— Boa noite — ela respondeu, esforçando-se para não pensar demais na situação em que estava.
Em seguida, um silêncio denso tomou conta do quarto, como se cada som tivesse sido sugado para dentro de si. Tudo o que ela conseguia ouvir era o próprio coração, batendo alto e descompassado, como se quisesse denunciar a confusão que sentia por dentro.
— Já dormiu? — A voz grave de Gael rompeu o silêncio, ecoando pelo quarto.
— Ainda não — ela respondeu, virando levemente o rosto em sua direção.
Mesmo com o breu envolvendo o ambiente, Eloá sentiu a aproximação dele, como se o calor do corpo dele preenchesse o espaço entre eles.
— Obrigado por tirar esse tempo para mim. Estou muito feliz por isso.
— Eu que agradeço por aparecer aqui. Meus dias têm sido extremamente solitários.
— Sabe no que eu estou pensando? — ele perguntou, com um tom de voz quase cúmplice.
— No quê? — murmurou, tentando manter a naturalidade.
— Se o seu pai nos visse aqui agora, ele com certeza pensaria tudo errado… e me mataria.
Ela soltou uma risada abafada, imaginando a cena.
— Sim, ele nem perguntaria nada. Só de nos ver na cama, te daria duas opções de castigo: ou você seria jogado pela janela, ou teria que se casar comigo — brincou, rindo baixinho.
— Casar com você não seria um castigo… seria uma recompensa — ele disparou, com a voz baixa.
O riso dela pereceu no mesmo instante. Por um momento, tudo ficou suspenso. Eloá sentiu o coração dar um salto no peito.
— Gael… — ela sussurrou, sem saber exatamente como responder.
— Desculpa, foi… espontâneo — ele disse, suspirando. — É que às vezes, eu falo o que sinto sem pensar muito no impacto.
— Como assim, o que sente? — perguntou, ainda processando as palavras.
Houve um silêncio por um tempo, até que ele voltou a falar novamente.
— Se eu pudesse escolher alguém para dividir uma cama, uma casa… uma vida inteira… não me importaria se fosse você.
O silêncio voltou, mas agora havia algo denso entre os dois. Eloá sentiu os olhos se umedecerem, não por tristeza, mas por um turbilhão de emoções que não sabia como administrar.
— Você não sabe o que está dizendo. Não faz ideia do quão complicada me tornei — ela murmurou, com a voz embargada.
— Eu não me importo com nada disso — rebateu. — Nada mesmo.
Ela respirou fundo, sentindo a garganta apertar.
— Gael, tem tanta coisa acontecendo dentro de mim… coisas que você nem imagina.
— Então me deixa descobrir, Eloá. Me deixa estar aqui, mesmo que considere que não merece, mesmo que pressuponha que é complicado demais. Eu aguento — disse, com uma honestidade que atravessou o escuro e tocou direto o coração dela.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, lutando contra a vontade de se abrir, de dizer tudo, sobre a gravidez, sobre os sentimentos confusos que sentia pelo irmão dele. Mas não conseguia. As palavras ainda não estavam prontas.
— Eu não vim aqui te cobrar amor. Eu só vim… porque não consigo mais fingir que não me importo com você. A falta que você faz só me mostrou que eu deveria ter sido sincero antes. Que devia, pelo menos, ter sido homem o suficiente para dizer o que sinto.
— Gael… — ela murmurou, sem saber como continuar. O nome dele pareceu preso entre o que ela queria dizer e o que não podia.
— Você não precisa me dizer nada — ele respondeu, e no escuro procurou pela mão dela. — Você não tem obrigação nenhuma de corresponder aos meus sentimentos, mas… só me promete uma coisa: pense um pouco em mim, de vez em quando.
Assim que tocou sua mão, acariciou-a com um gesto calmo e gentil. Era um toque simples, mas que despertou nela algo familiar, íntimo, quase perigoso. Eloá sentiu o coração acelerar, não sabia se pelo gesto ou pela confusão que tudo aquilo estava causando em sua mente.
— Você não deveria me dizer isso… ainda mais nesse momento — ela sussurrou, sentindo a garganta apertar.
— Eu não acho que existiria momento mais apropriado que esse — disse ele, com um riso nervoso. — Quando mais a gente tenta esperar o momento certo, mais a vida passa sem a gente viver nada.
Ela se virou para o lado, encarando o teto mesmo sem o enxergar.
— Gael, você não deveria sentir algo por mim — murmurou com a voz trêmula.
— Sei que não deveria — ele respondeu com uma honestidade que doeu. — Ainda mais sabendo… que o seu amor sempre esteve voltado ao meu irmão.
As palavras pairaram no ar como um soco silencioso. No escuro, os olhos dela se arregalaram.
Como ele sabia? Desde quando sabia?
Um nó se formou em sua garganta e, por um segundo, ela desejou desaparecer naquela escuridão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...