Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 277

Antes mesmo do Natal, Eloá e Gael haviam se entendido de uma forma que seus sentimentos já não pareciam mais um território nebuloso. As incertezas, os receios e as palavras reprimidas deram espaço a uma cumplicidade mais clara. Havia, entre eles, a sensação de que estavam finalmente caminhando na mesma direção.

Foi nesse clima de compreensão mútua que Gael decidiu se mudar para o apartamento dela. No início, Eloá hesitou, não por falta de desejo, mas pelo peso da decisão. Era como oficializar algo que ainda vivia em segredo. Porém, a presença dele ao seu lado se tornou um alívio tão grande, que a escolha foi natural. Aos poucos, foram ajustando os detalhes: suas roupas misturadas às dela no guarda-roupa, o café da manhã compartilhado, as conversas até tarde no sofá. Mais do que um casal escondido, viviam como um verdadeiro lar.

Nos dias de consulta, Gael passou a acompanhá-la, orgulhoso de estar ao lado dela em cada passo daquela fase delicada. Ele segurava sua mão na sala de espera, prestava atenção em cada palavra do médico e se mostrava atento até aos detalhes que ela mesma esquecia. Quando o apresentou a Brook, Eloá sentiu-se apreensiva. Brook era, de certo modo, uma guardiã silenciosa da sua vida, alguém que já havia testemunhado seus medos e fragilidades.

De imediato, Brook não gostou da ideia de saber que Eloá já estava morando com alguém. O olhar dela era de cautela, como se estivesse avaliando Gael em silêncio, tentando enxergar além da superfície. Mas bastou perceber a forma como ele olhava para Eloá, para que suas desconfianças começassem a se dissolver.

— Então… você é o pai do bebê? — Brook perguntou, como quem precisava ouvir a confirmação com seus próprios ouvidos.

Gael não hesitou.

— Sou sim. E vou estar ao lado dela em cada momento.

Brook sustentou o olhar dele por alguns segundos, séria, até que um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— Nesse caso, fico mais tranquila.

Eloá, que até então prendia a respiração, sentiu os ombros relaxarem. Era como se aquele aval tivesse colocado um pouco da sua vida em ordem. Brook, no fundo, se alegrou em saber que Eloá não estava sozinha. Ainda que tivesse reservas quanto à rapidez com que tudo havia acontecido, ficou feliz em saber que havia alguém disposto a dividir o peso daquela nova etapa.

Para Eloá, aquela aceitação foi um alívio. Sentia que, aos poucos, o caos começava a dar espaço a uma nova ordem, mesmo que tímida, mesmo que construída passo a passo. Não estava tudo perfeito, nem tudo estava resolvido, mas ela tinha Gael ao seu lado, o bebê se desenvolvendo dentro dela e agora até pensava que as coisas poderiam, de alguma maneira, se ajustar.

[…]

O apartamento estava em silêncio, exceto pelo som abafado do zíper que Eloá fechava na última mala. O cheiro do jantar que Gael havia improvisado enquanto ela terminava de organizar as roupas ainda tomava conta do ar. Era estranho pensar que, até pouco tempo atrás, aquela cozinha ainda parecia apenas dela, mas agora havia duas canecas sobre a pia, duas escovas no banheiro, e o casaco de Gael pendurado junto ao dela no cabideiro da entrada.

Pegando o celular, Eloá respirou fundo antes de digitar. “Oi, pessoal. Vou assim que minhas férias começarem. Estou com saudade.”

Ela leu a frase três vezes antes de apertar o botão enviar. Não mencionou o dia exato da viagem, deixou tudo propositalmente vago. Sabia que, de qualquer modo, a mensagem acenderia a expectativa em casa.

— Mandou? — Gael perguntou, apoiando-se no batente da porta, de braços cruzados.

— Mandei. — Assentiu, deixando o celular de lado. — Só disse que vou assim que as férias começarem. Não dei mais nenhum detalhe.

Ele arqueou uma sobrancelha, vendo o nervosismo aparente nela.

— Já está preparando algo para dizer quando chegarmos lá?

— Já pensei em várias coisas — ela suspirou. — Mas acho que o meu pai nem vai me deixar falar direito.

Ele se aproximou, puxando-a pela cintura até que ela encostasse no peito dele.

— Sobre esse problema, eu já pensei numa solução — disse, afastando-se um pouco.

Curiosa, Eloá o acompanhou com os olhos, enquanto ele caminhava até o armário e abriu a gaveta. O silêncio parecia preencher o espaço, deixando-a ainda mais atenta. Quando ele se virou, trazia uma pequena caixinha na mão.

O coração dela disparou.

— Mentira… — sussurrou, levando a mão à boca assim que percebeu do que se tratava. Seus olhos se arregalaram e a respiração ficou curta.

Gael se ajoelhou diante dela, com um olhar vulnerável, e abriu a caixinha, revelando um anel trabalhado em ouro branco, delicado, cravejado com pequenos diamantes que refletiam a luz do abajur. Era elegante, discreto e visivelmente caro.

— Eloá… — ele começou, com a voz baixa, mas convicta. — Não foi exatamente assim que imaginei esse momento. Mas, já que tudo entre nós está acontecendo de maneira tão natural, quero oficializar o que já sinto há muito tempo. Case-se comigo.

Ela levou alguns segundos para reagir, pois as lágrimas já marejavam seus olhos. A voz não saiu. Então, simplesmente assentiu com a cabeça, antes de se lançar nos braços dele, apertando-o em um abraço forte.

Gael sorriu contra o pescoço dela, aliviado, e deslizou o anel em seu dedo. O brilho da joia parecia pequeno diante do brilho que havia nos olhos dela naquele instante.

Depois, segurando o rosto dela entre as mãos, ele a beijou com intensidade, como se confirmasse em silêncio a promessa que acabava de fazer.

— Prometo que, todos os dias da minha vida, serei o marido que te fará sentir amada e o pai que dará orgulho à nossa Amelie.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda