual. Os ferimentos são compatíveis apenas com agressões físicas.
Marta levou as mãos ao rosto, estampando uma expressão de alívio. Um suspiro trêmulo escapou de seus lábios, seguido por um novo choro, agora mais contido, mais sussurrado, como quem agradece por uma tragédia ter sido parcialmente evitada.
— Ela vai ficar bem? — perguntou, com a voz rouca.
— Vai precisar de acompanhamento psicológico e alguns dias de repouso, mas sim, ela vai se recuperar — garantiu a médica. — O mais importante agora é ela se sentir segura e cercada de apoio.
Luana abriu os olhos com dificuldade e fitou a mãe por um instante, antes de sussurrar:
— Vai ficar tudo bem…
— Sim, meu amor, eu estou aqui e não saio mais do seu lado.
A médica observou a cena por alguns segundos antes de se retirar discretamente, deixando mãe e filha sozinhas naquele momento de reencontro e reconstrução.
Assim que viu a médica se retirar, Marta permaneceu em silêncio por alguns segundos, encarando a filha com olhos marejados. O peito subia e descia em respirações pesadas, como se ainda processasse tudo o que havia acabado de ouvir. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma batida na porta a fez virar o rosto.
Noah entrou devagar, com os olhos visivelmente abatidos, os ombros curvados como quem carregava um peso insuportável. Ao ver Luana naquela cama, tão frágil, cheia de hematomas e ligada a soros, a expressão dele se desfez por completo. Os olhos se encheram de lágrimas, e ele não conseguiu mais conter o choro.
— Eu sinto muito, Luana… — disse. — Eu devia ter te acompanhado até em casa. Nunca deveria ter deixado você sozinha.
— Devia mesmo — cortou Marta, com frieza, antes que a filha pudesse dizer algo. — Aliás, você nunca deveria tê-la trazido para esse lugar.
— Mãe… — Luana interveio com dificuldade. — Não seja tão dura com ele…
— Como não ser? — retrucou, exaltada. — Tudo o que aconteceu foi por culpa da negligência dele!
— Claro que se importam, mãe! — insistiu Luana. — Se não fosse o Noah, eu nem estaria aqui agora.
— Se não fosse o Noah, você jamais teria passado por isso! — rebateu, cortante. — Ele te expôs, te deixou vulnerável, isso tudo é consequência da irresponsabilidade dele!
O silêncio que se seguiu fez a garganta de Luana apertar. O peso da culpa que carregava doía mais do que qualquer hematoma no corpo. E, por mais que soubesse que aquilo quebraria a mãe, ela não aguentava mais se calar.
Respirou fundo e, com os olhos fixos no teto, sussurrou:
— Mãe…
— O que foi, querida?
— A culpa… foi minha — disse, sentindo o rosto arder de vergonha. — Fui eu quem… quem provocou aquele homem.
Marta a encarou, sem entender.
— Como assim?
Luana desviou o olhar, sentindo o coração martelando no peito.
— No avião. Eu… me insinuei para ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...