Entrar Via

Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 281

— Eu não acredito que fizemos isso… — disse Gael, enquanto dirigia pela estrada pouco iluminada, sem rumo certo.

— Eu… eu não consegui — murmurou Eloá, com os olhos marejados, tentando segurar o choro, mas falhando.

Gael encostou o carro no acostamento, desligando o motor. O silêncio da noite parecia amplificar cada batida do coração deles.

— Shhh… — sussurrou ele, virando-se levemente para ela. — Está tudo bem. Você ficou nervosa. É natural. Eu… eu entendo.

Inclinando a cabeça contra o ombro dele, Eloá sentiu o calor de seu corpo e a segurança que emanava.

— Mas e agora? — murmurou, quase sem voz.

— Agora — disse Gael, passando a mão suavemente pelo cabelo dela —, você só precisa se acalmar e saber que não há nada a temer. Estou aqui e não vou a lugar algum.

Ele se inclinou, envolvendo-a em um abraço, como se quisesse proteger cada parte dela. Eloá deixou escapar um suspiro, sentindo o peso do nervosismo se dissipar aos poucos.

Gael inclinou a cabeça, pousando um beijo leve na testa dela.

— Você é incrível, sabia? Eu te admiro demais.

Respirando fundo, ela deixou o corpo relaxar nos braços dele.

— Eu só… só não queria desapontar ninguém.

— Não tem como desapontar alguém quando está sendo verdadeira — disse ele, olhando-a nos olhos. — E comigo, você nunca precisará ter medo de nada.

O abraço se apertou e ele baixou ainda mais, beijando seus lábios com delicadeza e sem pressa de soltar. Ela correspondeu, hesitante no início, mas rendendo-se à segurança e ao afeto que transbordava dele.

— Eu te amo — Gael murmurou contra os lábios dela, e Eloá sentiu o mundo se acalmar por alguns instantes.

Quando seus lábios se afastaram, ela respirou fundo, sentindo o coração desacelerar um pouco.

— O que será que eles estão pensando agora? — murmurou, sem se afastar dele.

— Eu não sei… — respondeu Gael, lançando um olhar cuidadoso para a noiva. — Mas, pela expressão de todos, ninguém deve estar entendendo nada.

Ainda nervosa, Eloá mordeu o lábio.

— Tive que desligar o telefone. A Elisa, a mamãe e o papai não paravam de me ligar.

— O Noah e meu pai também me ligaram. Provavelmente, seus pais já foram até a casa deles.

— Acha que estão todos reunidos agora? — ela indagou.

— Com certeza… — ele suspirou, sentindo a ansiedade apertar o peito. — Então acho que é a melhor hora para irmos até lá. Assim, falamos de uma vez o que todo mundo precisa saber.

— E se eu não conseguir?

Acariciando o rosto dela, Gael sussurrou.

— Está tudo bem. Eles vão entender.

Eloá respirou fundo, erguendo o queixo devagar, enquanto todos ainda processavam a surpresa. Antes que qualquer um pudesse falar, Saulo avançou alguns passos em direção à filha, os olhos fixos nela tentavam compreender a cena que se desenrolava diante dele. Seu rosto estava tenso, a respiração acelerada e cada batida do coração parecia amplificar sua inquietação.

— O que significa isso? — sua voz saiu alterada, enquanto observava os dois de mãos dadas, sem entender nada.

— Pai… a gente precisa conversar com o senhor — Eloá começou, hesitante, tentando escolher as palavras certas.

— Conversar? — ele interrompeu, arqueando uma sobrancelha, num tom incrédulo. — Pela cena que estou vendo, acha mesmo que preciso ouvir alguma coisa? — sua voz tremeu de nervoso.

Ele deu um passo brusco e, num impulso, segurou o braço da filha, afastando-a de Gael.

— Você está grávida… Eloá? — Indagou nervoso, deixando que a preocupação e a raiva ficassem estampadas em cada linha de seu rosto.

A jovem estremeceu, com os olhos marejados, sem saber se começava a chorar ou se enfrentava o olhar do pai. Percebendo o nervosismo da noiva, Gael aproximou-se com cuidado, segurando suavemente a mão de Saulo.

— Saulo, por favor! Você está machucando ela. — Gael disse, tentando tirar a mão do sogro do braço da namorada. — Viemos até aqui esclarecer tudo. Esse bebê é minha responsabilidade e eu vou cuidar dele!

— Quer dizer que foi você, seu desgraçado?! — Saulo gritou, recuando alguns passos, encarando Gael. O rosto vermelho e os olhos faiscando revelavam a raiva que transbordava em cada músculo do corpo.

Antes que Gael pudesse responder, sentiu o primeiro soco acertando seu rosto.

— Eu vou te matar!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda