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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 313

Sabia que a pergunta não tinha malícia; Noah apenas queria entender seus planos. Mas para ele, falar sobre sentimentos ou relacionamentos era sempre desconfortável e constrangedor.

— Com todo o respeito, Noah… não quero falar sobre isso com você. — Respondeu, desviando o olhar.

Noah pressionou os lábios por um instante, assentindo com a cabeça, consciente de que podia estar invadindo a privacidade do irmão. Ele não tinha direito de exigir nada.

— Tudo bem… você é maior de idade e sabe o que está fazendo.

Satisfeito com a compreensão do irmão, Henri respondeu com um leve aceno de cabeça.

— Vou indo para casa… preciso arrumar minhas coisas, porque partiremos hoje à noite.

— Já? — Henri perguntou, surpreso.

— Sim. Todos estão ansiosos e, para ser sincero, eu também.

— Diga para o Gael que os visitarei em breve também.

— Eu vou dizer.

Noah se despediu do irmão, levantou-se e abriu a porta, saindo do escritório. Ao passar por Catarina, deu-lhe um leve aceno de cabeça, quase imperceptível, e seguiu caminho.

A moça observou o gesto sério dele, algo diferente do habitual, mas não comentou. Voltou-se para o computador, tentando se concentrar, embora a mente insistisse em viajar para outros pensamentos.

Ela não conseguia afastar o pensamento do que quase havia acontecido. Se perguntava como ficaria o clima entre os dois dali em diante. Será que ele continuaria o mesmo, mantendo aquela distância profissional, ou aquele quase beijo teria mudado algo?

Por mais que tentasse não criar expectativas, não conseguia evitar sentir uma pontada de empolgação ao imaginar as possibilidades. O mês que passou trabalhando com ele havia sido intenso de maneiras que ela ainda estava tentando compreender. A atração que sentia por Henri não era algo que pudesse simplesmente ignorar; era evidente, quente, inquietante.

Ela respirou fundo, tentando se concentrar no computador, mas seu coração parecia ter vida própria, disparando a cada som que vinha do escritório.

Por fim, ela se obrigou a focar nas tarefas do dia, respirando fundo e tentando afastar a mente de pensamentos proibidos. Mas mesmo com toda a força de vontade, não podia negar que estava curiosa para descobrir no que aquela tensão silenciosa, aquele magnetismo inexplicável, acabaria dando. O coração dela já sabia a resposta muito antes da mente se permitir aceitá-la: o que quer que viesse entre ela e o chefe, seria intenso e impossível de ignorar.

A porta do escritório se abriu de repente, e Henri saiu dela. Seus olhares se encontraram no mesmo instante, mas nenhum disse nada.

— Estou indo almoçar, você devia fazer o mesmo — ele comentou, com a voz calma, mas com um brilho nos olhos que a fez corar levemente.

Catarina olhou para o relógio e percebeu que já eram 12:20.

— Ah… minha nossa, nem percebi as horas — disse, surpresa.

— Estava concentrada na planilha, não é mesmo? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha.

— Claro… — mentiu, desviando o olhar rapidamente.

— Talvez hoje à tarde eu não venha ao escritório. Minha família vai viajar para visitar minha sobrinha que acabou de nascer, e eu quero ir até a capital comprar um presente para eles levarem para ela.

— Eu adoraria — confessou, com um leve sorriso.

— Então… vamos?

— Deixa eu só arrumar minhas coisas e avisar minha mãe que não irei para o almoço.

— Tudo bem, te espero lá fora.

Enquanto guardava seus papéis e fechava a pasta, Catarina tentava controlar os pensamentos que se formavam em sua mente. Era só um passeio para comprar um presente para a sobrinha do chefe, mas de repente tudo parecia tão cheio de significado, tão próximo do que ela não ousava admitir: o quanto estava gostando dele, o quanto cada gesto dele a fazia sentir borboletas no estômago.

Ao pegar a bolsa, Catarina também pegou o celular e enviou uma mensagem para a mãe, avisando que almoçaria no trabalho, pois precisava auxiliar o chefe a organizar algumas coisas.

Após enviar a mensagem, correu até o banheiro, arrumou o cabelo rapidamente e saiu do escritório. Encontrou Henri, já esperando no carro, com o olhar atento fixo nela. Seu coração disparou, mas fez esforço para não deixar transparecer.

Abriu a porta do carro e entrou, sentando-se no banco do passageiro. Assim que virou o rosto para encará-lo, percebeu que ele já a observava, como se tivesse lido todos os seus pensamentos.

— O que quer comer? — ele perguntou, com o tom de voz quase despretensioso.

— O que o senhor escolher está ótimo — respondeu, mantendo a compostura, mas sentindo uma pontada de ansiedade percorrer-lhe o corpo.

Enquanto dirigia em direção à saída da cidade, Henri não percebeu que, à distância, um homem de quase dois metros de altura observava, com a testa franzida, a filha sentada no carro que se afastava.

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