Quando acordou pela manhã e sentiu braços fortes envolvendo seu corpo, Eloá virou o rosto devagar e encontrou Gael ainda adormecido, com a expressão serena e os traços relaxados. Ele parecia em paz, como se aquele lugar — e aquele momento — fosse tudo o que precisava.
Mas… e ela?
O coração apertou.
Uma confusão tomou conta de seus pensamentos, fazendo sua cabeça doer. Lentamente, tentou se mover para sair dali, mas os braços dele se ajustaram em volta de sua cintura, como se, mesmo dormindo, recusassem deixá-la ir.
— E agora? — sussurrou para si, com o coração disparado.
Ficou imóvel. Não queria acordá-lo. Não sabia o que dizer, nem como reagir. Também não queria continuar ali, deitada em seus braços, como se tudo estivesse resolvido.
Oh, céus… o que eu fiz?
Fechou os olhos por um instante e sentiu um peso na alma. Repassou a noite em silêncio, os toques, as palavras, o beijo. E se perguntou o porquê de ter se deixado levar. Por impulso? Carência? Ou… por algo mais?
Virou o rosto outra vez e, ao olhar para Gael, seu peito se apertou ainda mais. Ele era lindo. E, adormecido daquela forma, era impossível não lembrar de Henri. Eles eram idênticos. Os mesmos olhos, os mesmos traços, a mesma boca… a mesma voz.
Por que estou pensando nele? — Seu subconsciente a repreendeu.
Era Gael quem estava ali. Foi ele quem se declarou. Quem a buscou. Quem se entregou com todo o coração.
Henri… nunca lhe deu sequer uma chance.
“Gael te ama”, sussurrou uma voz dentro dela.
Mas… por que, então, não era suficiente?
Um nó apertou sua garganta. O olhar perdido no teto, as lágrimas ameaçando vir. Não queria machucar Gael. Ele não merecia. Mas também não podia prometer a ele o que seu coração não era capaz de entregar.
Mais uma vez, ela tentou se levantar, mas os braços dele a seguraram com mais firmeza. Quando o encarou, encontrou seus olhos abertos, fitando-a com tamanha intensidade que parecia despir sua alma.
— Bom dia — disse ele, com a voz rouca da manhã.
— Bom dia — ela respondeu baixo, desviando o olhar.
Não precisou muito para que Gael percebesse. O brilho nos olhos dela não era de contentamento, tampouco de leveza. Era um reflexo nítido da confusão que habitava seu peito e, talvez, de um arrependimento.
Sem dizer nada, ele afrouxou o abraço, permitindo que ela se levantasse. Eloá se afastou depressa, recolhendo as roupas do chão com gestos apressados e evitando qualquer contato visual. Poucos segundos depois, se trancou no banheiro.
Gael permaneceu deitado por um instante, com o olhar perdido no nada. Logo se sentou na beirada da cama, vestiu a roupa em silêncio e esperou.
Quando Eloá finalmente saiu do banheiro, já vestida e com os cabelos um pouco úmidos, o silêncio entre eles ganhou um peso novo. Ela o encarou por um breve segundo, mas não encontrou forças para dizer o que precisava. As palavras lhe faltavam e ele sabia.
— Eu não vou te pressionar, Eloá — ele disse. — Sei que você está assustada… talvez até arrependida. Mas eu não me arrependo de ter estado com você.
Ela engoliu em seco. Parte dela queria pedir desculpas, outra queria correr. E uma terceira, a mais silenciosa de todas, queria ficar, mas ainda não sabia como.
— Eu só… — tentou falar, mas a voz falhou. — Não sei o que pensar.
— Você tem razão. Há males que vêm para o bem, não é? — disse Gael.
Ela mordeu o lábio, pensativa, e respondeu:
— Sim, há males que vêm para o bem.
O restante do café foi feito em silêncio.
Ela sabia exatamente o que ele estava fazendo, não estava fingindo que nada aconteceu, mas também não estava pressionando. Estava ali, presente, leve, deixando que ela respirasse. Isso mexeu com ela.
— Obrigada — disse ela baixinho, pegando a xícara.
— Pelo café?
— Por me entender. Por me dar espaço. E... por não me olhar diferente.
— Eu nunca te olharia diferente, Eloá. Você ainda é a mesma pessoa que conheci desde criança.
Ela sorriu, dessa vez com mais verdade. Sentiu algo aquecer dentro de si, uma sensação estranha, mas acolhedora. Talvez, mesmo em meio à confusão, algo novo estivesse começando a nascer ali.
E, por mais que ainda tivesse muitas perguntas sem respostas, ela soube naquele instante que havia encontrado em Gael algo raro.
Alguém que não queria possuí-la. Apenas estar ao seu lado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...