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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 314

Sentada no banco do passageiro, Catarina tentava disfarçar a inquietação. Sentia o coração acelerar de tempos em tempos, sempre que notava o olhar dele pousando sobre si por alguns segundos mais do que deveria.

Ela ajeitou o vestido que usava, um tom azul-claro que contrastava com os cabelos ruivos soltos. Tinha consciência de que estava longe de se sentir à altura do ambiente sofisticado que Henri costumava frequentar, mas ainda assim, havia algo reconfortante na maneira como ele a tratava.

— Está confortável? — ele perguntou de repente, quebrando o silêncio entre eles.

— Sim… — respondeu ela, sorrindo de leve. — O carro é muito confortável.

Ele assentiu, mantendo os olhos na estrada.

— Bom saber. Quero que se sinta bem quando estiver comigo.

Tentando não se deixar levar pelas entrelinhas, Catarina virou o rosto para a janela, fixando os olhos no horizonte, mas não conseguiu evitar o rubor nas bochechas.

Pouco menos de uma hora depois, os prédios altos da capital começaram a surgir. Henri diminuiu a velocidade e entrou em uma avenida movimentada, repleta de veículos e pessoas apressadas. Estacionou o veículo em frente a um restaurante sofisticado, onde manobristas uniformizados já aguardavam.

— Vamos fazer uma pausa para o almoço aqui. — anunciou, desligando o motor.

Olhando para a fachada imponente, com janelas amplas e letreiros dourados, Catarina não pode deixar de se sentir nervosa. O coração dela disparou. Nunca havia entrado em um lugar como aquele.

— Tem certeza? — perguntou, hesitante. — Eu não estou vestida para…

Arqueando uma sobrancelha, ele a interrompeu.

— Catarina, você está linda. Não precisa se preocupar com isso. — E, sem dar espaço para objeções, saiu do carro e abriu a porta para ela.

Ela desceu devagar, tentando conter o nervosismo. Ao entrarem, foram recebidos por um maître que os conduziu a uma mesa reservada em um canto discreto.

Sabendo que estava impressionando-a, Henri puxou a cadeira para que ela se sentasse. Foi um gesto simples, mas que fez o coração dela se agitar ainda mais. Sentando-se em frente, ele pegou o cardápio e começou a folheá-lo.

— Gosta de massas? — perguntou.

— Gosto, sim.

— Então vou pedir algo especial para nós. — disse, chamando o garçom.

Catarina observava tudo em silêncio, impressionada com a naturalidade dele naquele ambiente. Quando o pedido foi feito, ele se recostou na cadeira, cruzando os braços, e fixou os olhos nela.

— Confesso que estou curioso sobre você. — disse, num tom descontraído.

— Sobre mim? — ela franziu a testa, sem entender.

— Sim. Sei que é dedicada, que tem potencial… mas ainda não sei muito sobre quem você é de verdade.

Ela desviou o olhar, mexendo nervosamente nos dedos.

— Não tenho muito o que dizer… sou apenas uma garota comum, tentando ajudar meus pais e... sobreviver.

Inclinando-se para frente, ele apoiou os cotovelos na mesa.

— Não subestime a si mesma, Catarina. — disse, sério. — Você tem algo diferente. E não falo só das suas habilidades.

Ela arregalou os olhos, sentindo o calor subir pelo rosto.

— O que quer dizer com isso?

Ele deixou um sorrisinho escapar, aquele mesmo sorriso provocador que a deixava desconcertada.

— Quero dizer que você chama a atenção de qualquer homem… — Ele fez uma pausa, encarando-a diretamente. — E eu não sou exceção.

Catarina sorriu, segurando o tecido com cuidado.

— É macio, leve. Vai ficar perfeito nela.

Ele observou o entusiasmo dela e sorriu.

— Se você diz, eu acredito. Afinal, parece que entende mais disso do que eu.

— Eu só imagino como a bebê ficará linda com isso.

— Então, está decidido. — disse, chamando a vendedora para embalar o vestido. — Vamos levar este.

Enquanto a vendedora se afastava, Catarina ainda admirava a vitrine, mas sentiu o peso do olhar do chefe sobre si. Voltou-se para ele, corando.

— O que foi?

Ele sorriu de canto, aproximando-se apenas o suficiente para que sua voz fosse ouvida apenas por ela.

— Nada… só estou pensando que você parece se encaixar perfeitamente em qualquer lugar, até mesmo numa loja de artigos infantis.

O coração dela disparou novamente. Sentiu-se dividida entre a vontade de acreditar nas palavras dele e o medo de se deixar levar.

Por sua vez, Henri sabia que estava cruzando uma linha perigosa, mas não conseguia evitar. Catarina era irresistível demais.

Decidido a aproveitar aquele momento longe dos olhares da vila, ele resolveu ser mais direto com ela.

— Escuta… e se, ao sairmos daqui, em vez de irmos para casa, eu te levasse a um lugar especial?

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