Quando foi para a sala, o coração ainda batia acelerado no peito, encontrou os pais e a irmã já à sua espera. Sentiu todos os olhares se voltarem para ela de uma vez, atentos demais, como se enxergassem algo que ela tentava esconder.
— Bom dia — saudou, tentando sorrir com naturalidade.
Mas ninguém respondeu nada.
— O que foi, gente?
Os três continuaram a encará-la por alguns segundos, como se estivessem decifrando algo.
— Você não conseguiu dormir direito essa noite? — Denise perguntou, se aproximando com o olhar atento.
— Por que está perguntando isso? — Ela retrucou, engolindo em seco.
— Seus olhos, querida… estão vermelhos, fundos. Parecem cansados — disse a mãe, tocando levemente seu rosto.
— Sério? — tentou rir, mas soou forçado.
— Estão mesmo. — Elisa se aproximou, franzindo o cenho enquanto a observava com mais atenção. — E você está… diferente hoje.
Começou a andar ao redor da irmã, como quem procurava pistas. O olhar curioso se misturava a uma pontinha de provocação.
— Elisa, para com isso — pediu, recuando um passo.
Mas a pressão já havia se instalado. O nervosismo começou a subir pelas costas, apertando a garganta.
— O que vocês estão falando? — disse de repente, num tom mais alto do que queria. — Estou igual a sempre.
Todos se entreolharam e o silêncio que se seguiu a fez se sentir ainda mais exposta. Tentou disfarçar, endireitando os ombros, mas ainda continuavam a encará-la.
— Será que podemos ir? Ou vou acabar perdendo o voo.
Mas, por dentro, ela sabia: mesmo que ninguém tivesse provas, algo em seu jeito havia mudado. E, como sempre, a mãe e irmã pareciam enxergar o que ela tanto tentava esconder.
— Não vai tomar café, querida? — a avó perguntou, preocupada.
— Não… não estou com fome.
— Como assim? Vai ser uma viagem longa, precisa colocar algo no estômago — retrucou o avô, franzindo a testa.
Tudo o que ela queria era fugir dali. Dos olhares, das perguntas, do peso invisível que parecia cair sobre seus ombros. Mas nada do que dizia fazia com que recuassem. Era como se todos estivessem vendo o que ela queria desesperadamente esconder.
— Ainda temos tempo para um café — disse Saulo, que até então permanecia em silêncio, já se dirigindo à mesa.
Sem saída, Eloá apenas assentiu com um aceno fraco e o seguiu. Sentou-se e, para não levantar mais suspeitas, pegou um pedaço da torta que a avó havia preparado com tanto carinho. Enquanto mastigava devagar, o sabor parecia distante. Tudo o que sentia era o coração pulsando forte no peito e o suor frio que escorria lentamente pela nuca.
Ao lado, Elisa a observava com olhos atentos. Não dizia nada, mas seu olhar afiado a analisava em silêncio. Os olhos estreitos, os lábios semicerrados. Cada gesto da irmã era vigiado como se fosse uma peça fora do lugar.
Ao seu lado, Elisa a observava em silêncio. Não disse nada, mas não precisava. O jeito como a irmã se encolhia falava por si. Aquilo não era só cansaço, nem nervosismo de viagem. Era culpa.
— Que tal a gente parar lá e entrar de vez? — Saulo propôs, com um sorriso malicioso, enquanto começava a frear o carro. — Ia ser divertido pegar o bonitão no flagra. Quero só ver a cara de pânico dele.
— Amor, você teria coragem de fazer isso? — Denise riu, surpresa com a ousadia do marido.
— Ah, vai ser divertido — ele repetiu, animado, já virando o volante.
Eloá gelou. O sangue pareceu fugir das extremidades e o coração saltou com tanta força que ela achou que fosse desmaiar ali mesmo. Viu o carro reduzir ainda mais e o pai prestes a encostar na frente da casa.
Num impulso desesperado, fechou os punhos, como se precisasse reunir todas as forças que ainda restavam, e gritou:
— Parem com isso agora mesmo!
A voz saiu grossa, nervosa pela pressão. Um tom que ela mesma não reconhecia. O silêncio tomou conta do carro.
— Que diabos vocês estão pretendendo? — continuou, com a respiração acelerada, os olhos brilhando de raiva e desespero. — É tão difícil assim só me colocar naquele maldito avião e me deixar ir embora?
Surpresos, os pais se viraram, sem entender de onde vinha tanta fúria.
Ela sentia o rosto queimando, as mãos tremendo e a garganta apertada. Aquilo foi mais do que um surto, foi um grito de socorro. Um pedido desesperado para que a deixassem partir com a única coisa que ainda podia levar: o segredo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...