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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 308

O relógio marcava o final do expediente quando Catarina finalmente fechou seu computador, satisfeita com o trabalho realizado naquele primeiro dia. Uma sensação de conquista a invadia, misturada com uma pontada de nervosismo típica das primeiras experiências. Guardou suas coisas com cuidado, organizou os papéis e desligou a luz da sala, já que seu chefe havia saído mais cedo. A vila começava a escurecer, mas o céu ainda guardava tons alaranjados, refletindo o entusiasmo que sentia por dentro.

Enquanto fazia o trajeto para casa a pé, revivia mentalmente cada momento do dia: a forma como Henri lhe explicava algumas tarefas, seu olhar atento e, principalmente, aquele sorriso leve, meio provocador, que parecia se fixar em sua memória. Era um misto de profissionalismo e charme que a deixava admirada e constrangida. Um arrepio percorreu sua espinha só de lembrar do momento em que seus dedos roçaram nos dele e seus olhares se cruzaram por segundos que pareceram infinitos.

A ansiedade de contar para a mãe como havia sido o primeiro dia de trabalho a deixava quase sem fôlego. Ela já podia imaginar o seu sorriso orgulhoso.

Quando finalmente chegou em frente à casa, respirou fundo, mas deixando que a excitação a dominasse. Andrea, concentrada na cozinha, não percebeu imediatamente a chegada da filha, mas ao ouvi-la soltar um suave “Oi, mamãe!”, virou-se rapidamente, iluminando seus olhos.

— Catarina! — exclamou, largando a colher e abrindo os braços para abraçar a filha. — Como foi o primeiro dia?

Sorrindo de orelha a orelha, Catarina sentiu uma alegria genuína pulsando em seu peito.

— Foi ótimo, mamãe! — disse ela, com um brilho nos olhos. — Tudo correu melhor do que eu esperava.

Andrea observou a expressão da filha, percebendo a felicidade estampada no rosto dela. Um sentimento de gratidão tomou-a e ela ergueu instintivamente as mãos para o céu, murmurando uma prece silenciosa.

— Que esse trabalho dê certo, meu Deus. — disse, baixando o olhar para a filha com ternura. — Assim, você poderá voltar à faculdade e seguir seus sonhos.

— Sim, mamãe, isso me deixa ainda mais animada — respondeu Catarina, abraçando a mãe mais uma vez.

— E o senhor Henri? Como foi com ele?

Andrea perguntou, arqueando uma sobrancelha, curiosa, enquanto acomodava a massa do bolo na forma.

— Bem… ele foi educado, do mesmo jeito que foi aqui em casa naquele dia — respondeu, lembrando-se da gentileza que ele teve ao auxiliá-los na mudança. — Ele parece saber exatamente o que está fazendo, mas sem ser arrogante.

— Que bom, minha filha — disse Andrea, sorrindo com orgulho. — Mesmo jovem, ele parece muito maduro e respeitoso. É bom ver que você está em boas mãos.

O coração de Catarina acelerou só de ouvir a mãe falar assim, e um calor confortável se espalhou pelo peito. Ela sentiu-se ainda mais motivada a dar o melhor de si, não apenas pelo trabalho, mas por tudo que aquele emprego representava: independência, crescimento e oportunidades futuras.

Rolando pelo feed, percebeu que ele parecia bastante reservado: poucas fotos, a maioria em família, nada de baladas, festas ou mulheres chamando atenção. Um sorriso suave surgiu em seu rosto, um alívio silencioso que a deixou genuinamente feliz.

— Então é isso… — murmurou para si mesma, sentindo uma pontada de expectativa e nervosismo. — Um homem de família e para casar.

Ela parou por um instante, segurando o celular com cuidado, como se ele fosse frágil demais para o mundo. Respirou fundo e, quase sem perceber, sussurrou para o travesseiro:

— Se ele se apaixonasse por mim…

O pensamento a deixou corada, e uma mistura de ansiedade e esperança percorreu seu corpo. Catarina sabia que não podia se deixar levar por fantasias, mas, naquele instante, permitir-se sonhar parecia inevitável. O brilho da tela refletia em seus olhos, revelando o quanto ela desejava, secretamente, que Henri não fosse apenas gentil e carinhoso, mas também alguém que pudesse se tornar parte de sua vida de forma verdadeira e duradoura.

Com o coração ainda acelerado, ela deslizou o dedo pela tela, observando cada postagem, cada sorriso dele em família, imaginando como seria um momento em que ambos estivessem sozinhos, conversando, rindo, construindo uma história juntos. Era um pensamento simples, mas poderoso.

— Quem sabe… — murmurou novamente, dessa vez mais firme, como se quisesse convencer a si mesma de que aquilo poderia se tornar realidade. — Quem sabe ele se apaixone por mim e queira algo sério.

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