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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 296

Na varanda, Elisa aproveitava o clima tranquilo do feriado e se deitou ao lado do namorado na rede, apoiando a cabeça em seu peito. Entre risos e carícias, ela tirou algumas fotos dos dois e postou nas redes sociais, compartilhando a felicidade daquele instante.

— Quando nos casarmos, quero que a ceia de Natal seja em nossa casa — disse ela, enquanto olhava para o céu iluminado pelo fim de tarde.

— Como quiser, meu amor — respondeu ele, abraçando-a com mais força.

Por alguns minutos, ficaram em silêncio, deixando apenas o som da brisa e das folhas ao redor preencher o espaço entre eles.

— Como está o andamento da casa? — perguntou ela, quebrando o silêncio com interesse genuíno.

— Estão terminando a laje — ele respondeu, com um pequeno suspiro.

— Ainda? — murmurou, fazendo um bico, nitidamente frustrada.

— Amor, eu te disse que seria uma construção demorada — disse ele, sorrindo, tentando acalmar a ansiedade dela.

— Eu sei, mas é que… — ela começou, e então parou bruscamente, engolindo em seco.

— O que foi? — perguntou Noah, preocupado.

— Não é nada — respondeu, desviando o olhar, sentindo um aperto no peito.

— Pode falar, amor. Sabe que não deve esconder nada de mim — insistiu, com um tom mais atencioso.

Ela respirou fundo, encarando o horizonte antes de se decidir:

— É que, depois do que aconteceu com a Eloá e o Gael… — começou, hesitando — sinto que estamos perdendo muito tempo. Eles nem namoraram direito e já estão prestes a se casar e ter um bebê, enquanto a gente… a gente fez tudo certinho, e ainda estamos aqui, esperando o momento certo.

Noah ficou em silêncio por alguns segundos, deixando que as palavras dela caíssem entre eles. Ele passou a mão pelo cabelo dela, ajeitando alguns fios que caíam sobre o rosto, e a olhou nos olhos.

— Sei como você se sente — disse ele finalmente —, e não se engane, cada momento que passamos esperando valerá a pena. A nossa hora vai chegar, Elisa. E quando chegar, será perfeita.

Ela sorriu, um sorriso tímido. Encostou a cabeça ainda mais em seu peito, sentindo a segurança que ele transmitia.

— É difícil, às vezes — murmurou —, ver todo mundo avançando enquanto a gente continua aqui, mas… você me faz acreditar que tudo tem seu tempo.

— Sempre vai ser assim — respondeu Noah, beijando a testa dela. — E enquanto isso, podemos aproveitar cada instante que temos juntos.

Elisa suspirou, fechando os olhos por um momento, deixando o corpo relaxar completamente na presença dele.

— Você tem razão. Talvez eu precise apenas aprender a aproveitar o presente em vez de me preocupar com o que ainda não chegou.

— Isso mesmo — disse ele, apertando-a levemente. — E olha só, enquanto a casa não fica pronta, nós temos todo o tempo do mundo para sonhar e planejar cada detalhe do nosso futuro.

Ela abriu os olhos e sorriu, sentindo finalmente a leveza no peito.

— É, e talvez eu precise parar de me comparar com os outros. Eles têm a história deles, nós temos a nossa.

— Exatamente. E a nossa vai ser ainda melhor, porque está sendo construída no nosso tempo, do nosso jeito.

— Não acredito que estou ouvindo isso da minha própria irmã… — disse em voz baixa, cobrindo o rosto com as mãos, enquanto tentava afastar as imagens que sua mente insistia em formar.

Ao se recompor, respirou fundo e lembrou a si mesma que precisava apenas se concentrar na sobremesa e no passeio à vila, mas a cena mental não saía da sua cabeça.

— Elisa, está tudo bem? — A voz de Henri a fez quase pular de susto. O som da porta se abrindo aumentou a surpresa.

Ela virou o rosto, tentando disfarçar, e deu de cara com ele parado na entrada do quarto.

— Oi… — disse, sem jeito. — Está sim — respondeu, tentando controlar o rubor que subia às bochechas.

— Está procurando o Noah? — perguntou ele, arqueando uma sobrancelha.

— Ah, não. Na verdade, estamos indo para a vila agora mesmo. Eu só queria saber se alguém quer ir conosco.

— Posso ir se quiserem. Estou meio entediado… — disse, fechando a porta do quarto atrás de si. — E tenho a leve impressão de que estou ouvindo algumas coisas por aqui — completou sorrindo, deixando claro que falava sobre o que ela havia ouvido antes.

Incrédula, Elisa arregalou os olhos mais uma vez. Não acreditava na naturalidade com que ele tratava o assunto, como se nada fosse constrangedor ou proibido.

— Você… — começou, sem conseguir completar a frase, mordendo o lábio inferior.

— Relaxa — ele interrompeu, sorrindo, caminhando em direção a ela. — Eles só estão se divertindo, né? Não venha me dizer que você e o Noah nunca se pegaram por aí também.

Elisa corou profundamente, desviando o olhar, sentindo-se totalmente sem jeito. Naquele momento, percebeu que era a única ali que ainda não sabia direito como aquilo funcionava.

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