Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 279

Na casa de Saulo, o clima estava mais animado do que nunca. Ele havia colocado uma enorme árvore de Natal na sala, toda decorada com bolas brilhantes e laços vermelhos, e a fachada da casa piscava com uma infinidade de luzinhas coloridas. Enquanto balançava um dos meninos no colo, o outro dormia tranquilamente no carrinho, embalado pelo movimento que ele fazia com um dos pés.

Para ele, aquela pequena rotina com recém-nascidos, após tantos anos afastado desse universo, eram surpreendentemente divertidas. Cada colo e até o cansaço fazia parte da alegria.

— Vou pedir para uma das babás levá-los para o quarto — disse Denise, enquanto surgia na sala, carregando uma bandeja com dois copos de suco.

— Mas eles estão tão quietinhos aqui… — ele comentou, abraçando mais forte o bebê que estava em seu colo.

— Eu sei, mas daqui a pouco a Elisa e o Noah chegam, e o barulho vai começar. Não quer que eles percam a soneca da tarde, quer?

— Jamais! — respondeu, já sorrindo nervoso, sentindo o braço pesar com o filho que ainda segurava. — Mas o que a Elisa foi fazer na capital?

— Comprar os presentes para colocar embaixo da árvore — explicou.

— Mas ela foi de manhã e até agora? — ele insistiu, franzindo a testa.

— Amor… — protestou Denise, já antecipando o sermão do marido.

— Não me venha com essa, morena! Mesmo que os dois estejam noivos, não gosto que fiquem tanto tempo fora, ainda mais sozinhos.

— Você sabe que não vai poder evitar isso para sempre, né? — disse ela, sorrindo com paciência.

— Sim, eu sei, mas enquanto eu puder! — retrucou ele, levantando-se e entregando o filho que estava no colo para a babá, enquanto a outra levava o que estava no carrinho.

— Você está sendo hipócrita, Saulo. Quando namorávamos, você adorava ficar sozinho comigo.

— Sim, e você sabe muito bem o que fazíamos, né? — respondeu, com um sorriso malicioso.

— Ah, como sei — ela riu, lembrando-se da época.

— Consegue imaginar o Noah querendo fazer o mesmo com a nossa filha? — perguntou ele, indignado, cruzando os braços.

— Ai, meu Deus! — ela tomou um gole do suco, fazendo careta. — Você deve estar com muito tempo de sobra para ficar pensando nessas coisas.

— Só estou preocupado com a reputação e a pureza da minha filha — disse ele, franzindo a testa.

— Ai, amor… como se o que ela fizesse ou não com ele pudesse mudar algo nas nossas vidas — retrucou, suspirando.

— Só não quero que sejam precipitados — ele explicou.

— Olha… acho que é melhor a gente caminhar um pouco, o que acha? — sugeriu ela, desviando o olhar.

— Tudo bem — respondeu depressa. — Podemos andar até a beira da estrada. Quem sabe os encontramos no caminho.

— Esquece a Elisa e pensa um pouco mais em outra coisa — ela insistiu, tentando distraí-lo.

— Quer que eu pense em quê? — perguntou, rindo levemente.

— Sei lá… na Eloá, talvez. Sabe quando ela chega?

— Não sei — ele admitiu. — Pelo que sei, as férias na Yale já começaram, então ela deve aparecer a qualquer momento.

— Por que será que ela não disse nada? — Ela franziu o cenho. — Devia ao menos avisar o horário do voo para irmos buscá-la.

— Talvez ela queira nos fazer uma surpresa — ele sugeriu, com um meio sorriso.

— Tem razão — riu baixo. — Deve querer chegar sem avisar mesmo.

— Falando nisso, a Aurora me disse que o Gael também ainda não chegou — comentou, mudando o assunto.

— Vocês demoraram muito.

— Nos distraímos, papai — respondeu ela, com um sorriso leve.

— Com o quê? — questionou ele, arqueando uma sobrancelha.

— Com as compras, oras! — respondeu rindo.

— Hum… espero que seja apenas com isso mesmo — disse Saulo, desconfiado.

Elisa apenas sorriu de lado, evitando que o assunto se prolongasse.

Os quatro permaneceram na varanda, assistindo a noite envolver a casa, as luzes da sala já acesas e o reflexo das estrelas no lago chamavam a atenção. Quando se preparavam para entrar, um farol distante destacou-se na estrada.

— Aquele é o carro do Gael, não é mesmo? — perguntou Elisa, estreitando os olhos.

— Sim, e parece que ele vem acompanhado — disse Noah, percebendo uma figura no banco do passageiro.

— Quem será? — murmurou Denise, curiosa.

À medida que o carro se aproximava, a figura ficou clara: era Eloá.

Todos sentiram uma alegria instantânea, mas o entusiasmo deu lugar à estranheza quando o carro parou e nenhum dos dois desceu. Por alguns segundos, ninguém se moveu.

— Ela… não vai descer? — perguntou Elisa, hesitante, entre surpresa e curiosidade.

Saulo franziu a testa, inquieto. Havia algo naquele gesto que não lhe parecia natural, mas todos decidiram esperar, mantendo os olhos fixos na jovem que, por enquanto, permanecia misteriosamente dentro do carro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda