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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 208

Percebendo que todos ainda tentavam assimilar o que acabava de acontecer, Henri decidiu sair de mansinho e seguiu atrás de Eloá.

Caminhou pela estrada escura, mas não a encontrou. Ao chegar em sua casa e perceber que ela também não estava por lá, concluiu que provavelmente ela teria pegado a estrada da vila. Sem hesitar, pegou o carro e dirigiu devagar em direção à Vila São Caetano. Como suspeitava, logo avistou uma silhueta sentada atrás de uma árvore, quase escondida pela escuridão. Soube imediatamente que era ela, encolhida, como se quisesse que ninguém a encontrasse ali.

Parando o carro no acostamento, desceu em silêncio e caminhou em sua direção. Quando Eloá o viu se aproximar, fez uma expressão frustrada, virando discretamente o rosto.

“Por que, de todas as pessoas, tinha que ser logo ele?”, pensou, sentindo um nó apertar em sua garganta.

Como se esperasse um sermão, ela se pôs numa posição defensiva. Os ombros levemente erguidos e o olhar endurecido entregavam que estava disposta a rebater qualquer crítica que recebesse, no entanto, contrariando tudo o que esperava, Henri apenas se sentou ao seu lado, no chão, e permaneceu em silêncio.

Enquanto o silêncio se prolongava, Eloá apoiou as costas no tronco da árvore e fechou os olhos, inalando profundamente o perfume inebriante que vinha dele. Por mais que a mente estivesse cheia de dúvidas, dores e inseguranças, aquele simples gesto — inspirar o cheiro do homem que amava em segredo — lhe trazia uma estranha sensação de paz. E, por isso, deixou-se ficar ali, entregue àquele momento silencioso, sabendo que em breve nem mesmo isso existisse mais.

O silêncio, no entanto, começou a pesar. No início, era reconfortante, mas aos poucos se tornou incômodo.

— O que foi? — ela perguntou, com a voz levemente ríspida. — Não vai me julgar e dizer que eu estou sendo uma idiota por conta da decisão que tomei?

— Eu não estou falando nada… é você quem está dizendo — ele respondeu, sem sequer virar o rosto para ela.

A resposta a deixou atônita. Abriu os olhos devagar e se deparou com o olhar firme de Henri, que agora a observava com atenção.

— O que veio fazer aqui? — perguntou, sentindo-se estranhamente vulnerável.

— Só vim te fazer companhia — respondeu, tranquilo. — Está tarde, e não é bom andar sozinha por aí.

A resposta a pegou desprevenida. Então, ela suspirou e se recostou novamente no tronco da árvore.

— Parece que acabei de decepcionar a minha família — comentou, com a voz baixa, quase se perdendo no vento.

— Você não os decepcionou, só os pegou de surpresa — ele disse, calmo.

— Eu deveria ter contado antes… — sussurrou. — Ver a reação dos meus pais e da minha irmã diante de todo mundo me deixou com um peso na consciência.

— Qualquer reação deles, sendo em público ou não, te faria se sentir assim — respondeu, sem julgamento.

Ela assentiu devagar.

— Tem razão — murmurou, esboçando um sorriso sem graça.

— Por que vai embora? — ele perguntou em seguida, sem tirar os olhos dos dela.

— Eu expliquei, lá… não expliquei? — respondeu, desviando o olhar.

— O que você disse lá… parecia uma resposta bem ensaiada — comentou, sincero. — Não pareceu o real motivo.

Naquele momento, ela percebeu que Henri sabia, sim, ler as pessoas.

Passando a língua pelos lábios secos, tentava encontrar uma resposta que não fugisse completamente da verdade, mas que também não revelasse o verdadeiro motivo. Não queria se expor mais do que já havia feito naquela noite.

— Eu só quero ficar longe por um tempo — confessou, sem o encarar.

Balançando levemente a cabeça, Eloá soltou um suspiro divertido, antes de responder:

— Acho que isso é bom… assim posso focar numa dieta mais saudável — brincou, erguendo uma sobrancelha.

— E as pessoas não são tão calorosas… — ele completou, de olhar atento.

— Sei disso — respondeu sem hesitar. — Mas não me importo muito. É até melhor assim. Não terei tantas distrações e poderei focar nos estudos.

Diante da firmeza das respostas, ele também sorri. Parecia estar tentando desmontar um castelo apenas com pedras na mão.

— Acho que você tem uma resposta na ponta da língua para tudo que eu disser, não é mesmo?

— Acho que sim — disse Eloá, com uma risada leve.

Ele manteve o sorriso por um instante, mas logo deixou escapar, com a voz mais baixa e o olhar sério.

— Eu só… estou tentando encontrar um motivo para você desistir e não ir.

A frase caiu como um raio. Eloá congelou, sem conseguir disfarçar o espanto. Sentiu a respiração falhar por um segundo. Engolindo em seco, tomou um gole de coragem e decidiu perguntar:

— Henri… por acaso você não quer que eu vá embora?

Ele a encarou e, por um momento, o barulho ao redor pareceu se dissolver. Tudo o que existia ali era o olhar dele preso no dela, intenso e hesitante, e o silêncio que sucedia à pergunta.

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