Após sair do apartamento de Eloá, Gael caminhou sem rumo, como se cada passo fosse guiado apenas pela necessidade de não se afastar dela. Não queria voltar para Nova Iorque, onde estava hospedado, tampouco tinha ânimo para procurar um hotel naquela cidade. Sentia que se afastar seria como desistir, e desistir não era uma opção.
Acabou encontrando um banco solitário em uma pequena praça. Sentou-se, deixando o corpo pesar, e passou as mãos pelo rosto, apoiando os cotovelos nos joelhos. A ideia de que Eloá poderia não o perdoar lhe atravessava como uma lâmina invisível.
— Não posso perdê-la… não agora… — murmurou.
Pensar nessa possibilidade o apavorava, ainda mais quando percebia que, apesar de tudo, começavam a reencontrar um fio de entendimento, uma chance de recomeço. O medo e a incerteza o deixavam paralisado, e lágrimas teimavam em se formar. Tudo o que queria era estar com ela, cuidar dela, construir algo verdadeiro… mas já não sabia se ela ainda o queria.
— Por favor, meu Deus… não me deixe perder isso. — O sussurro se quebrou no ar frio.
O vento gelado cortava sua pele, ardendo contra as mãos e o rosto. Ainda assim, a necessidade de permanecer por perto foi maior. A cada minuto, a rua ficava mais silenciosa, os veículos desapareciam, a madrugada tomava conta com sua escuridão pesada. Mesmo assim, Gael se recusava a sair dali. Seu corpo tremia, mas seu coração se agarrava a uma única esperança: de que ela reconsideraria e pensaria com o coração.
[…]
Gael estava curvado, com os pensamentos se atropelando, quando o som de passos na calçada o fez erguer a cabeça. O coração dele quase parou. Eloá vinha em sua direção, envolvida em um conjunto de moletom rosa que lhe dava um ar delicado e decidido. Na mão, trazia uma manta branca.
— Está planejando morrer de frio aqui? — ela perguntou, erguendo a manta para ele.
Surpreso, a fitou por um instante, incapaz de reagir. Apenas murmurou:
— Eloá…
Aceitou a manta e sua mão roçou na dela. O toque revelou o quanto estava gelado, e ela franziu o cenho, preocupada.
— Você vai adoecer se ficar aqui desse jeito.
— Eu só estava pensando um pouco… — respondeu, sem coragem de admitir que, na verdade, estava apenas esperando por algum milagre.
— Não podia pensar em um quarto quente de hotel? — retrucou, cruzando os braços, o olhando com reprovação. — A noite está fria demais.
Ele permaneceu em silêncio. A respiração pesada entregava o turbilhão dentro dele.
— Não está hospedado em hotel nenhum, está? — ela insistiu.
Ele respirou fundo, encarando o chão antes de confessar:
— Não. Vim direto para ver você. Não planejei mais nada.
As palavras pairaram entre eles, cheias de vulnerabilidade. Eloá parou por um instante, como se lutasse contra as próprias emoções. Então soltou um suspiro, baixou os olhos e disse:
— Vamos!
Surpreso, ele arregalou os olhos.
— Tem certeza?
Ela o encarou com segurança.
— Está aqui por mim, não é mesmo? Me sentiria culpada se acontecesse alguma coisa com você.
Ele se levantou, aproximando-se dela, quase sem acreditar na chance que surgia.
— Eu posso ir para um hotel… — arriscou, ainda incerto.
— Sim, você poderia. — Ela ergueu uma sobrancelha, sem suavizar a resposta. — Mas não fez isso.
O silêncio caiu entre os dois. Apenas o vento da madrugada os envolvia. Então, Eloá completou:
— Está tarde, e o hotel mais próximo fica a quase cinco quilômetros daqui. Apenas me acompanhe. Vamos para o meu apartamento.
O peito dele se apertou, numa mistura de alívio e receio. Caminhou ao lado dela, em silêncio, sabendo que cada passo significava uma nova chance.
Quando chegaram ao apartamento, Eloá largou as chaves sobre a mesinha e se sentou no sofá. Cruzou as pernas e falou sem olhar diretamente para ele:
— Pode deixar, eu levo.
Levou o prato até a cozinha, lavou-o com calma e em seguida foi ao banheiro escovar os dentes. Ao retornar, encontrou-a novamente sentada no sofá, com o olhar perdido na televisão ligada no mudo.
— Você não vai dormir? — perguntou.
— Vou ficar por aqui mesmo. — respondeu, sem o encarar.
Ele observou o sofá estreito, franzindo a testa.
— Esse sofá é pequeno e desconfortável para você. Vá para a cama e deixa que fico aqui.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Você é bem maior que eu. Acha mesmo que vai conseguir dormir aí?
Dando de ombros, um sorriso leve surgiu em seus lábios.
— É melhor do que o banco da praça.
Eloá parou por um instante. Fitou-o demoradamente, como se lutasse contra a própria vontade. Pensou, repensou… até que enfim decidiu.
— É melhor nós dois ficarmos na cama. Não é a primeira vez que dormimos juntos, né?
Desligou a TV e se levantou, caminhando em direção ao quarto. Ele a seguiu em silêncio. Eloá se deitou de um lado, e ele do outro. A escuridão tomou conta do ambiente, deixando apenas o som das respirações como companhia.
Por alguns minutos, permaneceram imóveis, cada um guardando seu espaço. Gael respeitou a barreira invisível entre eles, embora sentisse o coração bater mais rápido. Então, sem que esperasse, ela se aproximou, devagar. Encostou a cabeça no peito dele e deixou escapar em voz baixa:
— Estou muito brava com você… mas não posso negar que, apesar de tudo, estou feliz por você estar aqui comigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...