O silêncio que se seguiu parecia sufocar o ar ao redor. Eloá deu um passo para trás, como se quisesse colocar um oceano entre eles.
— Não… — ela balbuciou, balançando a cabeça, com a respiração acelerada. — Você está mentindo.
— Eu nunca mentiria sobre isso — disse Gael, com os olhos implorando para que ela o ouvisse.
Ela soltou uma risada nervosa, misto de incredulidade e desespero.
— Você… você não sabe o que está dizendo, isso sim! Que tipo de brincadeira sem graça é essa? Está dizendo isso para tentar me fazer sentir melhor, ou parar de me culpar?
— Não, claro que não! — ele rebateu, um pouco nervoso. — Só estou contando isso porque não aguentava mais esconder isso, no entanto, estava com medo de te perder, caso contasse a verdade antes de saber o que sente por mim.
— Medo de me perder? — ela repetiu, sentindo a raiva crescer. — Você me enganou, tirou o meu direito de saber a verdade! Você não tinha esse direito, Gael!
Ele se aproximou, mas ela recuou, erguendo a mão como se quisesse detê-lo.
— Não encosta em mim! — O tom dela foi cortante, e os olhos marejados refletiam mais dor do que ódio. — Você acaba de quebrar algo dentro de mim que talvez nunca conserte.
— Eu te amo, Eloá… — ele disse num sussurro, como se isso pudesse apagar tudo.
— Não fale isso agora — ela respondeu, com a voz trêmula e magoada. — Porque nesse momento, eu não sei se amo você… ou se te odeio.
O coração dele apertou de um jeito sufocante. Gael deu um passo hesitante, como se o chão estivesse prestes a ceder sob seus pés. Antes que pudesse falar, Eloá se virou bruscamente e caminhou até a porta. Seus ombros estavam tensos e todo o seu corpo denunciava o quanto aquilo a machucava.
Ao segurar a maçaneta, ela parou por um instante, respirou fundo, mas não se virou para encará-lo.
— Você e o seu irmão brincaram com o meu sentimento — disse, com a voz trêmula e indignada. — Planejaram tudo friamente e me enganaram. Tenho certeza de que riram disso depois… que se divertiram às minhas custas.
Ele sentiu um nó no estômago.
— Eloá… o que está dizendo? — perguntou, indignado, tentando se aproximar. — Nenhum de nós faria isso com você. O que aconteceu foi que o Henri sabia dos meus sentimentos… e ele sabia que, se acontecesse algo entre vocês, eu ficaria… arrasado.
Ela soltou uma risada amarga, mas ainda não se virou.
— E vocês dois, em algum momento, pararam para pensar no que EU sentiria? No quanto isso me destruiria?
— É claro que sim! — respondeu rápido, quase se atropelando nas palavras. — Eloá, os seus sentimentos… sempre foram o mais importante para mim.
Ela finalmente se virou, com um sorriso irônico nos lábios e os olhos marejados.
— Nem você mesmo acredita nisso, Gael. — Sua voz estava mais baixa. — E é por isso que veio atrás de mim… porque está com a consciência pesada pelo que fez.
Ele deu um passo à frente, estendendo a mão para tocar seu ombro. O toque foi leve, como quem tem medo de ser rejeitado e, naquele momento, ele tinha.
— Você tem razão… eu me sinto culpado por enganar você. Mas não foi por isso que vim. — Sua voz tremia levemente. — Vim porque te amo, porque não suporto ficar longe de você.
— Mentiroso! — gritou ela, afastando-se como se aquele toque fosse uma ameaça. — Nem você acredita nessa mentira!
— Eloá, por favor… — ele tentou, mas ela o interrompeu.
— Saia da minha casa. Agora!
— Reconstruir algo que você mesmo fez ruir? — Ela balançou a cabeça, como se não acreditasse na audácia dele. — Não funciona assim.
— Então me ensina como funciona! — explodiu, dando dois passos rápidos até ficar próximo o suficiente para que ela sentisse o calor da sua respiração. — Me diz o que tenho que fazer para você acreditar em mim outra vez?
Ela o encarou, os olhos brilhando de raiva e dor.
— Você quer mesmo saber?
— Quero.
— Vá embora daqui e me deixe sozinha.
— Diga outra coisa, já disse que não vou sair.
— Por que está sendo tão insistente, hein?
— Porque eu te amo — falou, segurando delicadamente a mão dela. — E quero estar não só na sua vida, mas também na vida da Amelie.
— Não toque no nome dela.
— Falo o nome dela, porque ela é parte de mim, Eloá. Amelie é a nossa filha… e eu não vou abdicar disso. Me deixa cuidar de vocês, e deixa ser o escudo que vai manter vocês seguras. Eu daria tudo por vocês… até o meu último suspiro.
— Suas palavras podem até soar bonitas, Gael, mas não significam nada para mim… não depois do que você fez. — Ela afastou a mão dele, rompendo o contato.
Sem esperar resposta, virou-se e saiu, deixando-o sozinho com o peso da própria culpa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...