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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 269

O silêncio que se seguiu parecia sufocar o ar ao redor. Eloá deu um passo para trás, como se quisesse colocar um oceano entre eles.

— Não… — ela balbuciou, balançando a cabeça, com a respiração acelerada. — Você está mentindo.

— Eu nunca mentiria sobre isso — disse Gael, com os olhos implorando para que ela o ouvisse.

Ela soltou uma risada nervosa, misto de incredulidade e desespero.

— Você… você não sabe o que está dizendo, isso sim! Que tipo de brincadeira sem graça é essa? Está dizendo isso para tentar me fazer sentir melhor, ou parar de me culpar?

— Não, claro que não! — ele rebateu, um pouco nervoso. — Só estou contando isso porque não aguentava mais esconder isso, no entanto, estava com medo de te perder, caso contasse a verdade antes de saber o que sente por mim.

— Medo de me perder? — ela repetiu, sentindo a raiva crescer. — Você me enganou, tirou o meu direito de saber a verdade! Você não tinha esse direito, Gael!

Ele se aproximou, mas ela recuou, erguendo a mão como se quisesse detê-lo.

— Não encosta em mim! — O tom dela foi cortante, e os olhos marejados refletiam mais dor do que ódio. — Você acaba de quebrar algo dentro de mim que talvez nunca conserte.

— Eu te amo, Eloá… — ele disse num sussurro, como se isso pudesse apagar tudo.

— Não fale isso agora — ela respondeu, com a voz trêmula e magoada. — Porque nesse momento, eu não sei se amo você… ou se te odeio.

O coração dele apertou de um jeito sufocante. Gael deu um passo hesitante, como se o chão estivesse prestes a ceder sob seus pés. Antes que pudesse falar, Eloá se virou bruscamente e caminhou até a porta. Seus ombros estavam tensos e todo o seu corpo denunciava o quanto aquilo a machucava.

Ao segurar a maçaneta, ela parou por um instante, respirou fundo, mas não se virou para encará-lo.

— Você e o seu irmão brincaram com o meu sentimento — disse, com a voz trêmula e indignada. — Planejaram tudo friamente e me enganaram. Tenho certeza de que riram disso depois… que se divertiram às minhas custas.

Ele sentiu um nó no estômago.

— Eloá… o que está dizendo? — perguntou, indignado, tentando se aproximar. — Nenhum de nós faria isso com você. O que aconteceu foi que o Henri sabia dos meus sentimentos… e ele sabia que, se acontecesse algo entre vocês, eu ficaria… arrasado.

Ela soltou uma risada amarga, mas ainda não se virou.

— E vocês dois, em algum momento, pararam para pensar no que EU sentiria? No quanto isso me destruiria?

— É claro que sim! — respondeu rápido, quase se atropelando nas palavras. — Eloá, os seus sentimentos… sempre foram o mais importante para mim.

Ela finalmente se virou, com um sorriso irônico nos lábios e os olhos marejados.

— Nem você mesmo acredita nisso, Gael. — Sua voz estava mais baixa. — E é por isso que veio atrás de mim… porque está com a consciência pesada pelo que fez.

Ele deu um passo à frente, estendendo a mão para tocar seu ombro. O toque foi leve, como quem tem medo de ser rejeitado e, naquele momento, ele tinha.

— Você tem razão… eu me sinto culpado por enganar você. Mas não foi por isso que vim. — Sua voz tremia levemente. — Vim porque te amo, porque não suporto ficar longe de você.

— Mentiroso! — gritou ela, afastando-se como se aquele toque fosse uma ameaça. — Nem você acredita nessa mentira!

— Eloá, por favor… — ele tentou, mas ela o interrompeu.

— Saia da minha casa. Agora!

— Reconstruir algo que você mesmo fez ruir? — Ela balançou a cabeça, como se não acreditasse na audácia dele. — Não funciona assim.

— Então me ensina como funciona! — explodiu, dando dois passos rápidos até ficar próximo o suficiente para que ela sentisse o calor da sua respiração. — Me diz o que tenho que fazer para você acreditar em mim outra vez?

Ela o encarou, os olhos brilhando de raiva e dor.

— Você quer mesmo saber?

— Quero.

— Vá embora daqui e me deixe sozinha.

— Diga outra coisa, já disse que não vou sair.

— Por que está sendo tão insistente, hein?

— Porque eu te amo — falou, segurando delicadamente a mão dela. — E quero estar não só na sua vida, mas também na vida da Amelie.

— Não toque no nome dela.

— Falo o nome dela, porque ela é parte de mim, Eloá. Amelie é a nossa filha… e eu não vou abdicar disso. Me deixa cuidar de vocês, e deixa ser o escudo que vai manter vocês seguras. Eu daria tudo por vocês… até o meu último suspiro.

— Suas palavras podem até soar bonitas, Gael, mas não significam nada para mim… não depois do que você fez. — Ela afastou a mão dele, rompendo o contato.

Sem esperar resposta, virou-se e saiu, deixando-o sozinho com o peso da própria culpa.

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