Quando a família Caetano se despediu deles, Eloá dirigiu-se ao quarto para se arrumar para a viagem à capital com a mãe. Pelo corredor, deparou-se com Elisa saindo do próprio quarto.
A irmã lhe encarou por alguns segundos, mas permaneceu em silêncio. Eloá respirou fundo e decidiu tomar a iniciativa.
— Bom dia.
— Bom dia — respondeu Elisa, num tom contido, revelando seu desconforto.
— Será que podemos conversar um pouco? — perguntou Eloá, cautelosa.
— Estou ocupada agora — disse Elisa, começando a caminhar pelo corredor, evitando o olhar da irmã.
— Por favor, Elisa… sei que está brava comigo, mas tive meus motivos.
Elisa parou por um instante, sem se virar.
— Sei que teve… — murmurou. — Mas isso não muda o fato de que você não confiou em mim.
— Eu estava com vergonha de te contar o que aconteceu — Eloá explicou, com a voz trêmula.
— Desde quando houve esse sentimento entre a gente, hein? — disse, finalmente se virando. O olhar furioso encontrava o dela. — Sempre compartilhamos tudo, desde as coisas mais bobas até os problemas mais complicados.
— Eu sei disso, e me arrependo muito — confessou, tentando suavizar o clima.
— Não importa o que você sente agora. Pelo que percebi, as coisas já se resolveram entre todos. Então… apenas aproveite.
— Não posso aproveitar nada sabendo que você continua chateada comigo — rebateu Eloá.
— Desde quando o que sinto importa para você? — murmurou Elisa, cruzando os braços. — Se tivesse pensado nos meus sentimentos, nem você, nem o Gael teriam mentido para mim.
— Ele não disse nada porque eu pedi que mantivesse segredo — respondeu, deixando evidente o sentimento de culpa por ter feito aquilo.
— Como você quis manter segredo de alguém que só quer o seu bem? — perguntou frustrada, deixando claro que não era apenas raiva, mas desapontamento.
— Você tem razão, e eu entendo completamente como se sente. Eu me sentiria da mesma forma se tivesse sido deixada de fora de algo importante. Mas eu te peço, minha irmã… não fique chateada comigo para sempre. Eu te amo e tudo o que eu quis foi proteger seus momentos felizes, sem estragá-los com os meus problemas.
Percebendo que os olhos da irmã estavam lacrimejando, Elisa sentiu um aperto no peito, consciente de que havia sido dura demais. Estava chateada? Sim, mas sabia que, às vezes, na vida adulta, surgem problemas que preferimos guardar para nós ou tentar resolver sozinhos.
— Olha, não precisa ficar assim, tá? — disse, com suavidade. — Você está grávida, não pode se deixar abater para não transmitir esses sentimentos ao bebê. Minha raiva é apenas momentânea, logo vai passar. Então, tenha um pouco de paciência.
Eloá assentiu, ciente de que não podia exigir muito da irmã.
— Tudo bem.
— Agora vou tomar café, preciso resolver algumas coisas com o Noah. Mais tarde, nos vemos novamente.
Elisa se despediu com um aceno de mão e deixou a irmã parada no corredor por alguns segundos. Sem mais o que fazer naquele momento, Eloá foi para o quarto, se vestiu e saiu em busca da mãe, que terminava de vestir um dos gêmeos.
— Estou pronta — disse Eloá.
— Tudo bem, eu já estou quase terminando aqui também — respondeu Denise.
— Vamos levar os bebês? — perguntou, fazendo carinho na bochecha de um dos irmãos.
— Oh, não! Eles vão ficar com o seu pai e com as babás. Nossa ida à capital será longa e cansativa; levá-los atrasaria ainda mais.
— Tudo bem — concordou Eloá.
— Vou ligar para a Aurora e ver se ela já está vindo.
— Por que não passamos lá para buscá-la? — questionou Eloá.
— Olha — começou, escolhendo bem cada termo — tudo que aconteceu… foi o certo. Eu sabia que você e o meu irmão eram as pessoas certas um para o outro, e jamais interferiria nisso.
Eloá ergueu os olhos, surpresa.
— Como sabia? — perguntou.
Mesmo sem perder a seriedade, Henri sorriu de leve.
— Porque os olhos do Gael sempre estiveram voltados para você… Ele te venera. Para ele, você é o centro do mundo. Eu sabia que era questão de tempo para você perceber que era ele a pessoa certa.
Respirando fundo, Eloá sentiu o coração bater mais rápido.
— Eu… eu sei disso. Só… ainda é estranho para mim vê-lo assim, tão seguro, e perceber que tudo foi pensado para o nosso bem.
— Não se preocupe comigo — disse ele, com um sorriso tranquilo. — Sempre fomos bons amigos, não é mesmo? Agora, será minha cunhada e espero que não seja diferente. Torço muito pela felicidade de vocês, Eloá, de verdade. Nunca vi meu irmão tão feliz na vida, e aposto que você também está, apesar de tudo.
Eloá ergueu a cabeça, sentindo um calor confortável no peito.
— Tem razão. Apesar de tudo, estou muito feliz com o seu irmão e espero que seja assim pelo resto de nossas vidas.
— Pode ter certeza disso.
Nesse instante, a porta da frente se abriu e Aurora e Denise apareceram, com suas expressões animadas.
— Tudo pronto, podemos ir? — perguntou Denise, radiante.
— Podemos sim — disse Eloá, levantando-se e sorrindo, contagiada pelo entusiasmo da mãe.
— Vamos escolher o seu vestido e aproveitar para comprar algumas coisinhas para as nossas bebês também! — exclamou Aurora, abraçando Eloá com carinho. — Mesmo sendo tia e sobrinha, tenho certeza de que Helena e a Amelie vão crescer como melhores amigas. Já posso até imaginar as duas juntas, rindo e brincando sem parar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...