Quando Henri estacionou o carro em frente à casa de Eloá, ela permaneceu sentada ali por alguns segundos, com as mãos no colo, imóvel.
— Está tudo bem? — ele perguntou, lançando um olhar preocupado.
— Não, não está — respondeu, sem rodeios.
— Você não precisa ficar nervosa — ele tentou acalmá-la. — Seus pais vão estar mais calmos agora. Eles vão te entender.
— Não é isso o que está me perturbando agora — ela revelou, com a voz mais baixa.
— Então… o que é?
Ela virou o rosto em sua direção e o observou por alguns segundos silenciosos. Aos seus olhos, Henri parecia o homem perfeito. Desde muito tempo, havia criado um mundo no qual os dois se encaixavam. Idealizava um romance com ele com tanta intensidade que, imaginar ir embora sem sequer ter tido a chance de tocar os lábios dele uma única vez… doía. Uma dor muda, que se misturava com revolta e frustração. Era como se estivesse perdendo algo que nunca chegou a ter.
— Henri… — começou, hesitante, buscando coragem entre as palavras.
— O que foi?
— Antes de eu ir para os Estados Unidos, tem uma coisa que eu queria muito — disse, quase num sussurro.
— O quê?
— Eu não vou te dizer agora — explicou, desviando o olhar. — Mas… quando eu te pedir, você pode me ajudar?
Estreitando os olhos, Henri a encarou com mais atenção. Conhecia Eloá o bastante para saber que ela não falaria aquilo à toa. Ainda assim, algo naquela pergunta o deixou intrigado.
— Se estiver ao meu alcance… é claro que ajudo — respondeu.
— Promete?
Ele manteve o olhar firme por um instante, como se tentasse desvendar o que ela não dizia. Mas, no fim, apenas assentiu.
— Eu prometo.
Ela abriu um leve sorriso, abriu a porta do carro e desceu. Se despediu com um aceno e, antes de se virar, olhou mais uma vez para ele, como se quisesse guardar aquele momento na memória.
Então respirou fundo e caminhou até a porta de casa. Assim que a abriu, avistou seus pais sentados na sala, em silêncio, à sua espera.
— Filha, onde esteve até agora? — Saulo se aproximou, com o semblante preocupado.
— Estava com o Henri — respondeu ela, caminhando lentamente em direção ao pai. — Desculpa por não ter avisado.
— Está tudo bem. Se estava acompanhada, isso já me deixa menos preocupado.
— Eu sinto muito por sair daquele jeito — confessou, com a voz mais baixa. — Eu… — seus olhos buscaram os do pai, como se precisassem de apoio para continuar. — Eu não queria que as coisas acontecessem assim.
Percebendo que a filha também havia se acalmado, Saulo a puxou para um abraço apertado e beijou carinhosamente o topo da cabeça dela com ternura.
— Eu também vou sentir saudades — ela disse, tentando conter a emoção. — Mas eu quero muito isso. Pai… o senhor sabe como é. O senhor também deixou seu país para estudar quando era jovem. Não foi fácil, mas foi necessário, lembra?
Saulo fechou os olhos por um instante, sentindo um nó na garganta apertar ainda mais.
— Tem razão… — murmurou. — Eu só queria que fosse mais simples. Que seus sonhos fossem mais perto de mim.
— Mas o senhor sempre me ensinou a sonhar grande, lembra?
Ele soltou um suspiro e balançou a cabeça, vencido pelo orgulho que sentia da filha.
— Tudo bem… Se é isso que você quer, vamos te ajudar com tudo. Se for uma regra da universidade, você ter que morar no campus no primeiro ano, então tudo bem. Depois disso, não se preocupe, vamos providenciar um apartamento para você e tudo mais o que precisar.
Eloá o abraçou novamente, com lágrimas nos olhos.
— Obrigada, pai.
— Só promete que vai se cuidar, tudo bem? — ele pediu, segurando o rosto dela com carinho.
— E que virá passar as férias conosco, sempre! — Denise acrescentou, apertando-a também no abraço.
Eloá assentiu, sentindo o coração aquecido pela compreensão dos pais.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...