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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 297

Quando encontrou o noivo, Elisa entrou no carro em silêncio, seguida pelo cunhado.

— O que aconteceu? A Eloá e o Gael não quiseram vir? — perguntou Noah, percebendo o rosto pálido dela.

— Eles estão ocupados demais agora — respondeu Henri, com um sorriso sem vergonha, percebendo que Elisa não iria comentar nada.

Não eram necessárias mais palavras para Noah entender o que estava acontecendo.

— Tudo bem — disse ele, dando partida no carro e seguindo em direção à vila.

Enquanto cruzavam as ruas iluminadas, Elisa se perdeu nas cores e brilhos, percebendo como a vila estava bonita e movimentada.

— De todos os anos, este com certeza é o mais bonito — comentou ela, encantada com as luzes e a decoração impecável.

— Com certeza — concordou Noah, acompanhando o olhar dela.

Ao virar algumas ruas, Henri notou que Noah dirigia em direção à rua onde morava Damião e sua família. Então decidiu perguntar curioso.

— O que viemos fazer aqui?

— Encomendei algumas sobremesas e vim buscar — o irmão respondeu.

Noah estacionou o carro do outro lado da rua e desceu dele acompanhado de Elisa.

Enquanto via os pombinhos se afastarem, os olhos de Henri se fixaram na casa de Damião, foi quando viu Catarina sentada em frente, sozinha, distraída com o movimento da rua.

Mesmo de dentro do carro, ele não pôde deixar de notar a beleza da moça e sentiu um aperto ao perceber que não seria fácil ignorá-la.

— Espero que você não cruze meu caminho com tanta frequência — sussurrou para si, com um misto de fascínio e cautela, sabendo que resistir a uma mulher bonita como aquela não seria nada simples.

Após alguns minutos, Noah e Elisa voltaram, carregando algumas formas com doces.

— Por que não desceu para nos ajudar? — perguntou Noah, ao abrir a porta do carro.

— Não sabia que estavam precisando da minha ajuda — respondeu Henri, dando de ombros, tentando parecer indiferente.

Noah revirou os olhos e colocou uma das formas com doces nas mãos do irmão.

— Segura aí — disse, com um sorriso.

Elisa entrou no carro logo em seguida, mas seu olhar acabou se fixando na direção de Catarina, que ainda estava sentada do outro lado da rua.

— Quem é aquela ali? — perguntou, curiosa.

Noah virou a cabeça para seguir o olhar dela e logo avistou a moça.

— Não sei — respondeu, dando de ombros.

— É a filha do novo morador — Henri comentou, aproveitando para observar a garota mais uma vez.

— Do Damião? — perguntou Noah, franzindo a testa.

— Isso mesmo — confirmou Henri.

— Vou com você — respondeu Eloá, com naturalidade, levantando-se do sofá.

As duas se despediram rapidamente e saíram da sala, caminhando lado a lado pela estrada que levava às suas casas.

No caminho, Eloá não pôde deixar de notar que a irmã a olhava de soslaio, de um jeito que misturava curiosidade e um leve constrangimento.

— O que houve? — perguntou Eloá, franzindo a testa, tentando decifrar o olhar da irmã.

— Não é nada — respondeu Elisa, desviando o olhar rapidamente, mordendo o lábio inferior, incapaz de sustentar a atenção nos olhos da irmã.

— Tem certeza? — insistiu a mais nova, desconfiada.

— Sim, tenho — respondeu, forçando um sorriso que não conseguiu disfarçar completamente o nervosismo que a percorria.

Eloá ficou alguns segundos em silêncio, analisando a expressão da irmã. Não era comum Elisa agir dessa maneira. Algo naquele olhar parecia dizer mais do que ela estava disposta a falar.

— Está bem… — murmurou, sem conseguir deixar de sorrir, meio divertida, meio intrigada. — Mas da próxima vez que me olhar desse jeito, juro que vou querer saber o que está pensando.

Elisa corou ainda mais, rindo nervosamente.

O caminho seguiu silencioso por alguns metros, interrompido apenas pelo farfalhar das folhas e o canto distante de alguns pássaros. Por dentro, Elisa sentia uma mistura de desconforto e curiosidade, um pequeno turbilhão de emoções que não sabia exatamente como interpretar. Eloá, por sua vez, sentia-se estranhamente observada, mas de uma maneira que despertava uma sensação de proximidade e confiança.

Quando chegaram em casa, cada uma se dirigiu ao seu quarto para se arrumar. O brilho nos olhos delas refletia a expectativa de uma noite de conversas em família, repleta de risadas, histórias e de pequenos gestos que só tornam uma ceia inesquecível.

No entanto, enquanto tomava banho e deixava a água morna escorrer pelo seu corpo, Elisa não conseguia afastar da mente os acontecimentos daquele fim de tarde. Havia algo na forma como a irmã parecia viver cada momento com tanta intensidade que a deixava inquieta, quase deslocada em relação à própria vida. Nunca sentira inveja da irmã, mas, por mais que tentasse se convencer do contrário, aquele sentimento estranho crescia silencioso dentro dela. Era novo, desconfortável e perturbador; como se uma parte dela soubesse que precisava despertar, sentir mais, ousar mais, mas não soubesse por onde começar. Por mais que quisesse afastar esses pensamentos, sabia que eles não a abandonariam tão facilmente, e a perspectiva de confrontar o que realmente sentia a deixava inquieta, ansiosa e curiosa ao mesmo tempo.

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