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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 287

Ver que seu pai estava disposto a tentar mudar aquela situação, trouxe um sorriso aliviado ao rosto de Eloá.

— Acho que podemos, sim — disse, com cuidado —, mas para isso, o senhor precisa me escutar sem julgamentos.

Ele assentiu, pressionando os lábios, como quem tentava segurar a própria ansiedade.

Eloá começou a falar, abrindo o coração como nunca antes. Contou tudo ao pai: desde o encontro com Gael na casa de praia até o momento em que descobriu a gravidez. Não mencionou que, de início, estava tentando se encontrar com Henri, sabia que isso desencadearia outro show do pai, mas foi sincera em cada detalhe: seus medos, suas inseguranças e seus erros.

— Sei que não foi assim que o senhor imaginou que seria o meu futuro, mas é o que está acontecendo agora — admitiu.

— E a faculdade, Eloá? — perguntou ele, preocupado.

— Eu vou continuar — respondeu, determinada. — A faculdade tem programas que incentivam alunas grávidas a não pararem os estudos. Além disso, o Gael prometeu que vai estar ao meu lado e cuidar do bebê enquanto eu estiver estudando.

— Ah, o Gael… — ele bufou, contrariado. — Essa história de vocês dois juntos nos Estados Unidos me desagrada tanto que, só de pensar, me dá vontade de ir até lá e socá-lo de novo.

— Não faça isso, pai — pediu ela, firme. — Eu o amo, e ele me ama. Sei que somos jovens, mas vamos conseguir dar conta de tudo.

Ele respirou fundo, olhando para a filha com um misto de preocupação e ternura que sempre sentiu.

— Sei que vão conseguir, Eloá… — murmurou. — Não é a idade de vocês que a impedirá, e sim que você, minha filhinha… minha Eloá… não deveria ter que sair debaixo das minhas asas tão cedo.

Eloá sentiu o coração apertar, mas também a leveza de que seu pai estava ficando mais flexível.

— Sou a mesma de sempre — disse Eloá, respirando fundo —, só que agora com mais responsabilidades.

Tentando pensar positivo, Saulo sorriu, havia uma ponta de orgulho e nostalgia atravessando o seu olhar.

— Me diz, está à espera de uma menina, não é mesmo?

— Sim — respondeu ela, com um brilho nos olhos. — O nome dela será Amelie.

— Amelie? — ele se surpreendeu, contagiado pelo encanto da escolha. — Fez uma ótima escolha.

— Obrigada, pai. Eu sempre gostei desse nome.

Ele balançou a cabeça, rindo baixo, ainda incrédulo.

— Não acredito… ainda não caiu a ficha que serei avô. Meu Deus… logo agora, que acabei de me tornar pai novamente.

Tentando aliviar a tensão, Eloá sorriu.

— Os meninos são lindos, como o senhor.

Ele arqueou as sobrancelhas, orgulhoso.

Eloá fechou os olhos, se permitindo sentir aquela paz que há muito não sentia. Pela primeira vez em meses, respirou fundo e percebeu que, apesar de tudo, ainda havia amor, compreensão e esperança.

— Vamos aproveitar esse momento — disse Saulo, quebrando o silêncio. — Sei que ainda há muito a resolver, mas hoje, apenas hoje, vamos ficar juntos, como família.

Sorrindo entre lágrimas, Eloá apoiou-se nos braços dos pais, mas o barulho de um veículo se aproximando da casa chamou sua atenção.

— Lá vem o Oliver — disse Denise, observando pela varanda.

— Sim — respondeu Saulo, franzindo o cenho.

O automóvel parou em frente à casa e dele desceram Oliver, Aurora e Gael. Todos estavam sérios, com olhares tensos, e caminharam até a varanda, onde encontraram os três na rede.

— Bom dia a todos — disse Oliver, com a voz grave e controlada.

— Bom dia — responderam em uníssono.

— Sei que ainda é cedo, mas algumas conversas não podem ser adiadas — afirmou Oliver, encarando cada um com intensidade.

— Você tem razão — disse Saulo, levantando-se e se aproximando de Gael, cujo rosto inchado e marcado pelos hematomas contava silenciosamente a noite difícil que passou. — É melhor resolvermos isso logo — concluiu, estreitando os olhos.

Eloá sentiu um arrepio percorrer sua espinha; embora seu pai estivesse sendo flexível com ela, ainda havia uma barreira invisível e pesada entre ele e Gael.

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