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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 211

Após conversar com os pais e explicar tudo o que precisaria, como plano de saúde, autorização e os documentos exigidos no país, Eloá foi para o quarto, certa de que enfim teria um momento de descanso. No entanto, ao abrir a porta, se deparou com Elisa deitada em sua cama.

A irmã estava imóvel, com os olhos abertos, fitando o teto em silêncio, o semblante distante revelava o quanto ela estava pensativa.

— O que faz aqui? — perguntou, surpresa.

— Estava te esperando — respondeu Elisa, sem mover o olhar.

Soltando um suspiro discreto, ela se aproximou devagar, deitando-se ao lado de Elisa. As duas se cobriram com o mesmo cobertor e, por um instante, ficaram apenas ali, olhando para o teto como costumavam fazer quando eram crianças.

— Me desculpa por mais cedo — disse Elisa, enfim rompendo o silêncio. — Eu não queria te deixar nervosa.

— Está tudo bem — respondeu, com a voz suave. — Acho que, se fosse o contrário, eu também teria reagido daquele jeito.

— Você vai mesmo para o exterior?

— Vou.

Um novo silêncio se instalou entre elas, mais denso. Como se cada segundo servisse para Elisa processar, de fato, o que aquilo significava. Então, depois de um tempo, ela voltou a falar.

— Irmã… — virou um pouco o rosto na direção dela. — É por causa do Henri, não é?

Tentando encontrar uma resposta convincente, algo que desviasse do assunto ou ao menos aliviasse o peso da pergunta, Eloá mordeu os lábios. Mas seu silêncio… já dizia tudo.

— Acha que vai conseguir esquecê-lo desse jeito? — insistiu Elisa, com a voz mais baixa.

— Espero que sim — murmurou, num tom que oscilava entre a dúvida e a esperança.

— E se não conseguir?

— Pelo menos terei um diploma na mão… de uma das melhores universidades dos Estados Unidos — respondeu, tentando disfarçar a dor com uma risadinha abafada.

As duas riram juntas, cúmplices como sempre, mas logo em seguida Elisa voltou a encará-la, agora com o semblante mais sério.

— Eu não queria que fosse, de verdade — confessou, com a voz baixa, como se tivesse receio de que dizer aquilo tornasse tudo mais real ainda. — Mas eu entendo. Às vezes, a gente precisa seguir o nosso próprio caminho, mesmo que isso doa.

Virando o rosto na direção da irmã, Eloá abriu um pequeno sorriso.

— Vai doer mesmo, mas eu não quero que a gente se afaste por causa disso.

— Também não quero — Elisa respondeu, com os olhos marejados. — Então promete que vai me mandar mensagem todo dia?

— Prometo.

— E me ligar por vídeo pelo menos duas vezes na semana?

— Também prometo.

— E que vai me contar tudo o que acontecer por lá, até se um cara bonito olhar para você?

Eloá riu baixinho.

— Tá bom, prometo tudo isso.

Elisa virou-se de lado e abraçou a irmã, como faziam quando eram pequenas.

— Eu vou sentir tanto a sua falta…

— Eu também, irmãzinha.

As duas ficaram ali, em silêncio, sentindo o coração apertado, mas também preenchido por um amor que nem a distância poderia apagar.

[…]

Pela manhã, Elisa acordou no quarto da irmã ao som da notificação de uma nova mensagem no celular. Era o namorado.

“Vamos tomar café juntos na capital?”

— Ele me respeita muito — rebateu, cruzando os braços.

— Não duvido disso, meu amor, mas como seu pai, preciso prevenir que caiam em tentação.

— Pai! — reclamou mais uma vez, pisando forte no chão. — A gente só vai tomar café, não é como se fosse passar a noite num motel!

— Elisa! — ele exclamou, escandalizado. — Olha o linguajar! Que jeito é esse de falar comigo?

— Desculpe, mas o senhor está exagerando demais. Eu tenho dezoito anos!

— Isso não importa, mocinha. Enquanto morar debaixo do meu teto, vai seguir minhas regras.

— Então me diga qual é a idade certa para sair de casa sem parecer que estou cometendo um crime?

— Quando você tiver maturidade suficiente para entender que o mundo não é um conto de fadas — respondeu, já com o semblante sério. — E que homens, mesmo os mais educados, podem se deixar levar por impulsos.

— Ah, pelo amor de Deus, pai. O Noah não é um bicho selvagem, ele é meu namorado, não um predador!

— É justamente por ser seu namorado que eu me preocupo! — rebateu, aproximando-se. — Ele gosta de você. E quando se gosta muito de alguém… as vontades aumentam.

— Ugh! — ela bufou. — Tá, então vamos fazer assim: coloco um rastreador no celular, uma câmera no carro e ando com um alarme de emergência pendurado no pescoço! Resolve?

— Resolveria bastante, sim! — ele disse, impassível.

Indignada, Elisa o encarou. Por um segundo, pensou em gritar, mas preferiu respirar fundo.

— Que droga, pai. É só um café! — insistiu.

— Eu já disse que não. Se vocês querem tomar café juntos, diga para ele que é muito bem-vindo aqui em casa — falou, se virando para a cozinha. — E que hoje eu vou preparar panquecas.

E saiu, após dar a palavra final, deixando a filha parada no corredor, revoltada.

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