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Caminho Traçado - Uma babá na fazenda romance Capítulo 319

Sentado à mesa com a esposa e a filha, Damião comia em silêncio, perdido em seus próprios pensamentos. Embora não tivesse nenhuma prova, seu instinto de pai o alertava: algo parecia diferente. Entre o momento em que Catarina saiu para trabalhar e o retorno à tarde, algo havia mudado, e ele sentia isso no ar.

— Acho que deixei as batatas tempo demais no forno — disse Andrea, tentando quebrar o silêncio.

— Estão deliciosas, mamãe — respondeu Catarina, sorrindo.

Damião observava a filha conversando normalmente com a mãe, mas não conseguia se convencer de que tudo estava como antes. Havia algo ali, algo que ela não contava.

— Como estão as coisas no trabalho, filha? — ele perguntou, finalmente, tentando manter a voz calma.

Surpresa com a pergunta, Catarina ergueu os olhos e demorou um instante para responder:

— Estão bem, papai.

— E o senhor Henri? — continuou ele, com cuidado.

Ela engoliu em seco, ligeiramente confusa, e demorou alguns segundos antes de responder.

— O que tem ele? — perguntou, hesitante, tentando disfarçar a curiosidade do pai.

— Como ele trata você?

— Ele é bom, educado e respeitador — disse, com a inocência típica com que falava das coisas. — Nem parece que tem quase a mesma idade que a minha.

— Compreendo — murmurou Damião, balançando levemente a cabeça, ainda não totalmente convencido, mas sem pressionar.

— Que bom que ele é assim, mesmo jovem, se parece muito com o pai — comentou Andrea, colocando a mão no queixo, observando a filha com um olhar de aprovação.

— Sim, todos da família Caetano são educados e respeitadores — defendeu Catarina, com um sorriso tímido, mas sem perceber o quanto suas palavras poderiam soar confiantes demais para quem estava atento.

— É bom que as coisas permaneçam assim — murmurou Damião, colocando uma garfada na boca, enquanto seus olhos, por um instante, fugiam para a filha, estudando cada gesto dela, cada expressão que pudesse lhe dar uma pista do que acontecia naquele dia.

— Você disse que foi auxiliar o senhor Henri a comprar um presente para a sobrinha que nasceu, não é mesmo, filha? — Andrea voltou ao assunto, curiosa.

— Sim, mamãe. A filha do irmão gêmeo do senhor Henri acabou de nascer nos Estados Unidos — respondeu Catarina, com um brilho nos olhos, ainda lembrando de tudo o que aconteceu naquele pequeno passeio.

— Essas pessoas são tão ricas — Andrea comentou, impressionada, balançando a cabeça, sem esconder a surpresa.

— Quer dizer que o senhor Henri vai viajar para visitá-los? — Damião perguntou, inclinando levemente o corpo para frente, tentando parecer casual, mas sua mente já analisava cada detalhe.

— Na verdade, não, a família dele irá, mas ele vai ficar — respondeu Catarina, sem perceber o leve franzir de sobrancelhas do pai.

— Como assim? Quer dizer que ele não irá ver a filha do irmão gêmeo, mesmo com todos lá? — Damião questionou, tentando disfarçar a preocupação com uma entonação curiosa.

— Então, boa noite para vocês! — disse ela, aproximando-se de ambos. Deu um abraço carinhoso na mãe e um beijo na bochecha do pai, com um sorriso inocente que sempre derretia qualquer preocupação.

Assim que viu a filha se afastar e entrar no quarto, Damião foi até a pia e começou a lavar a louça, enquanto Andrea desfazia a mesa em silêncio.

— Você notou algo de diferente na nossa filha? — perguntou Damião, com a voz baixa, quase como se quisesse ter certeza de que ninguém ouviria.

— Não, eu não notei — respondeu Andrea, distraída com os talheres, sem perceber o olhar atento do marido.

Damião permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Hum… — murmurou ele, apenas para si mesmo, enxaguando o prato e mantendo a expressão neutra. — Talvez eu esteja vendo coisas.

Mas mesmo assim, o instinto de pai não o deixava relaxar. Algo naquele dia parecia diferente, algo que não se encaixava na rotina da filha. Ele continuou lavando a louça em silêncio, enquanto sua mente revivia cada detalhe do dia, tentando entender o que poderia ter acontecido sem precisar confrontar a filha.

Andrea, por sua vez, terminou de recolher a mesa e se aproximou do marido, curiosa.

— Está pensativo, meu amor. Alguma coisa te incomoda? — perguntou, encostando-se levemente a ele.

— Eu não sei. Espero que seja apenas coisa da minha cabeça.

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