Henri estacionou o carro em frente ao pequeno prédio do seu escritório. Ele desligou o motor, permaneceu por alguns segundos imóvel e lançou um rápido olhar para o lado. Catarina ajeitava discretamente os cabelos ruivos, que haviam escapado do rabo de cavalo durante o trajeto. Sua postura era ereta, mas os dedos inquietos denunciavam o nervosismo que sentia.
— Chegamos — disse ele, rompendo o silêncio com sua voz grave.
Ela assentiu, engolindo em seco, e abriu a porta. O salto médio das sandálias ecoou discretamente no piso da calçada. Havia uma mistura de elegância e simplicidade em cada gesto dela, algo que ele não conseguia ignorar. Ele também saiu do carro, contornou-o e, em um gesto quase instintivo, abriu a porta de vidro do prédio para que ela entrasse primeiro.
— Obrigada, senhor Henri — murmurou, tímida.
— Já te disse… pode me chamar apenas de Henri — lembrou, com um sorriso sutil que parecia provocar mais do que acalmar.
O saguão estava silencioso, exceto pelo som distante de alguns funcionários que começavam a chegar. Henri caminhava com passos apressados, cada vez mais consciente de que, naquele dia, não seria apenas o trabalho que exigiria sua concentração. Ao seu lado, Catarina seguia em silêncio, absorvendo cada detalhe com olhos curiosos e ansiosos.
Ao chegarem ao segundo andar, atravessaram um pequeno corredor. No final dele, estava a sala que havia herdado como seu novo posto de responsabilidade. Em frente à porta principal, uma mesa de trabalho estava cuidadosamente posicionada, era ali que Catarina passaria seus dias como assistente.
Ele parou diante da porta e indicou o local.
— Essa será a sua mesa. Aqui você vai ter acesso ao telefone, computador, agenda de compromissos e toda a papelada que precisar organizar para mim.
Ela se aproximou lentamente da mesa, passando a mão sobre a superfície de madeira como quem testava a realidade. Tudo parecia novo, recém-instalado, esperando para ser ocupado.
— É linda… — murmurou, quase sem perceber que havia falado em voz alta.
Arqueando uma sobrancelha, observou-a com atenção. O modo como ela dizia as coisas, sempre com aquela simplicidade desarmante, mexia com ele de uma forma inesperada.
— E é sua, a partir de hoje — disse, mais firme, tentando recuperar a postura profissional. — Quero que se sinta confortável para organizar suas coisas.
Catarina assentiu, ainda um pouco sem jeito, e começou a abrir as gavetas, examinando os materiais já disponíveis. Havia pastas, canetas, blocos de anotações. Tudo parecia em ordem.
— Se precisar de algo que não esteja aqui, pode me avisar — acrescentou, cruzando os braços.
Ela levantou o olhar, seus olhos faiscavam com uma timidez serena.
— Está perfeito, obrigada.
Por alguns segundos, os dois se encararam. O silêncio que pairava entre eles parecia mais do que um simples protocolo de trabalho. Henri sentiu o impulso de prolongar aquele momento, mas respirou fundo e recuou.
— Muito bem. Estarei ali dentro — disse, apontando para a porta atrás da mesa. — Hoje vou começar a revisar alguns contratos. Preciso que organize a agenda das entrevistas e verifique os e-mails. Se houver algo urgente, me avise.
— Pode deixar, farei isso agora mesmo.
Ele se virou e entrou em sua sala. O som da porta se fechando atrás dele soou quase como um aviso: dali para frente, teria que lutar contra seus próprios pensamentos.
Sobre a mesa, pilhas de documentos aguardavam por sua análise. No entanto, seus olhos não conseguiam se fixar apenas no trabalho.
Enquanto se sentava na poltrona, cruzando os braços atrás da cabeça, deixou escapar um suspiro.
— O que foi que eu fiz? — murmurou para si mesmo.
Contratar Catarina havia sido, sem dúvida, uma decisão impulsiva. Ele tinha consciência de que seu pai talvez tivesse razão ao desconfiar de suas intenções. Afinal, desde o primeiro instante em que a viu, aquela moça de aparência simples e sorriso tímido havia ocupado sua mente mais do que deveria.
— Ah, sim, você tem razão. Obrigado — disse, finalmente, estendendo a mão.
Ela entregou a pasta e sem querer seus dedos roçaram nos dele.
— Catarina.
Ela se voltou, surpresa.
— Está tudo bem aí fora? Está conseguindo organizar as coisas?
— Sim, senhor. Já revisei os e-mails e deixei a agenda pronta.
— Perfeito — respondeu assentindo. — Continue assim.
Ela sorriu de novo e saiu, fechando a porta com suavidade.
Permanecendo com o olhar na porta, refletiu. A cada instante, ficava mais claro que sua maior batalha naquele novo cargo não seria apenas com os números, contratos e decisões empresariais, mas consigo mesmo.
Ele teria que aprender a domar seus instintos, a controlar cada olhar e cada impulso. Catarina era sua assistente agora, e, por mais que seu corpo gritasse o contrário, precisava respeitar isso.
Recostou-se na poltrona, passando as mãos pelo rosto, como se tentasse dissipar os pensamentos proibidos.
— Vai ser um longo dia… — murmurou, antes de finalmente abrir outro contrato e tentar se perder nas linhas frias da papelada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho Traçado - Uma babá na fazenda
Além de pular capítulos, ainda não tem os capítulos bônus! Onde podemos ler a história completa e de graça?...
Os capítulos 73. 74 estão faltando ai ñ da para compreender e ficamos perdidas...
Alguém tem esse livro em PDF ?...
Do capítulo 70 em diante não se entende mais nada, pulou a história lá pra frente… um fiasco de edição!!!...
A partir do capítulo 10, vira uma bagunça, duplicaram a numeração dos capítulos, para entender é preciso ler apenas os lançados em outubro de 2023, capítulo 37 está faltando, a rolagem automática não funciona, então fica bem difícil a leitura! Uma revisão antes de publicar não faria mal viu!!!...
Nossa tudo em pe nem cabeça, tufo misturado, não acaba estórias e mistura com outro, meu Deus...
Lindo demais...