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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 288

Antes que a conversa se transformasse em um debate, Denise tomou as rédeas da situação.

— Que tal irmos todos para o jardim? Vou pedir que sirvam o café para todos.

— Ótima ideia, mãe — disse Eloá, um pouco nervosa.

Todos assentiram e começaram a caminhar em direção aos fundos da casa. Quando viu o pai se afastar, Eloá se aproximou de Gael e, com cuidado, tocou o rosto dele.

— Não acredito que ficou assim por minha causa — sussurrou, sentindo o coração apertar.

— Já te disse que não me importo com nada do que aconteça comigo, contanto que, no final, tudo fique bem para você — disse ele, olhando-a profundamente nos olhos.

— Gael, eu sinto muito pelo que meu pai fez.

— Não sinta, meu amor — respondeu, tocando a mão dela. — Só quero que resolvamos tudo e possamos ficar bem novamente.

A tranquilidade com que ele falava passava um pouco de segurança para o coração aflito dela.

— Como foi sua noite? Conseguiu dormir? — Ele continuou.

— Não… não consegui pregar os olhos — ela revelou.

— Eu também não — confessou, com um leve sorriso. — Acho que meu corpo já se acostumou com a sua companhia e não ter você ao meu lado na cama foi um pesadelo terrível.

Ouvi-lo dizer aquilo fez um arrepio percorrer Eloá, lembrando-a da mesma sensação de vazio por não poder dormir envolta nos braços dele.

— O meu pai parece mais calmo hoje, então vamos tentar consertar tudo isso, certo? — disse Eloá.

— Claro, eu só saio daqui hoje quando tudo estiver certo entre nós. — Discretamente, ele se curvou e lhe deu um beijo nos lábios.

Os dois caminharam juntos para os fundos da casa, onde todos já estavam acomodados à grande mesa de madeira.

Mesmo sob o olhar de reprovação do pai, Eloá fez questão de se sentar ao lado de Gael e, por debaixo da mesa, mantiveram as mãos entrelaçadas.

— Tudo bem, enquanto o café não chega, acho que já podemos iniciar a conversa. O que acha? — perguntou Oliver.

— Concordo — disse Saulo.

Embora ambos estivessem abertos ao diálogo, era perceptível o clima estranho entre os dois amigos de longa data.

— Ontem à noite conversamos bastante com o Gael e ele nos contou como tudo aconteceu — começou Aurora. — Sei que foi uma surpresa para todos, mas, diante das circunstâncias, acredito que devemos encontrar uma maneira de apoiá-los no que precisarem.

— Concordo plenamente — continuou Oliver. — Já fomos jovens e sabemos que situações assim podem acontecer.

— Nem sempre — protestou Saulo. — Se os dois tivessem avisado desde o início que se gostavam, poderíamos ter apoiado o namoro e orientado pelo caminho certo.

Denise tocou a mão do marido, pedindo com o olhar que não se excedesse.

— Tudo bem, morena. — Ele suspirou. — Só estou dizendo que, se tivessem esperado até o casamento, nada disso teria acontecido.

— Mas foi o senhor que pediu que ele falasse! — protestou Eloá, entrelaçando suas mãos nervosamente.

— Sim, e agora peço que se cale! — ordenou Saulo. — Oliver, pode continuar.

Oliver revirou os olhos, mantendo a paciência.

— O Gael tem um cargo na empresa que pode ser feito muito bem remotamente. Ele vai continuar ao lado da Eloá, e os dois morarão nos EUA até ela terminar os estudos. Quando voltarem, a casa que ele pretende construir já estará pronta, e assim viverão juntos.

— Me parece uma boa alternativa — concordou Denise, aliviada.

— Você conseguirá estudar e cuidar de um bebê, Eloá? — Saulo perguntou, ainda preocupado.

— Sei que não será fácil, mas vou aprender a lidar com a rotina — respondeu ela, com um sorriso determinado.

— Além disso, vou contratar alguém para cuidar do bebê, assim não ficaremos sobrecarregados — disse Gael, com segurança.

— Eu não disse para você ficar quieto? — cortou Saulo, impaciente.

— Não posso ficar quieto quando o assunto é a minha vida e o futuro da sua filha — retrucou Gael, com olhar decidido. — Sei que está bravo comigo, mas a partir do momento em que me casar com ela, ela será a minha responsabilidade. E é por isso que preciso assumir as rédeas agora. Saulo, o senhor me conhece desde que nasci, sabe da minha conduta, do meu caráter, do homem que sou. Sim, erramos em não contar tudo de imediato, mas eu amo a sua filha e só quero o melhor para ela. Apenas me permita ser o homem que estará ao lado dela pelo resto da vida.

— Homem, é... — disse Saulo, respirando fundo e erguendo uma sobrancelha. — Escute bem: não admito deslizes, então não me decepcione… ou vou arrancar aquilo que você guarda entre as pernas e o farei sentir o peso do que é desrespeitar a minha filha.

Gael engoliu em seco, ciente de que aquela não era uma metáfora; a ameaça era concreta e muito real.

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