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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 255

Eloá baixou o olhar por um segundo, tentando controlar o choro que ameaçava vir. A vontade de se jogar nos braços dele era quase maior que o medo.

Mas havia algo dentro dela agora. Um segredo. Um limite invisível que separava o antes e o depois daquela noite.

Ela respirou fundo, olhou para ele e respondeu, com a voz trêmula:

— Gael… você não entende.

— Então me faz entender — ele pediu. — Me diz o que está te afastando de mim. Me deixa ajudar.

Ela abaixou os olhos, encarando o próprio tênis, como se aquele fosse o único lugar seguro no mundo.

— Não é tão simples assim — sussurrou.

Ele continuou ali, paciente. Esperando. Respeitando o tempo dela.

— Não é só sobre sentimentos… — continuou, com dificuldade. — É sobre o que é certo. Sobre o que é justo.

— Justo para quem?

— Para você. Para mim.

— Eu não me importo com o que é justo ou não, Eloá — disse ele. — Se você está confusa, me deixa te ajudar a entender o que sente. Eu estou aqui. Por você.

Ela cerrou os dentes, tentando manter a razão acima de tudo, mesmo com o coração aos gritos.

— Você disse que não me pediria nada em troca. Que não iria me pressionar. E agora está aqui — acusou, tentando endurecer a voz enquanto sentia o peito desabar por dentro.

— Eu sei o que disse… mas.

— Mas nada! — cortou, erguendo a voz, incapaz de conter a dor que lhe escapava pelos olhos. — Eu não posso, Gael. Não posso me permitir isso. É melhor você ir embora daqui.

Ele permaneceu imóvel, como se as palavras dela não tivessem força suficiente para empurrá-lo. Mas tinham. Estavam o destruindo por dentro.

— Eu vim para cá para estudar, para seguir em frente… para esquecer tudo o que ficou para trás. E eu quero focar só nisso — mentiu. Porque se não mentisse, desabaria.

Gael mordeu os lábios tentando engolir todas as palavras que queriam sair. Havia tantas coisas que queria dizer. Mas nenhuma parecia suficiente. Nenhuma parecia certa.

— Eloá… — sua voz saiu baixa. — Você ao menos pensou em mim em algum momento?

A pergunta pairou no ar. E ela hesitou. Aquela era a chance de ser sincera. De dizer que ele ocupava todos os seus pensamentos, que depois da noite que passaram juntos, ela não conseguia esquecê-lo nem por um segundo e que todas as noites sonhava com o beijo dele.

Mas não podia. Não devia. Porque falar a verdade era o mesmo que ceder. E ceder significava arrastá-lo para dentro de um caos do qual ele jamais mereceria fazer parte.

Gael era bom demais. Livre demais. E ela… ela carregava uma culpa que ele não conhecia.

Então resolveu mentir mais uma vez.

— Não pensei — respondeu, firme, apesar da lágrima que escorreu contra sua vontade. — Confesso que até tentei, mas… meu coração já tem um dono. E você sabe muito bem quem é.

Gael ficou imóvel. Os olhos dele vacilaram por um instante, como se quisesse insistir mais um pouco, mas sabia que aquilo a afastaria mais.

“Bom dia, maninha. Boa aula.”

“Bom dia, obrigada.” — respondeu, com um aperto no peito que nem ela conseguia nomear.

Estava guardando o celular na bolsa quando outra notificação surgiu na tela.

“Sei que não quer falar sobre isso, mas soube que o Gael acabou de chegar na casa dos pais.”

Ela apenas apagou a tela e guardou o aparelho.

Nada respondeu. Nem para a irmã, nem para si mesma.

Mais uma vez sentiu a vontade cruel de chorar. Mas o corredor do alojamento estava cheio, e o mundo não pararia para enxugar suas lágrimas. Então respirou fundo, ergueu o queixo e seguiu como se não estivesse desmoronando por dentro.

Havia feito o que achava certo. Cortou o mal pela raiz. Impediu que os sentimentos virassem uma bola de neve sem controle. Convenceu a si mesma de que era melhor assim.

Mas por dentro… doía.

Ao chegar à sala, sentou-se no último assento que encontrou. Longe de todos os olhares curiosos. Longe do risco de desabar diante de estranhos. Pois ela sabia… em algum momento, não conseguiria mais segurar.

E por uma ironia cruel do destino, as lágrimas que há pouco tempo pertenciam a Henri… agora tinham outro nome.

Gael.

E talvez, sem perceber, ele tivesse se tornado a perda mais difícil de todas.

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