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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 234

Enquanto caminhava em direção ao seu quarto, Henri passou em frente ao de Gael. Pensou em seguir reto, fingir que nada estava errado… mas os passos vacilaram. Respirou fundo, como se aquilo fosse lhe custar um esforço absurdo, e então bateu na porta.

— Vai embora! — ouviu a voz abafada do irmão do outro lado.

Ele cerrou os olhos por um segundo, ponderando se devia insistir ou não. No fundo, sabia que talvez devesse deixar para lá. Mas alguma coisa mais forte o empurrou. Girou a maçaneta devagar e empurrou a porta, entrando.

Gael estava sentado diante da escrivaninha, mexendo no computador, com o olhar fixo na tela, embora não parecesse enxergar nada do que estava ali.

— Você está bem, cara? — Henri perguntou, ficando de pé, encostado na porta semiaberta.

— Já disse que sim — Gael respondeu, sem virar o rosto.

— Se quiser conversar, sabe que pode contar comigo.

— Valeu, mas eu não quero conversar, não.

— Tudo bem… — murmurou, dando um passo mais para dentro. Ficou em silêncio por um instante, observando o irmão com atenção. — Você mandou alguma mensagem de boa viagem para Eloá?

Na mesma hora, Gael parou de digitar. Os dedos congelaram sobre o teclado e ele baixou a cabeça. O silêncio entre os dois pareceu pesar o triplo.

— Não — confessou, sem olhar para o irmão.

— Por quê?

— Porque… eu não tive coragem.

Henri assentiu devagar, ainda com os olhos fixos nele.

— Coragem de quê? De dizer: boa viagem?

— Não é isso e você sabe muito bem — rebateu, girando finalmente a cadeira de leve na direção do irmão.

Encostando o ombro no batente da porta, Henri cruzou os braços.

— Bom, se serve de consolo… ela deve voltar quando os irmãos nascerem. Se for esperto, pode consertar as coisas — disse, tentando soar otimista.

— Consertar as coisas? — Gael riu amargurado, balançando a cabeça. — Não acho que isso seja possível. Ela nunca gostou de mim, Henri. E a noite passada só provou isso.

— Gael… — Henri começou, mas foi interrompido.

— Não fala nada, por favor — pediu, engolindo em seco, sentindo a voz falhar por um segundo. — Eu sei que você não tem culpa de nada. Então… fica tranquilo.

Henri se calou. O silêncio entre eles se instalou por alguns segundos até que ele respirou fundo.

— Eu só queria fazer alguma coisa para te ajudar a não ficar assim.

— Você já fez. Me ajudou a enxergar a verdade — disse Gael, encarando um ponto fixo à frente. — Me ajudou a entender que eu nunca vou ter o amor da Eloá. Ainda mais depois do que aconteceu… “Entre vocês” — completou, fazendo aspas com os dedos.

Sem saber o que responder, Henri mordeu o lábio inferior. Não era o momento de discutir o que não podia ser desfeito.

Apenas se aproximou e pousou uma mão firme no ombro do irmão.

“Vai ser maravilhoso te ver essa noite, mal posso esperar para beijar a sua boca.”

Enviou a mensagem com um sorriso de canto, quase automático. Mas antes de travar a tela, seu dedo deslizou pelas conversas até parar em uma: Eloá.

Ou, melhor dizendo… o que restou da conversa com ela.

A foto de perfil sumiu. O “visto por último” também não aparecia mais. Ele apertou o nome, esperando que fosse só um erro da conexão.

Nada.

Saiu do aplicativo e foi até as redes sociais. Digitou o @ dela no campo de busca. Nenhum resultado. Nenhuma foto. Nenhuma postagem. Nenhuma Eloá.

— Ela me bloqueou? — murmurou, ainda tentando se convencer de que não era o que parecia.

Mas era.

Fechou os olhos por um momento, respirou fundo e encarou a tela do celular com um semblante neutro.

— É... ela me bloqueou mesmo — sussurrou, soltando uma risada seca, quase sem humor.

Ficou um tempo parado, com o olhar perdido, como se seu cérebro estivesse vagando sobre os últimos acontecimentos… Depois de um tempo, jogou o celular sobre a cama com certa força e passou as mãos pelo rosto, tentando se recompor.

— É melhor assim — murmurou, como se estivesse convencido disso. — Espero que ela me esqueça logo… pelo próprio bem.

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