— Eu ainda não acredito que estamos à espera de gêmeos — Denise dizia, radiante, enquanto estavam no carro.
— Nem eu… meu Deus, é uma felicidade em dobro — Saulo respondeu, sorrindo de orelha a orelha.
— As meninas vão surtar!
— Ah, disso eu não tenho a menor dúvida.
Todavia, Denise ficou em silêncio por um instante, seu sorriso foi suavizado por um pensamento mais denso.
— A Eloá…
Ela não precisou dizer mais nada. Saulo entendeu na hora o que se passava no coração da esposa. Ele também sentia aquele aperto, ainda mais com os papéis quase todos prontos para a partida da filha.
— Eu sei… — ele disse com ternura, soltando uma mão do volante para tocar o ombro dela. — Mas conhecendo a nossa Eloá, ela vai dar um jeito de estar sempre por perto. E, de toda forma, ela não pode parar a vida por nossa causa.
— Você tem razão — sussurrou Denise, enxugando uma lágrima teimosa antes que escorresse.
— Não vamos pensar muito nisso, tudo bem? O que quer fazer agora? — ele perguntou, querendo animá-la.
— Que tal comprarmos alguma coisa para fazer uma surpresa para as meninas?
— Não acha melhor esperarmos para contar sobre os gêmeos, depois que soubermos o sexo? Acho que vai ser ainda mais emocionante.
— É... — ela concordou, já imaginando os rostos de todos. — Enquanto acharem que vem um bebê, surpreenderemos com dois.
Eles sorriram cúmplices, com o coração transbordando de amor e expectativa.
— Podemos fazer um chá revelação… o que acha? — Denise sugeriu, animada.
— Chá revelação? Não é meio brega? — Saulo franziu o cenho, desconfiado.
— Claro que não! Eu acho tão lindo… — ela rebateu com um sorriso nos lábios.
— Mas, se fizermos isso, nem a gente vai saber o sexo antes.
— E o que tem? Vai ser ainda mais especial descobrirmos junto com todo mundo. Podemos contar primeiro que são gêmeos, e depois descobrimos o sexo juntos.
Saulo pensou por um segundo, depois suspirou, já rindo da própria impaciência:
— Tudo bem, mas só se fizermos isso no mesmo dia em que saírem os resultados. Eu não vou conseguir esperar muito tempo. Estou ansioso demais.
— Eu sei, amor — Denise disse, apertando a mão dele. — Vai ser emocionante.
— E quem vai ficar encarregado da surpresa? — ele perguntou.
— Podemos pedir para Alice organizar tudo. Ela é criativa e adora essas coisas.
— Hum… é uma boa ideia. Mas, se depender dela, esse chá revelação vai virar um evento de gala — ele brincou.
— Melhor ainda! — Denise disse, rindo. — Afinal, nossos bebês merecem uma grande recepção.
[…]
Quando chegaram em casa, estranharam o silêncio.
— Será que a Eloá saiu?
— Acredito que não.
Eles decidiram ir até o quarto dela e encontram a porta entreaberta.
Eloá estava ajoelhada no chão, ao lado da cama, com várias peças de roupa cuidadosamente dobradas sobre o edredom. Mas, além de livros e cadernos empilhados em uma mala aberta, o que chamava a atenção era a pequena pilha de roupinhas minúsculas, de cores neutras, alguns bodies, macacõezinhos e até um par de sapatinhos de lã.
— Eu vou sentir tanta falta de tudo isso aqui — confessou. — Das conversas na varanda, das bagunças da Elisa.
— É melhor não falarmos mais sobre isso por enquanto… — Saulo disse, já sentindo vontade de chorar. — Ou eu vou acabar chorando e esquecendo que fui eu mesmo quem deixou você ir.
— Não pode voltar atrás na palavra, pai — Eloá respondeu.
— Eu sei… — ele suspirou. — De qualquer forma, eu vou com você até os Estados Unidos. Para te ver se acomodar e garantir que fique tudo perfeito.
— Tudo bem. Vai ser bom ter você comigo nos primeiros dias.
— Toda a papelada que pude adiantar, eu adiantei. Agora só falta resolver as últimas pendências, mas já fiz os pedidos. Está tudo encaminhado.
— O grande dia está chegando… — ela disse com os olhos brilhando, voltando a dobrar algumas roupas com cuidado.
Saulo a observou em silêncio por um instante, depois se aproximou e a abraçou pelos ombros.
— Mas enquanto esse dia não chega, quero aproveitar cada minuto com você, mocinha. Vamos sair bastante, fazer programas em família. Muitos passeios, combinado?
— Claro que sim! — ela respondeu, animada, encostando a cabeça no pai.
— Vai ser bom para matarmos a saudade. Mas agora… — Denise se levantou. — Tenho que ir, preciso resolver uma coisinha.
— O quê? — Eloá perguntou, franzindo a testa ao ver a mãe já saindo do quarto.
— Vou até a casa da Aurora procurar pela Alice. Tenho uma missão para ela — respondeu com um brilho misterioso nos olhos.
— Eu vou com você! — a filha se apressou em dizer, largando as roupas que estava dobrando.
— Tudo bem — Denise respondeu, lançando-lhe um olhar cúmplice.
As duas saíram rapidamente, deixando Saulo e a bagunça no quarto para trás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...