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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 247

Depois que terminaram o café, Gael insistiu em acompanhá-la até a frente do dormitório. O caminho foi curto, mas silencioso, como se ambos estivessem presos nas próprias dúvidas. Quando pararam em frente à entrada, ele a puxou para um abraço demorado, apertado, como se quisesse gravar aquele instante na memória.

Antes de soltá-la, inclinou-se até seu ouvido e sussurrou:

— Tente pensar em mim com carinho… só isso já me basta.

Ela apenas assentiu, com o coração apertado, e se afastou sem olhar para trás. Seus passos pareciam pesar mais do que conseguia carregar.

Ao entrar no quarto, encontrou Tess ainda dormindo. Em silêncio, pegou uma muda de roupa e foi direto para o banheiro. Assim que girou a tranca, suas pernas fraquejaram, mas ela se manteve firme. Ligou o chuveiro e deixou que a água quente caísse sobre seu corpo, tentando lavar o que havia dentro dela; não a pele, mas a confusão, a culpa, o arrependimento.

Fechou os olhos e tudo voltou como um filme, então sentiu o peito apertar.

— Meu Deus… o que eu fiz?

Uma lágrima se misturou à água do chuveiro, e depois outra. Até que não conseguiu mais conter: o pranto veio pesado, silencioso, doído.

— Quem estou me tornando? — sussurrou, com os ombros trêmulos. — Ficar com um… e depois com outro? Como se meu corpo fosse descartável?

O rosto de Henri veio à mente. Depois, o de Gael. O carinho, a entrega, a confusão. Pensou nos pais. Na irmã. O que diriam? O que pensariam se soubessem? Sentiu vergonha. Sentiu medo. Sentiu-se suja… por dentro.

Encostou a testa na parede fria e sussurrou:

— Que droga… não era assim que eu queria que as coisas acontecessem. Não assim.

[…]

A semana de estudos começou em ritmo acelerado, mas manter o foco nunca foi tão difícil para Eloá. A cada aula, sua mente escapava pelas frestas do presente e mergulhava em lembranças que insistiam em voltar.

“Tente pensar em mim com carinho… só isso já me basta.”

A voz de Gael ecoava em seus pensamentos como um sussurro persistente, acompanhada da memória daquela noite que, mesmo não planejada, tornou-se impossível de esquecer.

Sem perceber, aquele momento havia se transformado em um refúgio silencioso. Bastava fechar os olhos para sentir, mais uma vez, a segurança dos braços dele, o carinho nos gestos, a delicadeza nas palavras. E, por mais que tentasse fugir daquilo, havia algo em seu coração que começava a mudar, algo que se recusava a ser ignorado.

O problema era que, no fundo, ela sabia que aquele sentimento não deveria existir… foi apenas uma carência mal resolvida camuflada em lembranças doces.

— Eloá?

Brook surgiu na porta da sala no exato momento em que a aula terminou.

— Oi, Brook — respondeu, ajeitando os livros na mochila.

— Já está pronta?

— Pronta? — franziu a testa, confusa. — Para quê?

— Ué… para consulta médica. Esqueceu-se de que hoje é o dia do seu pré-natal?

Sua mente estava tão perturbada que parecia ter se esquecido de tudo ao redor.

— Ah… claro que não me esqueci — respondeu, forçando um sorriso. — Só vou trocar de roupa e já volto.

— Te espero no estacionamento — disse Brook, com o olhar atento.

Eloá correu até o dormitório, guardou os livros apressadamente, trocou de roupa e seguiu rumo ao encontro da tutora. Quando entrou no veículo, tentou parecer tranquila, mas o silêncio de Brook logo se quebrou.

— E aí… já pensou em contar aos seus pais sobre a gravidez?

Brook arqueou uma sobrancelha, sem esconder a provocação no olhar.

— Um amigo… que ficou a noite inteira com você?

— Ele não tinha onde dormir e... eu não ia deixá-lo desamparado — tentou explicar, desviando os olhos para a janela.

— Olha, eu não quero parecer chata nem nada, mas se você quer que eu confie em você, precisa confiar em mim também.

Mesmo que Brook não tivesse sido direta, Eloá sabia muito bem o que ela queria dizer.

— Aquele não é o pai do meu filho — explicou.

— Não? — indagou, surpresa.

Tentando decifrar se ela estava dizendo a verdade, Brook a encarou e, pela expressão, percebeu que sim. Ainda assim, algo parecia estar oculto naquela resposta.

— Então me responde mais uma coisa — insistiu. — O pai do seu filho sabe que você está grávida?

— Não. Ele não sabe… e, se depender de mim, nunca saberá.

— Por que não? — Brook ergueu as sobrancelhas, indignada. — A responsabilidade também é dele.

— Na verdade, não é. — Eloá suspirou, olhando para as mãos como se buscasse nelas uma justificativa. — Fui eu quem pediu para ele ficar comigo. Ele se protegeu, fez tudo certo… mas algo deu errado. Eu tive certeza do que aconteceu quando a minha menstruação não veio no mês seguinte.

Brook se recostou no banco, respirando fundo.

— Mas aconteceu, Eloá… e você precisa lidar com isso de forma honesta e madura. — Ela fez uma pausa e continuou com um olhar penetrante. — Me diga, se ele descobrir… você está pronta para as consequências?

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