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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 318

— Não fizemos apenas isso, papai — explicou Catarina, tentando não deixar a voz trêmula transparecer.

— Ah, é? Então, o que mais fizeram?

— Primeiro, almoçamos — disse ela. — E, como o restaurante era bem movimentado, a comida demorou a ser servida.

Damião arqueou as sobrancelhas, cético.

— E depois?

— Depois fomos até algumas lojas, mas o senhor Henri queria algo especial e acabou demorando para escolher o presente da sobrinha.

— Eu entendo isso, mas não justifica terem chegado a essa hora — rebateu o pai.

— É que, depois de ele ter encontrado o presente ideal, aproveitamos que estávamos na capital e ele resolveu adiantar alguns assuntos de trabalho que estavam pendentes. Se soubesse tudo o que fizemos, o senhor provavelmente diria que chegamos cedo demais.

Embora uma pontada de insegurança ainda batesse em seu coração, Damião decidiu apenas assentir, confiando na filha.

— Tudo bem — comentou, aliviado.

— O que foi, Damião? Por acaso, está desconfiado da nossa filha? — Andrea perguntou, visivelmente incomodada.

— Não é isso… é que… não sei bem como expressar meus pensamentos. Eu sei que o senhor Henri é uma boa pessoa, mas ele é um homem… e, como pai, me preocupo com o que pode acontecer com a minha filha longe dos meus olhos — confessou, olhando para Catarina com cuidado.

Vendo a preocupação do pai, Catarina se aproximou dele e o abraçou.

— Obrigada pela preocupação, papai, mas não se preocupe com nada. Eu estou bem — disse, aconchegando-se ao abraço.

— Tudo bem, querida — respondeu ele, retribuindo o abraço com carinho.

— Por que vocês dois não entram e descansam um pouco? Vou preparar um bolo de milho para comermos mais tarde — Andrea sugeriu, observando que tudo estava esclarecido.

— É uma ótima ideia — Catarina respondeu.

Ela e o pai entraram em casa e cada um foi para o seu quarto.

Assim que entrou, fechou a porta atrás de si e respirou fundo. Sem pensar duas vezes, deixou que o corpo cedesse à exaustão e se jogou na cama. O colchão afundou sob seu peso, acolhendo-a como se estivesse à espera daquele momento de alívio.

Fechou os olhos e deixou escapar um suspiro longo, sentindo cada músculo reclamar do cansaço. As mãos se espalharam pelo lençol, tentando encontrar algum conforto, enquanto a mente tentava processar tudo o que havia acontecido naquele dia. A combinação de adrenalina, nervosismo e... sua entrega.

Apoiando a cabeça no travesseiro, sentiu a pele ainda arrepiar ao lembrar do toque dele. Um calor misturado com vergonha e desejo percorria seu corpo, e ela não pôde evitar um pequeno sorriso, embora suas bochechas se tingissem de rosa.

— Que dia… — murmurou baixinho para si mesma, sentindo os ombros relaxarem lentamente.

Seu corpo ainda doía levemente, lembrando-a da intensidade de tudo o que havia vivido, e cada fibra parecia pulsar com a memória dos gestos de Henri, fazendo seu coração bater mais rápido.

— Quero… quero que tudo isso dure… que ele fique… que eu fique com ele.

Abraçada ao travesseiro, ainda perdida em pensamentos sobre o amor, ela saiu do transe ao ouvir uma batida na porta.

— Filha, o jantar está servido.

Assustada, ela se levantou e abriu a porta, deparando-se com o pai.

— Mas já? — perguntou, confusa.

— Querida, já são quase oito da noite. Por acaso, você não percebeu como o tempo passou?

— Não… eu não percebi — respondeu, tentando disfarçar.

Damião a observou por alguns instantes, percebendo um comportamento diferente, quase sonhador.

— Estava sonhando acordada, por acaso? — perguntou, com um leve sorriso, tentando parecer descontraído.

— Não é isso… é que acabei pegando no sono — mentiu, baixando o olhar.

Mas dessa vez, a mentira não convenceu. Damião percebeu imediatamente que havia algo diferente nela, algo que não queria revelar, e seu instinto de pai se alertou.

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