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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 209

— Acho que ninguém quer que você vá — ele respondeu, após um tempo.

Aquela resposta quebrou todas as expectativas que ela havia criado. Frustrada, inspirou o ar com força e desviou o olhar, sentindo-se mais uma vez tola por ter acreditado que ele diria o que seu coração tanto esperava ouvir, algo como: “É isso mesmo. Não quero que você vá.”

Um nó se formou em sua garganta, mas ela o engoliu em seco. Não iria permitir que aqueles malditos sentimentos a dominassem de novo.

— Eu sei que seus pais estão sofrendo muito… mas nada se compara ao que a Elisa deve estar sentindo agora — ele continuou. — Vocês têm praticamente a mesma idade, cresceram praticamente grudadas, uma na outra…

— A Elisa vai ficar bem — rebateu, interrompendo-o. — Ela tem o Noah agora. Ele vai ajudá-la a lidar com a minha ausência.

— Não é bem assim que as coisas funcionam… — ele protestou.

— Mas vão ter que funcionar — rebateu, antes que ele pudesse concluir. — Eu amo a minha irmã, mas ela precisa entender que eu também tenho as minhas vontades.

— Ela sabe disso.

— Então, por que será que é tão difícil para as pessoas apenas entenderem?

— Todos só ficaram surpresos — ele respondeu com calma. — Não fique chateada. Aposto que, quando você voltar para casa, todos já estarão com os ânimos acalmados.

— É... — sussurrou, permitindo que o silêncio se instalasse por alguns instantes.

Henri a observou com atenção, e após alguns segundos, perguntou:

— Quando você vai?

— Se tudo der certo, daqui a dois meses e meio.

— Tão rápido?

— Sim. Preciso encontrar um lugar para morar, conhecer o campus antes das aulas começarem…

Eloá tentou manter o tom firme, mas a última palavra pareceu pesar um pouco mais do que o necessário. A proximidade da partida deixava tudo mais real, mais evidente e, de certa forma, mais assustador.

Pensativo, Henri franziu a testa e então perguntou, curioso:

— Mas… como você vai fazer isso se ainda é menor de idade?

Como se já estivesse esperando essa pergunta, ela respondeu:

Ficou sentada, observando de longe. O banheiro feminino era ao lado do masculino, separados apenas por uma parede de espelhos. Mesmo não avistando mais Henri nem a garota em sua vista, sabia muito bem o tipo de intenção que ele carregava quando se levantou para sair dali daquele jeito.

Alguns minutos se passaram. Então, a primeira garota saiu sozinha, com um sorriso no canto dos lábios. Um sorriso que a cortou como uma faca. Logo depois, Henri reapareceu ao lado da segunda, justamente a que ele havia olhado com tanto interesse. Os dois riam juntos, como se fossem íntimos de longa data. A garota segurava o celular dele e digitava algo com espontaneidade, como se já estivesse acostumada com aquele gesto.

Quando devolveu o aparelho, se despediram com um beijo no rosto e se afastaram.

Ele voltou para a mesa com um sorriso leve nos lábios, como se nada tivesse acontecido. Mas bastaram seus olhos encontrarem os de Eloá para o sorriso desaparecer, engolido pela expressão dela, que agora estava distante, fria e contida.

— O que houve? — perguntou, inclinando-se levemente, percebendo que algo não estava certo.

Como quem tenta esconder um pensamento que grita por dentro, Eloá apenas desviou o olhar. Seu dedo girava distraidamente o canudo no copo, mas sua mente já não estava mais ali.

— Não foi nada — ela respondeu com a voz baixa, evitando encará-lo. — Eu só… estou satisfeita. Quando terminar, já podemos ir.

— Tudo bem — ele disse, dando de ombros com um sorriso enviesado. — Já ganhei a noite mesmo.

O tom leve e insinuante soou como um soco no estômago dela, que entendeu perfeitamente o que ele queria dizer.

Aquilo foi o estopim para ela perceber que sua escolha de sair do país era a mais certa a fazer. Não queria mais sentir aquilo que estava sentindo naquele momento. Não era ciúmes, exatamente. Era a constatação do óbvio. A certeza amarga de que, por mais que se esforçasse, jamais seria a pessoa a quem ele daria a atenção.

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