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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 251

Dois dias haviam se passado desde que Saulo começou a investigar o paradeiro da mãe de Aurora. Na manhã de domingo, um de seus funcionários lhe entregou um envelope grosso com o relatório da busca. Assim que começou a ler, a expressão em seu rosto mudou. Os olhos estreitaram, o maxilar se contraiu, e a mão que segurava o papel se fechou levemente.

Sem dizer palavra alguma, ele respirou fundo e anunciou:

— Estou indo até a casa do Oliver. Alguém quer ir comigo?

Ele mal terminou a pergunta e, como esperava, a voz animada da filha ecoou do corredor.

— Eu quero!

Elisa surgiu à porta do quarto com um vestido curto, os cabelos soltos e o celular na mão. Saulo a olhou de cima a baixo, e por um instante, a crítica subiu até a ponta da língua… mas ele se conteve. Havia prometido que pegaria mais leve com a filha, desde que ela não lhe desse motivo para se preocupar.

— Então vamos logo — disse.

Empolgada com a liberdade inesperada, Elisa correu até ele, segurou o braço do pai e lhe deu um beijo no rosto.

— Já falei que te amo hoje?

— Não que eu me lembre.

— Então ouve agora: eu te amo, papai. Muito. Você é o melhor pai do mundo!

Ele arqueou uma sobrancelha, desconfiado.

— O que a senhorita está tramando, hein?

— Nada! Não posso demonstrar carinho pelo homem mais lindo desse mundo?

— Ora, ora… diga logo o que quer.

— É sério! Dessa vez, não quero nada… só estou feliz.

Saulo apenas balançou a cabeça, já esperando que, em algum momento, aquele carinho exagerado viesse com cobrança embutida.

— Vamos logo, antes que eu mude de ideia — disse, caminhando para fora.

Ao sair, viu Denise no jardim, sentada sob a sombra, aproveitando a brisa da manhã.

— Estamos indo até a casa do Oliver. Qualquer coisa me liga — disse ele, abaixando-se para deixar um beijo em seus lábios.

— Tudo bem. Vou aproveitar e tirar mais um cochilo — respondeu ela, sorrindo preguiçosamente ao se levantar.

Saulo entrou no veículo com a filha, mesmo com a curta distância até a casa do amigo.

Ao chegarem, foram recebidos por Henri, sentado à varanda, distraído no celular.

— Bom dia, Henri. Como vai?

— Bom dia, tio. Tudo bem, graças a Deus.

— E o Gael? Tem dia para voltar?

— Pelo jeito, não — respondeu o rapaz, sem levantar os olhos.

— O que é que aquele menino tanto faz nos Estados Unidos?

— Também queria saber.

— Ele está em Nova Iorque, não é?

— Sim… — mentiu.

— Aposto que o Oliver não vai gostar nada disso. Se tem uma coisa que ele detesta, é filho longe demais.

Henri soltou um riso curto.

— Pode ser… mas não acho que o Gael volte tão cedo.

— Por quê?

— Sinceramente? Eu não sei. Não faço ideia de quais sentimentos ainda restam nelas… se é que restam.

— Vai contar?

Cansado, Oliver passou a mão no rosto e se levantou.

— Vou, sim. Melhor cortarmos isso pela raiz antes que se transforme em algo maior.

Antes mesmo que ele alcançasse a maçaneta da porta, uma batida interrompeu a ação.

— Pode entrar — autorizou.

A porta se abriu, revelando Aurora e Alice.

— Fiquei sabendo que o Saulo estava aqui — Aurora disse — e vim saber se já temos alguma notícia sobre o paradeiro da nossa mãe.

— Entrem, por favor — disse Oliver, com a voz mais grave, sinalizando para o sofá.

As duas se sentaram, tensas.

— O que houve? — Alice perguntou, ansiosa.

Oliver segurou a pasta por um instante antes de pousá-la sobre a mesa.

— O Saulo conseguiu encontrar informações. Estão todas aqui.

— Sério mesmo? — Alice se inclinou para frente, com os olhos brilhando de expectativa. — Onde ela está?

Houve um breve silêncio. Os dois homens se entreolharam por um instante, como se pedissem força reciprocamente para dizer a verdade.

Foi Oliver quem tomou a frente.

— Alice… Aurora… sinto muito, mas… a sua mãe faleceu. Há cerca de um ano e meio.

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