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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 270

Alguns meses atrás.

Quando viu Eloá sair do galpão, Henri sentiu um desconforto imediato. O jeito apressado com que ela caminhava, as palavras ditas com cautela e aquele ar de mistério acenderam um alerta dentro dele.

— Isso não está certo… — murmurou para si, já imaginando na mente cenários que preferia não considerar.

Virou-se e continuou ajustando a cela do cavalo, decidido a dar uma volta pela fazenda. Mas, em vez de ir sozinho, queria companhia e sabia exatamente de quem. Enquanto esperava por Gael, sentou-se num dos bancos de madeira próximos, tentando costurar mentalmente tudo o que Eloá havia dito não só naquele dia, mas em todas as conversas que já tiveram. Algo não fechava.

Alguns minutos depois, Gael apareceu. Estava recém-saído do banho, cabelos ainda úmidos e uma expressão tensa no rosto.

— Ainda aqui? — perguntou, surpreso.

— Estava esperando por você — respondeu Henri, erguendo o olhar.

— E para quê?

— Quero dar uma volta.

— É melhor não. Acabei de chegar da plantação e já tomei banho.

— E o que tem? Vai dizer que está com medo de se sujar montando a cavalo? — zombou.

— Não é isso… — resmungou Gael, desviando e entrando no galpão.

— Então, o que é?

— Não estou com ânimo.

Henri estreitou os olhos.

— É por causa da Eloá, não é?

Gael ergueu o rosto, mas evitou encarar o irmão.

— Está tão na cara assim?

— O tempo todo — respondeu com sinceridade.

— Como assim?

— Sei que você gosta dela. É óbvio no jeito que seus olhos brilham quando a olha.

Um riso breve e descrente escapou de Gael.

— Não sabia que você prestava tanta atenção nisso.

— Presto atenção em tudo.

Gael suspirou, percebendo que Henri não desistiria facilmente.

— Tudo bem… vamos dar essa volta.

Prepararam os cavalos em silêncio e partiram pela estrada de terra que levava ao canavial. Gael ia à frente, com a postura rígida, enquanto Henri o seguia alguns metros atrás, estudando cada detalhe — os ombros tensos, as mãos firmes nas rédeas, o olhar perdido em algo muito mais distante do que o horizonte.

— Você a ama? — Henri quebrou o silêncio após longos minutos.

Gael puxou bruscamente as rédeas do cavalo, fazendo o animal parar. Girou o corpo na sela, fitando o irmão com um olhar afiado.

— Por que está perguntando isso?

— Porque preciso saber o que você sente de verdade por ela — Henri respondeu, sem desviar o olhar.

— Desde quando se importa com o que eu sinto?

Confuso, Gael parou e, dessa vez, o fitou nos olhos.

— Do que está falando?

Henri hesitou por um instante, como se medisse as consequências de continuar, e então soltou:

— A Eloá vai me esperar hoje à noite… na casa de praia.

— Para quê? — Gael estreitou o olhar, sentindo o coração acelerando, como se já pressentisse que não gostaria da resposta.

— Eu não sei… — Henri fez uma pausa, medindo as palavras. — Mas, para ser sincero, posso imaginar que seja algo de cunho… amoroso.

— Não sei se estou entendendo — Gael respondeu, franzindo o cenho.

Henri então explicou, de forma breve, tudo o que Eloá havia dito a ele. Enquanto ouvia, Gael manteve-se calado. Quando o irmão terminou, ele ficou pensativo por alguns segundos.

— Vá no meu lugar e descubra o que ela quer. — Henri disse.

— Eu não posso fazer isso. Eloá sabe muito bem diferenciar nós dois.

— Vai ser à noite. Apenas mantenha a casa escura e... faça o mesmo que eu faria.

— Como assim? — a desconfiança de Gael aumentava.

— Use o meu carro, passe o meu perfume… e não fale muito. Pelo jeito, ela vai chegar tarde, então pode esperá-la no meu quarto.

— Henri… eu não posso fazer isso — repetiu Gael, desta vez com um tom mais receoso.

Encarando-o de forma quase desafiadora, Henri se aproximou.

— Claro que pode. Quem não pode fazer nada com a Eloá sou eu. Porque sei que, seja lá o que acontecer naquela casa… ela vai se arrepender amargamente no futuro, se for comigo.

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