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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 260

Quando Elisa entrou no quarto, deu de cara com a mãe sentada em frente ao espelho, calmamente fazendo uma enorme trança no cabelo, como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Mãe, pelo amor de Deus! Vamos para o hospital agora mesmo! — disse, quase arrancando a escova da mão dela.

— Já estou indo, filha… — Denise respondeu tranquila, puxando mais uma mecha. — Só deixa eu terminar essa trança.

— Meu Deus, como a senhora consegue ter tanta calma numa hora dessas? — perguntou, quase pulando de aflição.

— Já não basta o seu pai desesperado? — ela brincou, arqueando a sobrancelha. — Alguém precisa manter a compostura.

— Compostura? A senhora está prestes a ter dois filhos, não é hora de se preocupar com penteado!

— Filha, não quero chegar descabelada na maternidade, quero estar digna — disse, rindo.

Elisa levou a mão à testa, sem acreditar.

— Eu devia gravar isso para mostrar para a Eloá.

— Pode gravar, mas rápido, porque essa trança é artística e não se faz correndo — Denise respondeu, prendendo o último elástico e se levantando como se fosse desfilar. — Pronto. Agora, sim, vamos.

Quando saíram do quarto, encontraram Saulo e Noah no corredor, esperando por elas. Ao ver a esposa arrumada e com a trança impecável, Saulo não resistiu:

— Ah, claro… demorou porque estava no salão, né?

— E você preferia que eu fosse descabelada? — Denise rebateu com um sorriso, passando por ele como se fosse a passarela.

Tentando não rir, Noah cochichou para Elisa:

— Essa tranquilidade toda… será que é genética?

— Não. Eu puxei foi o drama do meu pai — ela respondeu, rindo enquanto caminhavam para o veículo.

Quando chegaram à maternidade da vila, Saulo saiu do veículo primeiro e correu para abrir a porta para Denise, que desceu com um sorriso tranquilo.

— Vamos, amor — ele disse, tentando não demonstrar o nervosismo, mas as mãos denunciavam, tremendo levemente enquanto empurrava a cadeira de rodas que a enfermeira havia trazido.

— Calma, meu bem — Denise falou, como se estivesse indo para uma consulta de rotina. — Não é como se os bebês fossem nascer em cinco minutos…

— É exatamente isso que vai acontecer! — ele rebateu, arrancando risadas da equipe que os recebeu.

Enquanto a levavam para a sala, onde se preparariam para a cesárea, Saulo seguiu ao lado da esposa, segurando a mão dela.

Assim que a porta se fechou, Elisa se encostou na parede do corredor, respirando fundo antes de pegar o celular. Mandou uma mensagem rápida para a irmã: A mamãe já está na sala de parto.

Não demorou nem um minuto para o telefone tocar.

— Como ela está? — perguntou Eloá, em chamada de vídeo.

— Ainda está na sala de pré-parto — Elisa respondeu, olhando para a porta fechada.

— Por favor, me mantenha informada de tudo em tempo real.

— Claro… mas você precisava ver como a mamãe estava calma. — Elisa sorriu. — Chegou de trança feita, como se fosse para uma festa.

— Ela sempre foi assim, em tudo… — Eloá respondeu, com um tom meio nostálgico. — Espero ter a mesma calma dela.

— Até uma de nós ter um filho, vai demorar muito — Elisa brincou, mas a irmã não retribuiu o sorriso. — Está tudo bem por aí? — perguntou, estranhando.

— Está, sim… só estou preocupada com a mamãe.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo. Agora, o que nos resta é esperar — disse, passando a mão pelo cabelo.

Nesse gesto, Eloá percebeu algo diferente.

— Que anel é esse?

— Ah… — ela sorriu. — Já que estamos falando nisso, preciso te contar que eu e o Noah avançamos um estágio no nosso relacionamento.

— Vou sim.

Um barulho de passos apressados fez Elisa se virar. Noah se aproximava pelo corredor, acenando para ela.

— Acho que já estão terminando — disse ele, baixo, como se o momento exigisse cuidado.

— Eloá, vou ter que desligar. Assim que tiver notícia, te ligarei.

— Tudo bem. Estarei com o celular na mão.

Encerrando a chamada, Elisa guardou o aparelho no bolso, sentindo o coração acelerar. Aproximou-se de Noah, que a puxou pela mão até a porta da sala de parto, onde Denise havia entrado há alguns minutos.

— Será que vai demorar muito? — perguntou ela.

— Acho que estão finalizando a cesárea — o namorado respondeu. — Talvez dê para ouvir o choro deles daqui.

Foi então que o som inconfundível de dois chorinhos ecoou pelo corredor.

— Oh, meu Deus… eles nasceram! — Elisa exclamou, com os olhos brilhando.

Mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, uma enfermeira surgiu, ofegante, com uma expressão indecifrável.

— O que houve? Minha mãe está bem? — perguntou, já sentindo o coração acelerar.

— Sim, querida. Sua mãe e os bebês estão perfeitamente bem — respondeu a enfermeira, abrindo um pequeno sorriso. — Mas… vamos precisar de uma maca para o seu pai.

— Por quê? — Noah questionou, confuso.

— Ele desmaiou de emoção — disse a enfermeira, tentando segurar o riso.

Elisa levou a mão à testa, balançando a cabeça.

— Eu sabia que isso ia acontecer…

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