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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 233

Enquanto mastigava lentamente à mesa, Oliver não conseguia deixar de reparar no silêncio que pairava no ambiente. O barulho dos talheres batendo nos pratos era a única trilha sonora daquele almoço e isso o incomodava profundamente. Seus olhos alternavam entre os filhos, principalmente os gêmeos, que não haviam trocado uma única palavra desde que chegaram da rua.

— Mas o que diabos está acontecendo? — questionou, com um tom mais ríspido do que gostaria, largando os talheres no prato com tanta força que o barulho metálico ecoou pela sala. Aurora se sobressaltou, tossindo de leve ao engasgar-se com um pedaço de carne.

— Me perdoe, querida — disse Oliver, levando a mão ao braço dela, com expressão aflita. — Eu não queria te assustar.

— Está tudo bem, amor — ela respondeu, esforçando-se para sorrir enquanto bebia um gole de suco. — Só me pegou de surpresa.

Oliver assentiu e voltou o olhar para os filhos, agora mais firme.

— É que os meninos estão tão quietos que estou começando a me preocupar. Essa casa nunca foi um mosteiro, e agora parece que estamos no velório de alguém.

Gael apertou o garfo entre os dedos e desviou o olhar para o prato, como se quisesse desaparecer. Henri manteve os olhos fixos na toalha da mesa, com o maxilar tenso, como se segurasse alguma coisa há horas.

— Em relação a mim, estou quieto porque estou ocupando a minha boca com a comida… O trabalho está sendo muito exaustivo hoje e me deu muita fome — murmurou Noah, comendo como se nada estivesse acontecendo.

— E você, Henri?

— Eu tô de boa.

— Gael?

— Está tudo bem — ele respondeu, mas o som da sua voz denunciava que não estava.

— Não, não está — Oliver rebateu, entrelaçando as mãos sobre a mesa. — Gael? Você mal tocou na comida.

O silêncio dele foi resposta suficiente. Aurora olhou para o filho, inquieta, sentindo que algo mais profundo estava acontecendo ali.

— Gael… — tentou com doçura. — Se tem algo te incomodando, pode nos contar.

Ele ergueu finalmente os olhos, mas não respondeu de imediato. Havia algo que denunciava uma tristeza profunda, daquele tipo que não se explicava com palavras e que, mesmo disfarçada, pesava no olhar.

Aurora trocou um olhar rápido com o marido e, em silêncio, pousou os talheres no prato.

Notando que a mãe iria lhe fazer uma série de perguntas, ele se adiantou:

— Está tudo bem… eu só estou sem fome — murmurou Gael, num tom baixo, quase sem emoção. — Se me derem licença, vou para o meu quarto.

E, sem esperar qualquer resposta, se levantou e saiu, sem pressa, sem olhar para trás. O silêncio que deixou à mesa foi o suficiente para deixar todos desconfortáveis.

Henri, no entanto, voltou a comer como se nada tivesse acontecido. O garfo subia e descia no prato, indiferente, quase mecânico.

— Você não tem nada a dizer? — Aurora perguntou, encarando o filho. Havia algo no comportamento dele que a incomodava profundamente.

— Eu não — respondeu Henri, sem sequer levantar os olhos. — Sou o gêmeo dele, mas não compartilhamos os pensamentos.

A resposta seca e cínica caiu como uma pedra no meio da sala. Aurora respirou fundo, tentando conter a impaciência.

— Filho… — ela insistiu, mais uma vez.

Mas, antes que Henri pudesse retrucar, Alice, que até então só observava em silêncio, decidiu intervir.

— Acho que sei o que está acontecendo com ele.

Todos a olharam ao mesmo tempo.

— O que deu nesses meninos hoje?

— Também não sei — respondeu Noah, dando de ombros.

— Será que o Henri também gosta da Eloá? — indagou Oliver, franzindo o cenho.

Todos o encararam, surpresos com a pergunta. Mas Noah, sem conseguir conter o riso, soltou uma gargalhada.

— Pai… que comentário mais sem noção. O Henri? Gostar de alguém? Ele não liga para ninguém além dele mesmo. Para ele, mulher é só diversão… cama e adeus.

— Noah! — Aurora o repreendeu, com um olhar de desaprovação.

— Ué, falei alguma mentira? — ele rebateu, erguendo as mãos. — Todo mundo aqui sabe disso, mesmo que finja que não.

— Infelizmente, o Noah tem razão — disse Alice, concordando com um suspiro. — Ontem mesmo, ele foi se encontrar com uma garota.

— No meio da semana? — questionou Oliver, ainda mais intrigado.

— Sim — ela confirmou.

— Olha, eu não gosto dessas atitudes, mas só espero que esse rapaz esteja se cuidando muito bem… — Oliver comentou, balançando a cabeça.

— Exato — completou Aurora, preocupada. — Porque, além do risco de pegar uma doença, corre o risco de engravidar alguém. E sinceramente, eu ainda não estou preparada para ser avó… muito menos de surpresa.

— Nem eu. Eu quero ser pai novamente, não avô — Oliver brincou, voltando a comer.

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