A chegada aos Estados Unidos foi silenciosa. Depois de um voo cansativo, Saulo apenas quis encontrar o hotel e permitir que a filha descansasse. Ainda era difícil para ele entender o que se passava com Eloá. Desde que deixaram a casa dos avós, a menina parecia mais introspectiva do que nunca; não que isso fosse incomum antes das viagens longas, mas havia algo diferente agora. Ela sorria pouco, falava menos ainda. No fundo, ele suspeitava que algo havia ficado para trás, mas decidiu não forçar conversas. Cada um tinha seu tempo, pensou.
No dia seguinte, após o café da manhã no saguão do hotel, seguiram para a universidade. O campus era amplo, moderno, com prédios envidraçados que refletiam o céu azul de outono. De mochila nos ombros e olhos um pouco cansados, Eloá observava tudo ao redor com um misto de receio e encantamento.
Desceram do táxi, sendo recebidos por uma mulher simpática, de sorriso largo e cabelos presos em um coque despojado. Vestia jeans, tênis e um crachá pendurado no pescoço.
— Mr. Taylor? — perguntou, com a expressão curiosa. — Sou a Brooke, tutora da Eloá. Seja muito bem-vindo.
Ela estendeu a mão para Saulo e, em seguida, sorriu para Eloá.
Brooke era mais do que uma simples tutora. Era uma das responsáveis pelo acolhimento e suporte dos alunos internacionais no campus. Durante o primeiro ano, ajudaria Eloá com toda a burocracia universitária, as adaptações e qualquer eventual necessidade. Além disso, estava encarregada de acompanhar sua evolução acadêmica de perto, garantindo que ela tivesse uma boa base enquanto não estivesse totalmente ambientada.
— Eu vou ser sua primeira amiga aqui — disse, piscando para Eloá, que esboçou um sorriso tímido.
Brooke caminhou com os dois pelas instalações, mostrando salas, auditórios e a biblioteca. No fim do tour, entregou uma pasta organizada com documentos, mapas do campus e orientações iniciais.
— Quando completar um ano de permanência no campus, vocês poderão solicitar a mudança para o apartamento que já foi reservado — explicou, olhando para Saulo. — Está tudo certo com o contrato, já verifiquei pessoalmente. Fica a quatro quarteirões daqui, em uma área tranquila, próxima a mercados e transporte público.
— Fico mais tranquilo assim — Saulo respondeu, sinceramente agradecido.
Ao ver que a filha já estava bem acomodada, Saulo se emocionou. Abraçou Eloá com força e lhe deu um beijo na testa.
— Se cuida, minha menina. Qualquer coisa, eu estou a um avião de distância.
Engolindo o choro que insistia em subir, Eloá assentiu.
— Que o senhor faça uma boa viagem de volta.
Quando o pai partiu, ela ficou por alguns minutos sozinha na frente do prédio, olhando para o alto, sentindo o vento gelado nos cabelos. Pela primeira vez em muito tempo, estava completamente sozinha.
Como as aulas só começariam em duas semanas, Eloá passaria os primeiros dias participando de atividades introdutórias, orientações administrativas e conhecendo os arredores do campus. Havia toda uma estrutura preparada para acolher os calouros, mas, por mais que tudo parecesse impressionante, ela não conseguia se sentir feliz.
Por dentro, um aperto insistente a lembrava de tudo o que havia deixado para trás. O que mais queria naquele momento era sentir o calor do sol do Brasil, ver os raios dourados do pôr do sol tingindo de laranja o lago ao lado de sua casa. Queria deitar na velha rede da varanda, ouvindo os grilos e olhando para o céu estrelado, sem prédios altos para bloquear a vista nem luzes artificiais ofuscando as estrelas.
— Não adianta lamentar agora — murmurou para si mesma, enquanto subia os degraus do dormitório.
Nem se quisesse, poderia voltar. Agora estava ali, em outro país, tentando deixar para trás tudo o que queria esquecer e o que ainda a fazia doer.
Mas será que conseguiria?
Assim que girou a maçaneta e empurrou a porta do quarto, deparou-se com uma garota de cabelos ruivos presos em um coque bagunçado, magra, alta e com um sorriso vibrante no rosto. Seus olhos verdes pareciam brilhar de entusiasmo.
— Oh, olá! — disse a garota, deixando de lado uma bolsa que estava desfazendo. — Você deve ser a minha colega de quarto. Eu sou a Tess.
— Oi… Eu sou a Eloá — respondeu, esboçando um leve sorriso.
— Economia.
— Que legal! — disse Tess, sorrindo.
Eloá assentiu com um sorriso discreto, e por um instante, permitiu-se acreditar que, talvez, aquele recomeço não fosse tão solitário quanto imaginava.
Mas havia feridas que nem o tempo, nem a mudança de país curavam de imediato.
— Para mim, o mais difícil de tudo para vir para cá… além de deixar minha família — Tess confidenciou, sentando na beirada da cama — foi deixar o meu namorado. Não consigo imaginar vê-lo só nas férias.
— Deve ser complicado… — Eloá comentou, sincera, embora sua mente estivesse a quilômetros dali.
— E você? Além da família, deixou alguém especial?
Eloá abriu a boca para responder, mas foi interrompida por uma notificação no celular. A tela se acendeu com um nome: Gael.
Ela travou. Por um segundo, cogitou se Gael não estaria apenas escrevendo algo a pedido do irmão.
“O que será que ele quer agora?”
Hesitante, não sabia se abria a mensagem naquele momento ou não.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...