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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 299

Dois dias depois, a casa de Saulo fervilhava com o movimento de convidados. O jardim estava decorado com flores brancas, tão delicadas e bem-arranjadas que era difícil acreditar que se tratava de uma celebração de última hora.

Enquanto isso, no quarto, Eloá se concentrava nos últimos detalhes da maquiagem. Sentou-se diante do espelho e, ao se olhar, sentiu uma emoção profunda invadir cada fibra de seu corpo.

— Ainda não acredito que tudo isso esteja acontecendo — disse, com a voz embargada, olhando para Elisa, que estava deslumbrante em um vestido salmão, elegante e sofisticado.

— Pois acredite — respondeu Elisa, aproximando-se e segurando as mãos da irmã, com os olhos marejados. — Eu nunca imaginei que veria você de noiva antes de mim… mas agora que vejo, preciso confessar: você está deslumbrante.

— Você acha mesmo? — perguntou, voltando-se para o espelho, tocando a barriga marcada. — E essa… enorme barriga?

— Ah, essa barriga só realçou ainda mais a sua beleza — disse Elisa, sorrindo.

— Obrigada, maninha — sussurrou Eloá, abraçando a irmã com força, sem conseguir conter as lágrimas. — Obrigada por estar ao meu lado, mesmo depois de tudo.

— Sempre estarei, não importa o que aconteça — respondeu Elisa, segurando o rosto da irmã entre as mãos, como se quisesse gravar aquele momento na memória para sempre.

Sentindo-se amparada, confiante e ainda mais conectada à irmã, Eloá respirou fundo.

— Só tem uma coisa que está me incomodando — confessou Elisa, num tom mais preocupado.

— O que é? — perguntou Eloá, inclinando-se um pouco, atenta às palavras da irmã.

— O fato de que daqui a alguns dias você vai voltar para os Estados Unidos — revelou, baixando o olhar.

— Por quê? — a irmã perguntou, curiosa e levemente apreensiva.

— Irmã… — Elisa ponderou, escolhendo cuidadosamente as palavras. — Nós duas sabemos que você só decidiu ir para lá para… esquecer o... — ela parou de falar, arregalando os olhos. — Você sabe quem — completou, finalmente. — Mas agora que está com o Gael, não vejo necessidade de você voltar para lá.

Eloá assentiu, se afastando um pouco, refletindo sobre o que acabara de ouvir.

— Entendo o seu raciocínio, você tem razão em partes — começou. — Fui para lá para ficar longe do Henri, é verdade… mas, depois que comecei a estudar e morar lá, percebi que foi uma boa escolha. Além disso, o papai fez tanto por mim, me auxiliando na faculdade, no apartamento… Seria um erro desprezar todo esse esforço e jogar tudo para o alto. Por isso, vou ficar até concluir meus estudos.

— Eu entendo — disse Elisa, sorrindo com ternura —, mas aposto que ele não se importaria com nada disso se soubesse que você ficaria aqui, perto da gente.

— Eu sei que não, mas… — Eloá ponderou, sorrindo de leve. — Pode parecer estranho o que vou dizer, mas lá, com o Gael, tenho uma vida muito bonita. Dividimos um apartamento que se transformou em um lar em tão pouco tempo.

— Eu não… não consigo acreditar — disse, olhando de Eloá para o espelho e de volta para ela. — Parece que foi ontem que você estava correndo pela casa com aquelas bonecas, e agora… — ele ergueu as mãos dramaticamente — agora você vai subir ao altar!

Tentando acalmar a emoção, Eloá riu.

— Pai, vai ficar tudo bem…

— Ficar tudo bem? — retrucou, com um sorriso brincalhão e olhos marejados. — Minha filha, você vai casar! Eu nem me preparei psicologicamente para isso! Quem vai me explicar como lidar com essa situação? Alguém? — olhou para Elisa, que ria discretamente no canto.

— Vai ser lindo, papai — disse Elisa, tentando equilibrar o humor do pai com carinho. — Se precisar, estarei aqui para segurar suas lágrimas, se for preciso.

— LÁGRIMAS? — ele exclamou, colocando as mãos na cintura. — Não, não… Eu não vou chorar! — mas o soluço contido e o brilho nos olhos denunciavam que ele já havia perdido essa batalha. — Mas sério… minha pequena Eloá, prestes a se tornar uma mulher casada… e mãe — ele balançou a cabeça, rindo e suspirando ao mesmo tempo — eu não sei se dou risada ou choro!

Eloá se aproximou, segurando as mãos do pai, tentando passar confiança e acalmar o coração dele.

— Pai… você sempre esteve ao meu lado, me apoiando… não é diferente agora. Quero que você fique comigo nesse dia, como sempre esteve.

— Claro que vou! — disse ele, apertando as mãos da filha. — Mas sabe de uma coisa? Depois desse casamento, não vou querer saber de outro tão cedo! — bradou, lançando um olhar estreito para Elisa, que imediatamente se encolheu um pouco, já entendendo o recado do pai.

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