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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 268

— A questão não é o que quero, Gael… — respondeu, mesmo que o coração estivesse em guerra. Levantou-se, como se a distância física pudesse amenizar o que sentia. — É sobre o que é certo. Por que eu te colocaria no meio de algo que não é problema seu?

Ele se ergueu também, sem deixar que ela se afastasse.

— E se for meu problema? — retrucou, deixando a voz ganhar um tom quase desesperado. — E se tudo isso que está acontecendo for minha responsabilidade?

Ela franziu o cenho, confusa, o peito subindo e descendo revelava como a sua respiração estava acelerada.

— Do que você está falando?

— Eloá… por favor… — Ele deu um passo na direção dela, como se as palavras precisassem de proximidade para fazer sentido. — Seja sincera comigo. O que você sente por mim?

Ela abriu a boca, preparada para mentir, como já havia feito antes para afastá-lo. Mas a lembrança do arrependimento que carregou desde a última vez que o fez queimou como um alerta dentro dela. Não poderia repetir o mesmo erro.

— Gosto de você — confessou, quase num sussurro, mas cada palavra parecia arrancada de dentro de si. — Eu… eu penso em você o tempo todo, desde que ficamos nesse apartamento. Achei que, no início, era apenas confusão… mas o tempo passou e só me mostrou o quanto você domina a minha mente.

O alívio que se espalhou no rosto dele foi imediato, como se estivesse recebendo a confirmação de algo que já esperava. Por mais que Elisa tivesse afirmado que a irmã sentia algo por ele, nada se comparava a ouvir diretamente dela.

— Eu não sei por que nunca percebi isso antes… — ela continuou, olhando para o chão. — Talvez eu estivesse ocupada demais olhando para a pessoa errada, esperando dele o que, na verdade, esteve sempre em você.

Ele sorriu de leve e o brilho nos olhos denunciava que aquilo mexia mais com ele do que queria admitir.

— Às vezes… — disse, se aproximando ainda mais. — Não enxergamos o que está diante dos nossos olhos, porque a familiaridade nos cega.

Ela ergueu o olhar e, por um instante, tudo pareceu suspenso. Mas antes que pudesse responder, as lágrimas começaram a brotar, silenciosas.

— Gael… se eu te deixar ficar, tudo vai mudar. Eu não sei se estou pronta para isso…

— Não quero saber o que vai acontecer, quero saber o que sente e o que quer nesse momento — ele disse, sendo mais direto.

Ela suspirou fundo, como se precisasse expulsar o medo antes das palavras. Fechou os olhos, buscando coragem para abrir o coração.

— Eu quero você, Gael… — murmurou. — Quero que fique, que me envolva nos seus braços e me faça sentir segura. Quero não me sentir sozinha. Quero amar você do fundo do meu coração. Eu amo a sua presença e, quando me toca, esqueço de tudo.

As lágrimas começaram a embaçar sua visão, mas ela não parou.

— Eu juro que, se pudesse voltar no tempo, teria feito tudo diferente. Teria olhado para você com mais atenção… com mais amor. — A respiração dela falhou, e a confissão seguinte veio como um soluço. — Como eu queria que fosse você quem tivesse me tocado pela primeira vez. Teria sido perfeito se tivesse sido com você.

Gael a encarava em silêncio, com o maxilar travado, como se lutasse contra um turbilhão dentro de si. Ouvir aquilo era como se tivesse a resposta para todas as suas dúvidas.

— O que quer me contar? — perguntou, agora com um tom mais sério, enquanto seu olhar buscava o dele, tentando decifrar a sombra que se formava em seus olhos.

— Naquela madrugada — a voz dele começou a tremer —, na casa de praia… era eu.

A última palavra quase não saiu.

Por um instante, ele sentiu o peso esmagador do arrependimento. Talvez ainda não fosse o momento para confessar aquilo, parte dele queria recuar, mas, quando viu a expressão assustada nos olhos dela, percebeu que não poderia mais retroceder.

— O que está dizendo? — A voz dela soou incrédula, quase num sussurro.

Ele inspirou fundo. Já tinha começado, e agora o momento da verdade havia chegado.

— É o que acabou de ouvir — confessou, cada sílaba parecia cortar seus lábios. — A pessoa com quem você esteve naquela madrugada… não era o meu irmão. Era eu.

Ela arregalou os olhos, levando a mão à boca, como se quisesse impedir um grito.

— Fui eu quem te beijou… fui eu quem te tocou naquela noite… — sua voz quebrou, mas ele continuou. — É meu… esse bebê que cresce dentro de você.

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