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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 248

Eloá ficou em silêncio. Por dentro, muitas memórias da noite com Henri a invadiam, o rosto dele, o toque, e a promessa de que ninguém nunca saberia de nada.

— Ninguém vai descobrir, Brook. Nem ele, nem minha família.

Brook a fitou, séria.

— Segredos assim têm o péssimo hábito de aparecer… quando a gente menos espera.

— Mas esse farei questão de guardar a sete chaves.

— Mas o pai tem direito de saber sobre o filho — Brook argumentou.

Eloá então a encarou com seriedade. Havia dor em seu olhar, mas também certeza.

— Você pediu sinceridade, não foi? Então vou ser sincera. O pai desse bebê, ele nunca gostou de mim. Nunca me viu como alguém com quem pudesse ter algo de verdade. Mesmo assim, eu… gostava muito dele. E quando soube que viria para cá, pedi apenas uma coisa: que ele ficasse comigo uma vez na vida. Só uma.

Brook manteve o olhar fixo, ouvindo sem interromper.

— Ele hesitou, claro. Mas eu insisti. Implorei, para ser honesta. E ele aceitou, com uma condição: que ninguém jamais soubesse. Nem amigos, nem família. Foi como um segredo sujo — ela engoliu seco — mas era tudo o que eu tinha.

— Eloá… — Brook sussurrou, emocionada.

— É por isso que ele não pode saber, Brook. Se souber da gravidez, vai pensar que planejei tudo, que o enganei, que usei a única noite que me deu para prendê-lo com um filho. E eu juro por tudo que não foi isso.

— Mas vocês se protegeram realmente?

— Sim. Ele usou preservativo. Eu só não sei o que deu errado. Pode ter sido um erro, uma falha, eu não sei. Só sei que aconteceu.

Brook suspirou, preocupada.

— Eu não quero me meter na sua vida… mas você precisa contar aos seus pais. Se o seu pai descobrir sozinho e souber que acobertei tudo, posso me complicar.

— Não se preocupe com isso. Se ele descobrir, eu assumo a culpa. Direi que escondi até de você.

Brook ainda tentou argumentar, mas Eloá foi rápida:

— Eu só preciso de uma coisa agora. Que me ajude a me mudar para o apartamento antes do bebê nascer. Só isso.

Brook hesitou por um instante, mas acabou cedendo.

— Tudo bem. Eu vou fazer isso por você. Mesmo sendo difícil…

— Eu sei que é. Mas tenho certeza de que você vai conseguir.

O veículo então ficou em silêncio até chegarem ao hospital, onde Eloá havia marcado a consulta. Depois de alguns minutos na recepção, foi chamada para a sala do obstetra.

A voz do médico era calma e segura. Ele ligou o aparelho de ultrassom e passou o gel frio sobre o ventre da jovem.

— Você vai ser uma mãe incrível, Eloá. Mesmo que ainda não saiba disso.

Quando saiu do hospital, Eloá decidiu não voltar com Brook para a universidade. Não tinha mais aulas naquele dia, e sua mente estava agitada demais para ficar presa entre paredes. Caminhou pelas ruas de New Haven sem rumo, apenas querendo respirar, pensar, entender o furacão que havia se tornado sua vida.

A única certeza que tinha era que teria uma filha. Uma menina. Só isso já bastava para mexer com todas as suas estruturas. O problema era tudo o que vinha junto com essa verdade: o medo, as dúvidas, o segredo que carregava sozinha no peito. Como esconder uma criança para sempre? Ela sabia que seria impossível. Mais cedo ou mais tarde, tudo viria à tona.

No meio daquele devaneio, se deu conta de que havia parado diante de uma loja de artigos infantis. O vitral colorido, as roupinhas pequenas penduradas e um par de sapatinhos cor-de-rosa chamaram sua atenção de um jeito quase magnético.

Sem pensar, entrou.

O cheiro leve de talco e o som de uma canção de ninar preencheram seus sentidos. Caminhou devagar entre os corredores estreitos, com os olhos atentos a cada detalhe. Fraldas, cobertores, naninhas, babadores… e ali, bem no centro, um macacão branco com pequenos detalhes de renda e lacinhos rosa-claro.

Ela não resistiu. Pegou o macacão nas mãos, passando os dedos pelos tecidos macios. Um nó se formou em sua garganta. Aquilo era real. Tão real quanto o coração que batia dentro dela.

Pagou sem pensar no preço. Saiu da loja com a sacolinha apertada contra o peito, como se estivesse protegendo o mundo inteiro dentro dela.

E pela primeira vez desde que descobriu a gravidez, sorriu. Não porque tudo estava resolvido, mas porque, ali, no meio do caos, havia amor.

— Oi, pequena — murmurou, passando a mão sobre a barriga. — Eu não faço ideia do que vai ser de nós, mas eu prometo que vou te amar com tudo o que tenho.

Ela continuou andando pelas ruas, sem destino, mas com um novo sentimento florescendo dentro do peito: esperança.

O que ela não sabia era que, do outro lado da rua, um par de olhos a reconheceu e congelou ao vê-la ali, com uma sacola de artigos infantis em uma mão e a outra acariciando suavemente a barriga.

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