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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 280

Vendo que a irmã não saía do carro, Elisa se aproximou da porta para abri-la, mas notou que estava trancada.

— O que foi? Não vai descer do carro, não? — perguntou rindo, tentando aliviar o clima, mas ao encontrar o olhar desesperado da irmã, a diversão desapareceu imediatamente.

— Filha… — Denise se aproximou, com o olhar preocupado. — O que houve? Não quer nos dar um abraço?

Eloá permaneceu imóvel, sentindo o corpo tenso. Por um instante, a coragem que guardou durante toda a viagem se esvaiu. Ela virou o rosto em direção a Gael e, com a voz quase inaudível, sussurrou:

— Por favor… me leva embora daqui.

O desespero estampado em seus olhos era impossível de ignorar. Sem dizer uma palavra, Gael engatou a marcha e arrancou o carro, cortando a escuridão da estrada enquanto desaparecia rapidamente. Atrás deles, todos ficaram paralisados, sem entender nada.

— Ei, Eloá! — Saulo gritou, correndo até a beira da estrada, sentindo o coração disparar. — O que está acontecendo?

— O que será que deu naqueles dois? — Noah perguntou, preocupado.

Preocupados, Saulo e Denise pegaram seus celulares ao mesmo tempo, tentando ligar para Gael e Eloá, mas todas as chamadas iam direto para a caixa postal. O silêncio do telefone parecia gritar ainda mais alto do que qualquer som.

— Tem alguma coisa muito errada acontecendo… — disse Denise, tentando controlar a ansiedade que a engolia. — Vi os olhos dela e sei que está nos escondendo algo.

Ainda paralisada, Elisa apertou os braços contra o corpo, lutando contra a sensação de impotência.

— Precisamos ir atrás deles — disse Saulo, determinado. — Não podemos simplesmente ficar aqui esperando.

Denise assentiu, pegando a chave do carro do marido.

— Vamos, antes que seja tarde.

Enquanto corriam para o carro, Elisa olhou para a estrada escura e sussurrou, quase para si mesma:

— O que será que aqueles dois aprontaram?

O carro de Saulo deu a primeira arrancada, abatendo o escuro da noite. Dirigiram em alta velocidade até a vila, passando por ruas desertas e becos iluminados apenas por postes distantes, mas não encontraram sinal do carro de Gael. Sem hesitar, seguiram para a casa de Oliver, na esperança de achar alguma pista.

Quando os quatro desceram do carro, caminharam apressados em direção à porta. Oliver os recebeu com a testa franzida, percebendo imediatamente a urgência no olhar do amigo.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, preocupado.

— Sim, aconteceu! — Denise respondeu, quase sem fôlego. — A Eloá acabou de chegar com o Gael, mas quando pararam em frente à nossa casa, não desceram… apenas nos olharam por alguns segundos e depois fugiram!

Oliver parou bruscamente, como se tivesse levado um choque. Colocou a mão na frente do corpo, solicitando que ela parasse de falar, tentando digerir a informação.

— Espera… — pediu, meio tenso. — Está me dizendo que o Gael já chegou de viagem?

— Isso mesmo… com a minha filha — Saulo interveio, tentando manter a calma. — Só que, em vez de descer com ela, ele arrancou o carro e a sequestrou!

— Sequestrou?! — Oliver franziu o cenho.

Elisa respirou fundo, tentando acalmar o pai.

— Não foi exatamente assim… — começou, hesitante, mas Saulo a interrompeu, incapaz de ouvir qualquer explicação.

— Como assim? — Denise franziu a testa, confusa. — Eu não sabia disso.

— Ele pediu para sermos discretos, porque não sabia se daria certo. Mas agora, depois do que aconteceu… só pode ser isso.

— É verdade — disse Noah, balançando a cabeça. — Isso explica por que chegaram juntos, e sem avisar ninguém.

Mais tranquila com a ideia, Denise começou a rir baixinho.

— Não acredito… — falou, sentando-se no sofá. — Aqueles dois estão com vergonha de nos contar a verdade. Que bobos!

— Eu ainda não acredito nisso — disse Saulo, aproximando-se da janela de vidro, com o olhar perdido na estrada escura. — A Eloá não é do tipo que corre atrás de namorado.

— Já disse para parar de subestimá-la, amor — Denise o interrompeu, sorrindo com a paciência típica que ele sempre exigia.

— Deve ser por isso que eles fugiram — disse Elisa, caindo na risada. — Sabiam que teriam que encarar o olhar severo do papai.

— Eu não estou achando graça nenhuma nisso — advertiu Saulo, com um leve constrangimento. — O fato de eu aceitar ou não, não dá o direito deles fugirem assim. Se isso for verdade, o Gael se mostrou um grande covarde por não querer me enfrentar.

— Acho que não foi ele quem estava com receio, pai — disse Elisa, franzindo a testa. — Pelo olhar da Eloá… era ela quem estava com medo.

— Por que a minha filha estaria com medo de mim? — Saulo perguntou, arregalando os olhos com o olhar indignado. — Por acaso eu sou um monstro?!

— Não, senhor, o senhor não é um monstro — disse Elisa, sorrindo maliciosamente. — Mas quando resolve ficar grudado em alguém, se torna um chato de carteirinha.

Todos caíram na risada, e até Saulo não conseguiu evitar um sorriso contido, embora ainda cruzasse os braços, olhando preocupado para a estrada.

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