Quanto mais as semanas passavam, mais a barriga de Eloá se tornava evidente de um jeito que nem mesmo as roupas largas, que agora faziam parte do seu guarda-roupa diário, conseguiam disfarçar. Tess, sua colega de quarto, notou as mudanças em seu corpo, mas em vez de perguntas ou julgamentos, ofereceu silêncio e empatia. Eloá agradeceu mentalmente por isso, aliviada por ter ao menos uma pessoa ao seu lado que não exigia explicações.
Mas à noite, quando o mundo silenciava, a mente dela gritava.
Antes, era Henri quem a visitava nos pensamentos. As lembranças dos momentos que teve com ele, dos olhares discretos, das conversas… tudo parecia ter ficado para trás. Agora, havia outra pessoa invadindo seus sonhos, outra presença acendendo seus sentimentos. Era Gael.
Toda vez que fechava os olhos, era como se o toque dele ainda estivesse ali, morando em sua pele. As mãos firmes, mas, ao mesmo tempo, gentis. O calor dos lábios dele contra os seus. A forma como a olhou naquela noite… como se ela fosse tudo.
“O que está acontecendo comigo?”, pensou, aflita, ao se levantar da cama e calçar os tênis.
O coração batia descompassado. Não queria pensar, mas pensar era tudo o que conseguia fazer.
Decidiu sair para uma pequena caminhada noturna pelo campus, buscando no ar fresco um alívio para o nó que se formava em seu peito.
“Não pode ser…” — murmurou para si mesma enquanto passava pelos caminhos iluminados por postes baixos e antigos, o som dos próprios passos acompanhava seus pensamentos perturbados.
Esteve ao lado de Gael o tempo todo. Riu com ele, brigou, dividiu a vida como se fossem irmãos… nunca o viu com outros olhos. Nunca até aquela noite.
Como uma única noite poderia ter virado tudo do avesso?
“Eu te amo, Eloá.”
A voz dele ecoava como uma canção que não sabia se queria esquecer. As palavras ditas com emoção e as mãos trêmulas… tudo parecia verdadeiro. E era isso que mais a confundia.
Caminhou sem destino por vários minutos até parar no mesmo banco de madeira do estacionamento onde o encontrou. Sentou-se ali, olhando para o céu limpo.
— Eu não posso pensar no Gael, ainda mais agora que carrego um filho do irmão dele.
Tentava convencer a si mesma de que era apenas confusão, de que tudo aquilo passaria com o tempo, mas o coração a traía com força. Toda lógica era abafada pelas batidas descompassadas que insistiam em apertar seu peito.
De repente, o celular vibrou em sua mão. O nome de Elisa começou a piscar na tela, interrompendo seus pensamentos.
— Oi, maninha — atendeu com um tom leve, embora a mente ainda estivesse em outro lugar.
— Está podendo falar?
— Sim…
— Posso fazer uma chamada de vídeo?
— Agora não — respondeu rápido, olhando ao redor, como se o escuro da noite pudesse revelar seus conflitos.
— Tudo bem… — Elisa suspirou do outro lado. — Como estão as coisas por aí?
— Corridas. Estressantes. Nada de muito diferente do que já te contei. E por aí?
— Por aqui, estamos na contagem regressiva para o casamento da Alice! — disse animada. — Semana passada, a mamãe, a Aurora e eu fomos acompanhá-la na prova final do vestido. Você precisava ver… ela estava radiante.
— Aposto que estão todos animados — respondeu Eloá, tentando forçar um sorriso.
— Estão! O meu sogro fez questão de contratar o melhor bufê do país só para agradar a Alice.
Ao ouvir Elisa se referir a Oliver como “meu sogro”, Eloá sentiu o peito apertar num desconforto que não soube nomear de imediato. Não era inveja. Não era dor. Era… ciúme. Um sentimento que não lhe era comum, mas que nos últimos dias surgia com frequência, sem ser convidado.
— Aposto que o tio Oliver moveria céus e terra por ela — comentou, tentando ignorar aquilo.
— Ah, isso ele faria mesmo. E você… tem certeza de que não vai poder vir?
— Não posso, Elisa.
— Nenhuma escapadinha? Vem na sexta à noite, volta no domingo… é rapidinho!
— Não dá — respondeu firme. — O fim de semana é quando mais estudo. Preciso manter as notas, você sabe.
— Pode.
— Você anda estranha ultimamente — confessou. — Sei que os estudos aí são puxados, que a adaptação não é fácil… mas parece que tem algo mais. Como se você estivesse me escondendo alguma coisa.
— Não é isso — respondeu, rápido demais.
— Então, o que é, Eloá? Me diz o que está acontecendo com você de verdade.
Ela fechou os olhos e respirou fundo. Sabia que Elisa não desistiria até ouvir algo concreto.
— É só que… — fez uma pausa, com o coração acelerado. — Eu me encontrei com o Gael.
— O quê? — a voz de Elisa soou surpresa.
— Naquele dia, no chá revelação da tia Aurora… ele apareceu aqui e se declarou para mim, dizendo que me amava.
Do outro lado da linha, o silêncio foi imediato. Eloá podia quase imaginar Elisa tapando a boca, pasma.
— Você está me dizendo que o Gael apareceu aí só para te ver… e se declarou?
— Sim… foi isso mesmo.
— Meu Deus, Eloá. E você? O que você disse?
— Nada — confessou. — Eu não consegui. Na verdade… eu nem sei mais o que estou sentindo.
— Como assim, maninha? — A voz de Elisa agora era mais baixa, mais cuidadosa.
Eloá hesitou. Olhou para a própria barriga, como se ali estivesse a resposta para toda a sua hesitação.
— Eu não sei. Eu juro que não sei mais o que sinto. Tudo está confuso. De repente, o Henri está começando a ficar de lado na minha vida e o Gael… ele é especial. Me olhou diferente… De um jeito que sempre esteve ali, mas eu nunca vi… e agora me dói perceber o quanto fui cega esse tempo todo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...