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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 221

— Eu ainda não acredito que estamos à espera de gêmeos — Denise dizia, radiante, enquanto estavam no carro.

— Nem eu… meu Deus, é uma felicidade em dobro — Saulo respondeu, sorrindo de orelha a orelha.

— As meninas vão surtar!

— Ah, disso eu não tenho a menor dúvida.

Todavia, Denise ficou em silêncio por um instante, seu sorriso foi suavizado por um pensamento mais denso.

— A Eloá…

Ela não precisou dizer mais nada. Saulo entendeu na hora o que se passava no coração da esposa. Ele também sentia aquele aperto, ainda mais com os papéis quase todos prontos para a partida da filha.

— Eu sei… — ele disse com ternura, soltando uma mão do volante para tocar o ombro dela. — Mas conhecendo a nossa Eloá, ela vai dar um jeito de estar sempre por perto. E, de toda forma, ela não pode parar a vida por nossa causa.

— Você tem razão — sussurrou Denise, enxugando uma lágrima teimosa antes que escorresse.

— Não vamos pensar muito nisso, tudo bem? O que quer fazer agora? — ele perguntou, querendo animá-la.

— Que tal comprarmos alguma coisa para fazer uma surpresa para as meninas?

— Não acha melhor esperarmos para contar sobre os gêmeos, depois que soubermos o sexo? Acho que vai ser ainda mais emocionante.

— É... — ela concordou, já imaginando os rostos de todos. — Enquanto acharem que vem um bebê, surpreenderemos com dois.

Eles sorriram cúmplices, com o coração transbordando de amor e expectativa.

— Podemos fazer um chá revelação… o que acha? — Denise sugeriu, animada.

— Chá revelação? Não é meio brega? — Saulo franziu o cenho, desconfiado.

— Claro que não! Eu acho tão lindo… — ela rebateu com um sorriso nos lábios.

— Mas, se fizermos isso, nem a gente vai saber o sexo antes.

— E o que tem? Vai ser ainda mais especial descobrirmos junto com todo mundo. Podemos contar primeiro que são gêmeos, e depois descobrimos o sexo juntos.

Saulo pensou por um segundo, depois suspirou, já rindo da própria impaciência:

— Tudo bem, mas só se fizermos isso no mesmo dia em que saírem os resultados. Eu não vou conseguir esperar muito tempo. Estou ansioso demais.

— Eu sei, amor — Denise disse, apertando a mão dele. — Vai ser emocionante.

— E quem vai ficar encarregado da surpresa? — ele perguntou.

— Podemos pedir para Alice organizar tudo. Ela é criativa e adora essas coisas.

— Hum… é uma boa ideia. Mas, se depender dela, esse chá revelação vai virar um evento de gala — ele brincou.

— Melhor ainda! — Denise disse, rindo. — Afinal, nossos bebês merecem uma grande recepção.

[…]

Quando chegaram em casa, estranharam o silêncio.

— Será que a Eloá saiu?

— Acredito que não.

Eles decidiram ir até o quarto dela e encontram a porta entreaberta.

Eloá estava ajoelhada no chão, ao lado da cama, com várias peças de roupa cuidadosamente dobradas sobre o edredom. Mas, além de livros e cadernos empilhados em uma mala aberta, o que chamava a atenção era a pequena pilha de roupinhas minúsculas, de cores neutras, alguns bodies, macacõezinhos e até um par de sapatinhos de lã.

— Eu vou sentir tanta falta de tudo isso aqui — confessou. — Das conversas na varanda, das bagunças da Elisa.

— É melhor não falarmos mais sobre isso por enquanto… — Saulo disse, já sentindo vontade de chorar. — Ou eu vou acabar chorando e esquecendo que fui eu mesmo quem deixou você ir.

— Não pode voltar atrás na palavra, pai — Eloá respondeu.

— Eu sei… — ele suspirou. — De qualquer forma, eu vou com você até os Estados Unidos. Para te ver se acomodar e garantir que fique tudo perfeito.

— Tudo bem. Vai ser bom ter você comigo nos primeiros dias.

— Toda a papelada que pude adiantar, eu adiantei. Agora só falta resolver as últimas pendências, mas já fiz os pedidos. Está tudo encaminhado.

— O grande dia está chegando… — ela disse com os olhos brilhando, voltando a dobrar algumas roupas com cuidado.

Saulo a observou em silêncio por um instante, depois se aproximou e a abraçou pelos ombros.

— Mas enquanto esse dia não chega, quero aproveitar cada minuto com você, mocinha. Vamos sair bastante, fazer programas em família. Muitos passeios, combinado?

— Claro que sim! — ela respondeu, animada, encostando a cabeça no pai.

— Vai ser bom para matarmos a saudade. Mas agora… — Denise se levantou. — Tenho que ir, preciso resolver uma coisinha.

— O quê? — Eloá perguntou, franzindo a testa ao ver a mãe já saindo do quarto.

— Vou até a casa da Aurora procurar pela Alice. Tenho uma missão para ela — respondeu com um brilho misterioso nos olhos.

— Eu vou com você! — a filha se apressou em dizer, largando as roupas que estava dobrando.

— Tudo bem — Denise respondeu, lançando-lhe um olhar cúmplice.

As duas saíram rapidamente, deixando Saulo e a bagunça no quarto para trás.

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