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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 250

À noite, Oliver decidiu visitar seu amigo em casa. Os dois se sentaram na varanda, sentindo a brisa fria da noite.

— Como estão as coisas por aqui? — perguntou ele, olhando para o quintal escuro.

— Bem — respondeu Saulo. — A morena anda mais cansada, então estamos poupando ela. A ideia é segurar os meninos pelo menos até as 37 semanas.

— Entendo. Se precisar de qualquer coisa, sabe que pode contar comigo, né?

— Sei sim. Se tem alguém em quem eu confio de olhos fechados, é você.

— Somos amigos há quanto tempo mesmo? — Oliver perguntou, pensativo. — Uns 35 anos?

— Possivelmente mais um pouco, viu? — Saulo riu, mas logo franziu a testa ao notar a expressão séria do amigo. — O que está pegando? Você está tenso.

— A Aurora me pediu um favor — revelou Oliver.

— O que foi dessa vez? — perguntou já preocupado.

— Na verdade, não é para ela. É para a Alice. Ela quer encontrar a mãe… e convidá-la para o casamento.

— Não acredito nisso — murmurou Saulo, arrastando as palavras. — Sério mesmo que a Alice quer contato com uma mulher que praticamente a vendeu?

— Quase soltei isso hoje, mas me segurei. Sei que ela ficaria arrasada.

— E com razão. Tem coisa que é melhor deixar enterrada… Mas na sua família sempre tem alguém com síndrome de coveiro, querendo desenterrar tudo.

— Você tem razão. Primeiro foi o Noah, atrás da família da Liana. Agora é a Alice querendo rever aquela mulher.

— Tenta convencê-la a desistir disso, Oliver.

— Ah! Convencer uma daquelas duas lá de casa? Missão quase impossível.

— Então, você vai mesmo atrás daquela mulher?

— Pensei nisso. Mas antes… queria saber se você pode me ajudar. Quero descobrir o paradeiro dela… e saber quem ela se tornou.

— Tudo bem. Posso solicitar para o pessoal do escritório investigar isso. Vamos descobrir onde ela está — disse Saulo, firme. — E o tipo de pessoa que ela virou.

— Mais uma vez, eu te agradeço por tudo o que já fez por mim, Saulo — disse Oliver, com sinceridade nos olhos.

— Que isso, cara… — Saulo sorriu, batendo de leve no ombro dele. — Amigo que é amigo não precisa agradecer. E depois de tantos anos, a gente já passou desse estágio. Somos mais que amigos. Somos família.

— É verdade… — Oliver assentiu, visivelmente tocado. — Você é o irmão que a vida me deu.

[…]

Na manhã seguinte, Saulo se levantou bem cedo. Ainda de pijama, enviou um relatório à equipe jurídica e solicitou que resolvessem aquilo o mais rápido possível.

— O que foi? — perguntou Denise, ainda deitada, observando o marido concentrado no computador.

— Estou tentando localizar uma pessoa — respondeu ele, sem tirar os olhos da tela.

— Quem?

— A mãe da Aurora — revelou, com um suspiro.

— Por quê?

— A Alice quer que ela vá ao casamento.

— Mas…

— E se a gente fosse visitá-la num final de semana? O que acha?

A ideia parecia boa por um instante, mas ao olhar para a barriga já bem saliente da esposa, Saulo ponderou.

— Não acho que seja a hora certa… Você precisa repousar o máximo que puder. Imagina se esses bebês resolvem nascer no meio do voo?

Denise riu, levando a mão à barriga.

— Você tem razão.

— Prometo que assim que os bebês nascerem e estiverem fortes o bastante para viajar, nós vamos até lá visitar a Eloá, está bem?

— Está bem, amor.

— Aposto que ela vai amar a surpresa… e vai se encantar quando conhecer os irmãozinhos.

— Vai sim. Eu não tenho dúvida disso — respondeu, com um sorriso cheio de ternura nos lábios.

— Podemos ficar no apartamento dela — sugeriu Saulo, enquanto terminava de arrumar a mesa. — Assim ela vai se sentir mais à vontade… mais familiarizada. Podemos ficar até uns meses, se for preciso.

Denise arregalou os olhos, surpresa.

— Você está mesmo falando sério, amor?

— Estou sim. Se a nossa filha não vem até nós, então nós vamos até ela.

Denise sorriu emocionada, sentindo o coração aquecido pela atitude do marido. A ideia de reencontrar Eloá, envolvê-la novamente no calor da família, parecia um sopro de esperança.

Mal imaginavam eles que, do outro lado do oceano, Eloá moveria céus e terras para mantê-los longe, tudo para proteger o maior segredo de sua vida.

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