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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 254

Sem entender muito bem o rumo da conversa, Elisa franziu o cenho, confusa.

— O que você está querendo dizer com isso?

Houve uma breve pausa antes da resposta vir, cheia de hesitação.

— Elisa… possivelmente estou gostando do Gael também.

Do outro lado da linha, o silêncio voltou. Mas era um silêncio surpreso, de incredulidade e também de um princípio de compreensão.

— Uau… — foi tudo o que Elisa conseguiu dizer no primeiro momento.

— Eu sei como isso soa — desabafou Eloá, com a voz baixa e os olhos marejados. — Parece errado. E talvez seja mesmo. Mas eu não escolhi isso, Elisa. Eu só… senti. E agora não consigo parar de pensar nele.

— Se está confusa, isso já diz muita coisa.

— Como assim? — perguntou, arqueando uma sobrancelha, mesmo que a irmã não pudesse vê-la.

— Significa que o Henri talvez não tenha sido tudo isso na sua vida, como você acreditava.

As palavras da irmã encontraram espaço na mente de Eloá. Faziam sentido, ainda que fossem difíceis de aceitar. Ter esperanças em algo novo era, de certo modo, mais perturbador do que a saudade de algo antigo.

— Eu não acho que seja tão simples assim…

— Nunca leu aquela frase? — A irmã a interrompeu.

— Que frase?

— “Se você ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se realmente amasse a primeira, não teria se apaixonado pela segunda.”

Eloá levou a mão ao rosto, sentindo as lágrimas escaparem.

— Irmã… — sussurrou, já chorando — As coisas não são tão simples assim.

— Não pense tanto, maninha — disse Elisa. — Se você está em dúvida, dê uma chance ao que sente. Passe mais tempo com o Gael. Aproveita que ele continua no país. Tenta vê-lo no fim de semana. Se ele fez todo esse esforço só para te dizer que te ama, é porque está falando sério.

— Já disse que não é tão simples como parece… — murmurou, com a voz embargada.

— Como não? O Gael te quer, Eloá. Com ele, você vai ter um futuro, vai ser amada, vai ser prioridade. Agora me diz: se escolhesse o Henri… que futuro teria? Ele nunca assumiu ninguém. E eu não quero ser pessimista, mas a chance de ele fazer isso com você é mínima. Principalmente pelo estilo de vida que ele tem.

Eloá fechou os olhos, deixando que as palavras da irmã penetrassem fundo. Doíam. Mas doíam porque tocavam naquilo que ela tentava evitar: a verdade.

— Olha… é melhor não falarmos mais sobre isso agora — disse Eloá, tentando conter a voz trêmula. — Como eu disse, estou confusa… preciso de um tempo. Só isso.

Houve uma pausa do outro lado da linha, antes de Elisa responder com cautela:

— Tudo bem. Eu entendo. Não quero te pressionar. Vou deixar você descansar um pouco. Mas, por favor, saiba que estou aqui. Sempre. Para tudo. Mesmo quando você não souber o que precisa… eu vou estar aqui.

— Eu sei… te amo, Elisa.

— Eu te amo mais.

Assim que a ligação terminou, Eloá não conseguiu mais segurar. O choro que até então era silencioso se transformou num soluço forte, doído, rasgando o peito como se cada lágrima dissesse: foi você quem fez isso com você mesma.

Ela apertou os punhos contra os olhos e murmurou, entre lágrimas:

— Ai, meu Deus… o que eu faço agora?

Mas então… algo aconteceu.

A figura encapuzada retirou o capuz devagar, revelando o rosto.

Os olhos de Eloá se arregalaram.

Era Gael.

— Meu Deus, você queria me matar de susto? — perguntou, ofegante, levando a mão ao peito como quem tentava controlar o coração disparado.

— Me desculpa — ele respondeu, dando um passo à frente, visivelmente sem graça. — Eu vi que você estava no telefone e... não quis te interromper. Mas quando começou a andar para longe, não consegui ficar parado.

Ainda sentindo as pernas bambas, ela respirou fundo.

Assim que se recompôs, um pensamento a atravessou como um raio: ele não podia notar nada.

Agradeceu, em silêncio, por estar usando uma de suas roupas largas que disfarçavam o volume da barriga.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou, erguendo os olhos e tentando manter o tom neutro. — Achei que já estivesse no Brasil.

— Sim… eu deveria estar bem longe — ele respondeu com sinceridade, olhando diretamente nos olhos dela. — Mas não consegui. Ficar longe de você… é o maior castigo que eu poderia dar a mim mesmo.

As palavras dele atingiram-na em cheio. Eloá sentiu o chão vacilar sob os pés, como se o mundo tivesse ficado suspenso por um instante.

— Gael…

— Me escuta, por favor — ele interrompeu. — Eu vim porque não consegui dormir desde a última vez em que te vi. Porque, mesmo que você não tenha dito nada, eu senti… senti que você também ficou mexida com tudo aquilo. E se eu estiver errado, eu vou embora agora. Mas se não estiver… se você também sentiu… então me deixa ficar.

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