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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 249

Na casa de Aurora, o som de martelos, risos e passos apressados preenchia o ambiente. Trabalhadores iam e vinham pelos corredores, montando o novo quarto cor-de-rosa com todo o carinho que a ocasião merecia.

— Ainda não consigo acreditar no que nos aconteceu — ela disse, com os olhos marejados, enquanto observava o berço sendo montado.

— Mas está acontecendo — Alice respondeu, abraçando-a carinhosamente. — E é lindo demais.

— Tem épocas da vida em que as coisas boas parecem acontecer todas de uma vez — Aurora comentou, sorrindo.

— Do mesmo jeito que já houve épocas em que só vinham desgraças — Alice completou, com um tom melancólico.

Aurora desviou o olhar por um momento. Mesmo sendo bem pequena quando os horrores aconteceram, Alice sabia dos traumas que a irmã mais velha havia enfrentado. Sabia o suficiente para admirar sua força e entender seus silêncios.

— Não vamos pensar nisso agora, tudo bem? — Aurora pediu, com um sorriso leve, tentando afastar as sombras do passado.

— É difícil não pensar… — Alice murmurou. — O Caio quer marcar o casamento para o mês que vem, e... eu estive pensando na mãe.

Ficando com o semblante mais sério, Aurora a olhou com atenção.

— Sei que ela não foi uma boa mãe para você — Alice continuou — mas comigo… Confesso que… queria que ela me visse vestida de noiva. Nem que fosse como uma convidada qualquer.

Aurora a puxou para um abraço apertado, como se quisesse protegê-la até mesmo daquela dor.

— Houve um tempo em que a mamãe foi, para mim, a melhor mulher do mundo… e eu sinto falta dessa versão dela todos os dias — revelou. — Se quiser, posso pedir ao Oliver para investigar o paradeiro dela — disse com firmeza. — A gente pode tentar encontrá-la.

— Você faria isso mesmo? — os olhos de Alice brilharam, cheios de esperanças.

— Claro que faria. Eu faria qualquer coisa por você.

— Obrigada, Rora… — Alice murmurou, emocionada. — Você sempre foi tudo para mim. A melhor irmã que eu poderia ter. Sei que tentou preencher cada espaço vazio, e mesmo que nem todos tenham sido preenchidos… eu nunca me senti sozinha.

Aurora sorriu com os olhos marejados, acariciando os cabelos da irmã.

— E você nunca vai estar, Alice. Nunca.

Nesse momento, Oliver entrou na porta com uma expressão curiosa.

— Interrompo algo importante? — perguntou com um meio sorriso.

— Não, amor — Aurora disse, limpando os olhos discretamente. — Só falávamos sobre o passado… e sobre o futuro também.

— Vocês duas devem estar à flor da pele, não é mesmo? Uma grávida e a outra prestes a se casar… Meu Deus, quantos chocolates terei que comprar para acalmar os hormônios de vocês? — brincou, abraçando as duas com carinho.

— Não precisamos de chocolates — Aurora respondeu com um leve sorriso. — Mas precisamos de você.

Ele arqueou a sobrancelha, intrigado.

— O que vocês estão aprontando?

— Amor… eu queria te pedir uma coisa muito importante. Mas não é para mim — ela olhou para Alice. — É para ela.

— Pode falar — disse ele, ficando mais sério.

— Será que teria como você descobrir o paradeiro da nossa mãe?

O sorriso de Oliver desapareceu de imediato. Seu semblante mudou, e os olhos se tornaram duros.

— Para quê vocês querem saber daquela mulher? — A voz dele saiu seca.

— A Alice queria convidá-la para o casamento… não como mãe, mas como uma convidada qualquer. Ela só queria que ela a visse vestida de noiva.

Oliver bufou, dando um passo para trás e passando a mão pelos cabelos.

— Isso não é uma boa ideia, Aurora. Aquela mulher não merece estar em nenhum momento feliz da vida de vocês. Ela não foi uma mãe. Foi uma covarde. Largou vocês na primeira chance, como se não fossem nada.

— Vou considerar, se você me trouxer nota fiscal.

— Aí já complica — Henri riu de volta.

— Tem notícias do Gael? — Oliver perguntou, cruzando os braços.

— Ainda não. Por quê?

— Ele disse que voltaria domingo. E já faz mais de uma semana que ele está lá.

Henri coçou a nuca e deu de ombros.

— Talvez ele esteja se divertindo com as garotas dos EUA.

— Se fosse você, até cogitaria essa ideia — provocou com um sorriso. — Mas estamos falando do Gael, não é? Ele não é o garanhão da família.

Henri riu alto.

— Pai…

— Não pense que não sei da sua fama por aí, está me ouvindo? — falou sério, mas com um brilho divertido nos olhos. — Você é do tipo que come quieto.

— Eu só estou aproveitando minha vida de solteiro, não estou fazendo mal a ninguém.

— Não disse que está — respondeu o pai, batendo de leve no ombro dele. — Só quero que seja esperto, Henri. Tem muita mulher interesseira nesse mundo, que faria de tudo para se dar bem com um rapaz bonito, inteligente e herdeiro como você.

— Pode ficar tranquilo, pai. Eu não pretendo cair na armadilha de nenhuma delas.

— O problema, meu filho — disse, olhando fixamente nos olhos dele — é que quando o coração escolhe… a razão deixa de ter voto. É com isso que você deve se preocupar.

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