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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 274

Quando acordou pela manhã, Eloá, ainda de olhos fechados, passou a mão pelo outro lado do colchão, buscando o calor de Gael para se aninhar contra ele. Mas seus dedos tocaram apenas o lençol frio e vazio. Um aperto tomou conta de seu peito, ela abriu os olhos, virando-se para ter certeza. Ele não estava lá.

Sentou-se na cama num sobressalto, com o coração disparado. Confusa, correu os olhos pelo quarto silencioso e, sem pensar, levantou-se. Caminhou pelos cômodos, chamando o nome dele em um sussurro quase trêmulo, mas não obteve resposta. A cada passo, a esperança se esvaía.

— Ele… foi embora? — murmurou, sentindo a garganta arranhar.

Na varanda, o brilho do sol já tomava conta do horizonte. O dia havia começado, e ele não estava mais ali.

— Ele foi embora… — repetiu, e dessa vez a voz se quebrou.

Voltando para dentro, sentiu as pernas pesarem. Encostou-se à parede da sala e deixou-se deslizar até o chão. Os olhos marejados já não conseguiam conter as lágrimas que escapavam sem controle.

— Por que estou assim? — questionou em voz alta, cobrindo o rosto com as mãos. — Fui eu mesma quem disse para ele ir embora ao amanhecer…

Mas o coração não obedecia à razão. A imagem do olhar dele, das mãos que a seguraram com firmeza, do calor do corpo dele ao lado do seu durante a noite, invadia sua mente como um eco impossível de calar.

Os soluços a sufocavam. Ela se encolheu no chão, abraçando os próprios joelhos, como se assim pudesse preencher o vazio que ele deixou.

— Gael… Eu não queria que fosse assim…

O arrependimento se instalava dentro dela como uma ferida aberta. Percebia que, ao tentar se proteger, havia perdido aquilo que mais desejava: a presença dele.

Enquanto ainda enxugava discretamente as lágrimas no canto dos olhos, a maçaneta da porta girou. Por um instante, o coração dela parou, sem saber se era a realidade ou apenas um devaneio fruto da saudade precoce. Mas logo a porta se abriu e, diante dela, surgiu Gael, carregando algumas sacolas nas mãos.

Os olhos dela se arregalaram. O peito se apertou em alívio. Tentou se recompor às pressas, passando a mão pelo rosto para apagar as marcas do choro, mas era tarde demais. Ele a conhecia bem demais para não notar.

— Eloá, está tudo bem? — perguntou, com a voz grave, dando dois passos para dentro e fechando a porta atrás de si.

Ela não conseguiu sustentar a mentira. Negou com a cabeça, respirando fundo.

— Não… — respondeu, sincera. — Achei que você havia ido embora.

Gael arqueou uma sobrancelha, surpreso pela franqueza dela. Ele se aproximou lentamente, como se temesse que qualquer gesto brusco pudesse fazê-la recuar.

— Eu jamais a deixaria por vontade própria — confessou, olhando-a nos olhos com uma intensidade que fez o coração de Eloá disparar.

— Então… onde estava? — ela perguntou, tentando se recompor, ainda sentindo o rosto quente pelo choro.

Ele ergueu as sacolas que trazia, como quem revelava um segredo simples.

— Fui comprar algumas coisas para preparar o café da manhã para você. Não posso deixar que se alimente mal, ainda mais pela Amelie — disse, tocando de leve a barriga dela com um gesto delicado.

O sorriso dela surgiu, tímido, mas sincero. Aquela preocupação era algo que não esperava.

— Você… foi fazer isso por mim?

— Claro — respondeu, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Agora, sente-se um pouco e espere. Daqui a pouco, o café da manhã está pronto.

Ele caminhou até a cozinha e começou a tirar as coisas da sacola: ovos, pão fresco, frutas. Ela se sentou na cadeira, abraçando as pernas contra o peito. Observando cada movimento dele, sentiu uma sensação estranha de familiaridade. Era como se estivessem vivendo uma cena de um lar já construído, uma rotina a dois.

Poucos minutos depois, ele colocou a mesa.

— Está pronto. Vem comer — disse, servindo um prato para ela.

Os dois se sentaram frente a frente. Comeram em silêncio, mas não era um silêncio incômodo; era um silêncio onde os olhares falavam mais que as palavras. Eloá percebia o cuidado dele em cada detalhe, desde como servia o suco até a maneira de observar se ela realmente estava comendo bem.

Quando terminaram, Gael se levantou sem esperar.

— Eu cuido disso — disse, levando os pratos até a pia.

— Não precisa, eu posso lavar… — ela tentou protestar.

— Precisa sim. Você precisa descansar.

— Eu não sei se ainda consigo esquecer o que aconteceu… — murmurou, desviando o olhar, como se tivesse medo da própria fraqueza.

Gael continuou.

— Vou te dar todo o tempo do mundo, mas não me afaste. Só me deixa ficar aqui, ao seu lado.

— E as suas coisas? — ela rebateu, tentando manter a razão. — Você não está nesse país apenas por mim.

Ele sorriu de canto.

— Nisso, você se engana. O estágio foi apenas uma desculpa para driblar os meus pais. A verdade é que nada no mundo é mais importante do que você.

Ela piscou rápido, atônita.

— Gosta tanto de mim assim?

— Gostar é pouco. O que sinto por você está em outro nível. Eu te amo, Eloá. Quero viver a minha vida ao seu lado. Basta apenas que me perdoe pelo que aconteceu e me dê uma chance de recomeçar.

Ela mordeu o lábio.

— E como faremos, me diz? O que a nossa família vai fazer quando descobrir?

— Não importa o que aconteça. Assumo todas as responsabilidades.

— Antes de me matar, meu pai vai matar você… — sussurrou.

Gael sorriu, mas havia um brilho de verdade em seus olhos.

— Não importa o preço, Eloá. Eu sangro, eu caio, mas não te deixo. Nunca.

E antes que ela pudesse retrucar, ele a puxou contra si e a beijou.

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