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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 232

O veículo mergulhou num silêncio. Apenas o som da respiração descompassada de Eloá preencheu o espaço abafado.

— Filha? — Denise quebrou o silêncio com cautela, um pouco hesitante, seus lábios ainda entreabertos revelavam a surpresa que sentia. — A gente estava só brincando.

Sem conseguir encarar ninguém, Eloá manteve o olhar fixo na estrada.

— Só… parem, por favor — pediu, agora com a voz mais baixa, quase sussurrando. — Eu só quero chegar logo no aeroporto.

Saulo assentiu, encarando o retrovisor com uma expressão mais séria. Na cabeça dele, tudo aquilo era apenas resultado do estresse da viagem e da despedida iminente.

— Tudo bem, querida, já estamos quase chegando — disse, tentando soar tranquilo.

Ele retomou a direção e o carro voltou a seguir em frente.

Nenhum outro som se ouviu além do ronco do motor. O silêncio voltou, agora ainda mais pesado. Enquanto Eloá fechou os olhos por alguns segundos, como se quisesse desaparecer ali mesmo.

No banco de trás, Elisa continuava observando Eloá com atenção, mas agora havia algo mais nos olhos dela. Sabia que os comentários que os pais fizeram poderiam ter deixado a irmã nervosa, mas Eloá estava daquele jeito mesmo antes de entrarem no carro.

“Será que ela viu o Henri com outra garota e por isso ficou desse jeito?”, pensou, convencida de que, naquele momento, aquela era a alternativa mais sensata.

Ela se inclinou levemente para o lado, aproximando a boca do ouvido da irmã.

— Você quer me contar o que está acontecendo… ou prefere que eu adivinhe? — sussurrou.

Tentando fingir indiferença, Eloá nem moveu a cabeça.

— Não tem nada acontecendo.

— Jura? — Elisa continuou, agora apoiando o cotovelo na perna e inclinando o rosto para ela. — Porque você está tremendo desde que a gente saiu da casa do vovô.

— Estou nervosa por causa da viagem, só isso.

— Viagem? — riu, em tom quase inaudível. — Desde quando “viagem” te faz suar frio e olhar para o nada como se tivesse acabado de cometer um crime?

Sem força para responder, ela apenas mordeu o lábio.

— Não vou falar nada, Elisa.

— Tudo bem — ela disse, se encostando de novo, um pouco frustrada por sentir que a irmã estava escondendo algo. — Mas só para deixar claro… eu sempre te provei que sou uma amiga confiável.

O silêncio entre elas voltou, mas o peso dele agora era outro.

Naquele momento, Eloá sentia que havia estragado tudo. Não era assim que imaginava se despedir dos pais e muito menos da irmã. Havia sonhado com abraços, palavras doces e sorrisos genuínos… mas, em vez disso, tudo parecia atravessado por uma culpa que ela não conseguia mais disfarçar.

Quando chegaram ao aeroporto, Denise a abraçou com força, como se, ao apertá-la mais, pudesse segurá-la por mais tempo. Era o tipo de abraço de uma mãe que ainda não aceitava que a filha havia crescido.

— Minha filha… tome muito cuidado, por favor — sussurrou, com a voz de choro. — Não saia com pessoas que não conhece. Preste atenção nas amizades. Não confie em todo mundo.

— Tudo bem, mãe… não se preocupe — ela respondeu, com um sorriso frágil nos lábios.

— Seja lá o que estiver te incomodando… pode me falar, amor.

Tentando manter o controle da própria expressão, Eloá respirou fundo.

— Eu estou bem, pai. Só quero descansar um pouco — respondeu, se ajeitando na poltrona e virando o rosto para a janela, como quem buscava refúgio no silêncio.

— Tudo bem — ele respondeu com um leve aceno, respeitando o espaço dela.

Saulo se ajeitou no assento ao lado e pegou um livro para ler, mergulhando rapidamente nas páginas, como sempre fazia durante voos longos.

Aproveitando o momento de distração do pai, Eloá pegou discretamente o celular. Com os dedos ainda trêmulos, desbloqueou a tela e começou a conferir as notificações acumuladas desde o embarque.

Havia mensagens de Aurora, de Oliver, de Noah, da Alice, dos tios Joaquim e Lúcia. Cada uma cheia de carinho, votos de boa viagem e emojis animados. Ela abriu algumas, sorriu sem força, mas o olhar seguia inquieto, percorrendo a lista em busca de algo que não estava ali.

Nenhuma mensagem de Henri.

E, por mais estranho que parecesse… também não havia nenhuma de Gael.

“Ué”, sussurrou, estranhando.

Então, bloqueou a tela do celular e encostou a cabeça no assento, tentando fingir que nada mais daquilo importava.

Havia alcançado o que tanto sonhou… mas agora o desafio era maior: aprender a esquecer. No entanto, tinha a oportunidade perfeita, pois estava a caminho de um novo país, onde conheceria novas pessoas e viveria novas experiências.

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