Como nunca percebeu aquele lado possessivo de Gael? Como nunca notou o quanto ele poderia dominá-la apenas com a força silenciosa da sua presença?
Os olhos dele queimavam sobre seu rosto e Eloá, perdida entre o desejo e o medo de se afogar nele, fechou os olhos. Tentava recuperar o fôlego, controlar os batimentos acelerados que ele sempre arrancava dela e que agora, deitada ao lado dele, pareciam ainda mais descompassados.
Sentiu o colchão ceder levemente quando Gael se ajeitou ao seu lado. Um instante depois, o calor da mão dele repousou sobre sua barriga, traçando carícias lentas. O gesto, embora carinhoso, lhe trouxe um incômodo súbito, fazendo-a contrair o corpo.
— Não faça isso… — murmurou, quase num sussurro.
Gael não recuou de imediato. Seus dedos percorreram um último traço antes de pararem, e sua voz veio baixa.
— Por quê? — perguntou, olhando-a como se quisesse atravessar cada barreira que ela ainda mantinha.
Sem coragem de encará-lo, Eloá engoliu em seco.
— Porque é estranho para mim.
Ele se aproximou mais, deitando-se de lado até que seus rostos ficassem próximos o suficiente para ela sentir o calor de sua respiração.
— Não pense desse jeito, por favor.
— E em que exatamente quer que eu pense agora? — perguntou, meio perdida, sem saber como reagir.
— Já sabe o sexo? — A voz dele soou calma, mas havia uma curiosidade genuína ali, quase infantil.
— É uma menina.
— Uma menina? — repetiu, como se quisesse saborear a palavra. Seus olhos brilharam de um jeito que fez Eloá perceber que aquele momento realmente o tocava. — Nossa…
Ela riu baixinho.
— O que foi?
— Eu só… não sei explicar. É como se de repente o mundo ficasse um pouco mais bonito.
— Está exagerando.
— Não estou — disse, balançando a cabeça com convicção. — Já escolheu um nome?
— Amelie.
O sorriso dele se abriu mais, sincero.
— É lindo. Delicado. Tem tudo a ver com você… e com ela.
— Você acha?
— Eu tenho certeza — respondeu, tocando de leve os dedos dela.
Ela riu novamente, sentindo um clima mais leve se instalar entre eles.
— Bom saber que gostou do nome.
— Gosto de muito mais coisas — ele completou, olhando-a de um jeito que fez seu coração dar um salto silencioso.
Eloá desviou o olhar, tentando esconder o sorriso que ameaçava escapar, mas sentiu a mão dele subir lentamente pelo braço, até chegar ao seu rosto.
— Posso te fazer uma pergunta… que talvez mude tudo? — murmurou.
Ela piscou algumas vezes, tentando decifrar a intensidade daquele olhar.
— Depende da pergunta — respondeu, com um pouco de curiosidade e receio.
— Não é algo que eu vá perguntar outra vez, Eloá. Então, antes de responder, pense bem…
O silêncio que se instalou foi pesado. O coração batia acelerado, o corpo reagia à proximidade dele, mas a mente estava presa na incerteza do que viria.
Ele se inclinou um pouco mais, seus lábios ficaram tão próximos que a respiração quente tocou sua pele.
— Não. Claro que não.
— Obrigada por isso — murmurou, soltando um suspiro aliviado.
— Eu jamais faria algo que te prejudicasse… ainda mais sem antes vir até aqui, olhar nos seus olhos e ouvir de você o que realmente quer.
Eloá desviou o olhar para o lençol, apertando-o entre os dedos.
— Na verdade, eu não sei o que quero, ou o que devo fazer. Se a minha família descobrir o que aconteceu… estou perdida. Não consigo nem imaginar a expressão desapontada do meu pai, a surpresa nos olhos da minha mãe… e, talvez, o que mais me doeria: ver a decepção da Elisa, quando souber que escondi tanta coisa dela esse tempo todo.
Ele franziu o cenho.
— A Elisa não sabe de nada?
— Não. — A palavra saiu quase num sussurro. — Eu não tive coragem de dizer… porque falar disso para ela abriria espaço para outras conversas que eu prometi que ninguém nunca saberia.
— Está me dizendo que guarda isso de todo mundo?
— Sim. — Ela engoliu seco.
— Por quê?
— Porque… se alguém souber, vai querer saber quem é o pai desse bebê e... — A voz dela vacilou, morrendo no ar.
— Se você contar, vai quebrar a promessa que fez, não é? — completou, com a voz grave e firme.
Eloá o encarou, surpresa.
— Como você sabe?
Ele manteve o olhar fixo nela, sem hesitar.
— Eloá, eu sei de muita coisa, e quero te ajudar em tudo, mas antes… preciso que me responda uma só coisa: você quer que eu fique?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...