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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 245

— Mas… — ele continuou —, você sabe tão bem quanto eu que a gente não escolhe por quem o coração b**e. Ninguém controla o que sente, por mais que tente sufocar. Eu juro que tentei. Deus sabe quantas vezes. Mas você continuava ali, mesmo em silêncio, mesmo longe.

Ela não conseguia falar. Só o ouvia, como se cada frase fosse arrancada de dentro dele.

— Eu não estou aqui para competir, nem para te pedir nada que você não possa dar. Mas… se você veio para cá para tentar se afastar dele, se decidiu seguir em frente porque sabe que o que sente por Henri nunca será correspondido… então, por favor, só te peço uma coisa: que você não me descarte sem ao menos olhar para mim com carinho.

Houve um silêncio profundo. O tipo de silêncio que gritava.

— Eu sei que posso não ser o dono do seu passado, mas… quem sabe, Eloá, se você me deixar, eu posso ser parte do seu futuro.

Sabendo que ela não diria nada, Gael foi tomado por uma coragem que há muito tempo guardava para aquele momento. Seus sentimentos, contidos por tanto tempo, pediam por uma brecha, por uma chance de existir. Aproveitando que ela ainda não havia retirado a mão da sua, ele se inclinou devagar e a beijou.

Beijou com uma delicadeza intensa, como se aquele gesto pudesse curar cada pedaço ferido dentro dele e silenciar a culpa, os medos e os receios que o atormentavam.

Eloá não se moveu. Seu coração batia tão alto que parecia ecoar por todo o quarto. Os lábios dele sobre os seus causavam uma confusão tão grande quanto o alívio que traziam. Mas ela não se afastou.

Não sabia o que pensar. Não sabia o que fazer. Mas, naquele instante, enquanto o mundo lá fora parecia inexistente, ela fechou os olhos e se permitiu apenas sentir.

O que aquilo significava? Ela ainda não sabia. Mas o calor daquela entrega fez com que todos os seus conflitos se dissolvessem, ainda que por alguns minutos.

O beijo de Gael era suave, tranquilo… e simultaneamente provocativo. Como se seus lábios conhecessem o caminho que deveria traçar. Ele não tinha pressa. Beijava como se tivesse a vida inteira para aquilo.

Eloá levou um tempo até se dar conta de que havia retribuído. De que suas mãos agora estavam no rosto dele, e que seu corpo havia relaxado ali.

Notando que ela não o afastava, Gael se permitiu aprofundar o toque. Sua mão, firme e carinhosa, deslizou da cintura até alcançar a barra da camisa larga que ela vestia. Com delicadeza, ele ultrapassou o tecido, subindo lentamente por sua pele até alcançar seus seios.

Eloá prendeu a respiração. O toque dele era quente, respeitoso, mas havia uma firmeza ali de alguém que a desejava muito. Um arrepio percorreu seu corpo inteiro, despertando um desejo que ela jamais havia sentido antes.

— Se for demais… — ele murmurou contra seus lábios — … É só dizer.

Mas ela não disse. E, em vez de recuar, ergueu os braços, permitindo que ele a livrasse não apenas da camisa, mas de toda a roupa que usava.

Fizeram amor como se o tempo não existisse. Sem pressa, sem palavras. Apenas pele, calor e emoção. Quando o clímax chegou, foi silencioso e arrebatador, fazendo o corpo dela estremecer nos braços dele.

Deitados lado a lado, em silêncio, apenas sentiam o calor do corpo um do outro.

De olhos fechados, com o coração descompassado e os sentimentos embaralhados, Eloá começou:

— Gael… Eu não sei o que está acontecendo comigo.

Ele sorriu de leve, apertando-a mais um pouco contra o peito.

— Não precisa descobrir agora — ele sussurrou. — Só quero que, lentamente, perceba que você pode, sim, ser amada de verdade.

As palavras tocaram fundo, despertando nela um nó silencioso na garganta, mas ela não respondeu nada. Sem saber o que dizer, apenas se aconchegou no peito dele, deixando a cabeça repousar sobre o calor de seu corpo.

Fechou os olhos e tentou adormecer, mesmo sabendo, no íntimo, que ao amanhecer precisaria desfazer cada uma das esperanças que ele, com tanto carinho, ousou alimentar naquela noite.

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