Vendo que a irmã não saía do carro, Elisa se aproximou da porta para abri-la, mas notou que estava trancada.
— O que foi? Não vai descer do carro, não? — perguntou rindo, tentando aliviar o clima, mas ao encontrar o olhar desesperado da irmã, a diversão desapareceu imediatamente.
— Filha… — Denise se aproximou, com o olhar preocupado. — O que houve? Não quer nos dar um abraço?
Eloá permaneceu imóvel, sentindo o corpo tenso. Por um instante, a coragem que guardou durante toda a viagem se esvaiu. Ela virou o rosto em direção a Gael e, com a voz quase inaudível, sussurrou:
— Por favor… me leva embora daqui.
O desespero estampado em seus olhos era impossível de ignorar. Sem dizer uma palavra, Gael engatou a marcha e arrancou o carro, cortando a escuridão da estrada enquanto desaparecia rapidamente. Atrás deles, todos ficaram paralisados, sem entender nada.
— Ei, Eloá! — Saulo gritou, correndo até a beira da estrada, sentindo o coração disparar. — O que está acontecendo?
— O que será que deu naqueles dois? — Noah perguntou, preocupado.
Preocupados, Saulo e Denise pegaram seus celulares ao mesmo tempo, tentando ligar para Gael e Eloá, mas todas as chamadas iam direto para a caixa postal. O silêncio do telefone parecia gritar ainda mais alto do que qualquer som.
— Tem alguma coisa muito errada acontecendo… — disse Denise, tentando controlar a ansiedade que a engolia. — Vi os olhos dela e sei que está nos escondendo algo.
Ainda paralisada, Elisa apertou os braços contra o corpo, lutando contra a sensação de impotência.
— Precisamos ir atrás deles — disse Saulo, determinado. — Não podemos simplesmente ficar aqui esperando.
Denise assentiu, pegando a chave do carro do marido.
— Vamos, antes que seja tarde.
Enquanto corriam para o carro, Elisa olhou para a estrada escura e sussurrou, quase para si mesma:
— O que será que aqueles dois aprontaram?
O carro de Saulo deu a primeira arrancada, abatendo o escuro da noite. Dirigiram em alta velocidade até a vila, passando por ruas desertas e becos iluminados apenas por postes distantes, mas não encontraram sinal do carro de Gael. Sem hesitar, seguiram para a casa de Oliver, na esperança de achar alguma pista.
Quando os quatro desceram do carro, caminharam apressados em direção à porta. Oliver os recebeu com a testa franzida, percebendo imediatamente a urgência no olhar do amigo.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, preocupado.
— Sim, aconteceu! — Denise respondeu, quase sem fôlego. — A Eloá acabou de chegar com o Gael, mas quando pararam em frente à nossa casa, não desceram… apenas nos olharam por alguns segundos e depois fugiram!
Oliver parou bruscamente, como se tivesse levado um choque. Colocou a mão na frente do corpo, solicitando que ela parasse de falar, tentando digerir a informação.
— Espera… — pediu, meio tenso. — Está me dizendo que o Gael já chegou de viagem?
— Isso mesmo… com a minha filha — Saulo interveio, tentando manter a calma. — Só que, em vez de descer com ela, ele arrancou o carro e a sequestrou!
— Sequestrou?! — Oliver franziu o cenho.
Elisa respirou fundo, tentando acalmar o pai.
— Não foi exatamente assim… — começou, hesitante, mas Saulo a interrompeu, incapaz de ouvir qualquer explicação.
— Como assim? — Denise franziu a testa, confusa. — Eu não sabia disso.
— Ele pediu para sermos discretos, porque não sabia se daria certo. Mas agora, depois do que aconteceu… só pode ser isso.
— É verdade — disse Noah, balançando a cabeça. — Isso explica por que chegaram juntos, e sem avisar ninguém.
Mais tranquila com a ideia, Denise começou a rir baixinho.
— Não acredito… — falou, sentando-se no sofá. — Aqueles dois estão com vergonha de nos contar a verdade. Que bobos!
— Eu ainda não acredito nisso — disse Saulo, aproximando-se da janela de vidro, com o olhar perdido na estrada escura. — A Eloá não é do tipo que corre atrás de namorado.
— Já disse para parar de subestimá-la, amor — Denise o interrompeu, sorrindo com a paciência típica que ele sempre exigia.
— Deve ser por isso que eles fugiram — disse Elisa, caindo na risada. — Sabiam que teriam que encarar o olhar severo do papai.
— Eu não estou achando graça nenhuma nisso — advertiu Saulo, com um leve constrangimento. — O fato de eu aceitar ou não, não dá o direito deles fugirem assim. Se isso for verdade, o Gael se mostrou um grande covarde por não querer me enfrentar.
— Acho que não foi ele quem estava com receio, pai — disse Elisa, franzindo a testa. — Pelo olhar da Eloá… era ela quem estava com medo.
— Por que a minha filha estaria com medo de mim? — Saulo perguntou, arregalando os olhos com o olhar indignado. — Por acaso eu sou um monstro?!
— Não, senhor, o senhor não é um monstro — disse Elisa, sorrindo maliciosamente. — Mas quando resolve ficar grudado em alguém, se torna um chato de carteirinha.
Todos caíram na risada, e até Saulo não conseguiu evitar um sorriso contido, embora ainda cruzasse os braços, olhando preocupado para a estrada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...